Se existe um divisor de águas na trajetória dos Beatles, este sem dúvida é o ano de 1966. Ele marcou momentos importantes na vida de John, Paul, George e Ringo, afastando-os cada vez mais da imagem de meros ídolos adolescentes e transformando-os em artistas respeitados. Foi nesse ano que eles gravaram o seminal álbum Revolver, deixaram de compor apenas canções sobre amor e garotas, se envolveram ainda mais com LSD, fizeram sua última turnê e desenvolveram projetos pessoais – e tudo isso afetaria não apenas o futuro deles como grupo, mas também toda a cultura pop ocidental. Em Beatles 1966, o jornalista Steve Turner faz uma deliciosa investigação da trajetória do quarteto de Liverpool ao longo desses 12 meses e nos transporta de volta a uma intensa era, que até hoje influencia o mundo onde vivemos.
Beatles 1966 - O Ano Revolucionário
Steve Turner
APESAR DO ESTRANHO QUE PODE PARECER, NÃO ERA FÁCIL SER UM BEATLE
Eu adoro os Beatles desde que eu tinha 10 anos e assisti Os Reis do Ye Ye Ye e Help no cinema em 1966. Quando me deparei com o titulo deste livro, meu gatilho de memoria disparou. !966 foi um ano da virada para os Beatles, eles haviam acabado de lançar o LP Rubber Soul em dezembro de 1965 e ainda tinham uma agenda cheia de shows para fazer pela Europa, oriente e America. Estas turnês definiram o fim desta era, devido a vários acontecimentos bizarros, contados em detalhes neste livro, ocorridos no Japão, Filipinas e Estados Unidos. Foi no último show que eles decidiram não fazer mais turnês. Na pratica isso deu a eles, que estavam na casa dos 23 a 26 anos, liberdade e tempo livre. A partir dai, lendo as 534 paginas você entra de cabeça naquele distante mundo do ano de 1966. Com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, só pessoas com muito talento, imaginação e recursos financeiros quase infinitos podiam fazer o que quisessem, literalmente. Nós, mortais comuns, só ganhamos com isso. O resultado mais profundo desta fase foi o lançamento do LP Revolver em julho de 1966 e a base para o próximo LP Sargent Peppers Lonely Heart Club Band, passando por Paperback Writer, Strawberry Fields e Penny Lane. O livro é um documento jornalistico histórico importante para a musica em si, não só para a carreira do grupo, mas aborda também em forma de linha do tempo, mês a mês o que acontecia com cada membro do grupo e as pessoas importantes para eles em seu entorno naquele ano. Apesar do estranho que pode parecer, não era fácil ser um beatle, a carga de pressão em cima deles era tremenda. O maior exemplo foi o corrido com a suposta frase que John Lennon disse na época: "nós somos mais populares que Jesus Cristo", o livro conta detalhe a detalhe o que Lennon realmente disse e o que ele quis dizer com aquela frase, que usada inescrupulosa e irresponsavelmente por uma revista fora do contexto da reportagem causou inúmeros problemas a eles, até que John esclareceu o que realmente quis dizer. Ler este livro é viajar no tempo, uma leitura muito prazerosa, imprescindível para os fãs e importante para quem não conhece os beatles e a importância deles no que aconteceu a partir de 1966 por influencia direta deles. O livro está recheado de fotografias raras do grupo, capas de livros, revistas e LPs da época que foram improntantes e referenciarias para o processo criativo deles. Continuo adorando os beatles, sua musica e suas personalidades a cada material que me cai a mão para consumir, este livro é um dos melhores sobre o tema que já li.
Estatísticas
Avaliações
4.5 / 67- 5 estrelas54%
- 4 estrelas31%
- 3 estrelas13%
- 2 estrelas1%
- 1 estrelas0%




