"Paro, já a alguns bons passos da entrada do prédio, e ergo meu rosto para o sol, de olhos fechados, para aproveitar um pouco de seu calor e inspirar fundo seu frescor. Gosto de tentar estabelecer tréguas sempre que consigo a oportunidade, mesmo que ele se faça de difícil de alcançar. Uma pena que não consigo aproveitar, o quê?, mais de uns oito segundos de paz interior, já que alguma coisa me acerta e me joga com tudo no chão frio e duro. Doeu. O mundo parece estar convicto a arruinar meu bom humor, hoje e sempre que possível. — Aw! — Nossa! Me desculpe! Sinto muito, senhorita. Aqui, deixe-me ajudá-la. Um homem me oferece sua mão, todo preocupado. Bem, ele deveria estar! Aceito-a e ele me ajuda a levantar da calçada. Um homem me oferece sua mão, todo preocupado. Sua mão é macia ao toque e está um pouco suada, como se ele estivesse se exercitando. Uma olhada em seus tênis Nike de corrida novinhos me confirma a suspeita. — Você está bem, senhorita? — Ele me pergunta e sinto um traço de divertimento em sua voz. Não, mas quem se importa? Estou ocupada, não me atrapalhe. Deixe-me continuar meu inventário: a criatura está usando calças dri fit azul marinho e uma regata branca que tem aquele tipo de colarinho trançado, tipo camisa de pirata ou príncipe medieval, além de um capuz. Que regata interessante! Interessante também é o fato de estar indecentemente transparente dado ao excesso de suor, revelando um abdômen pra lá de definido. Minha nossa. Esse cara é uma porta maciça. Eu pretendia terminar a inspeção fashion, mas os relevos e depressões aqui já me desconcertaram bastante, então passo logo para as demais características físicas do indivíduo, antes que perca meu foco de vez. Ele é alto, muito alto. Deve ter uns... 1,90m de altura? Eu nunca fui muito parâmetro de comparação nesse quesito e para mim todo mundo parece muito alto... os realmente altos então.... Braços fortes, que carecem as mangas da camisa e que, não tenho dúvidas, são naturais e não um reflexo de intensa malhação. O pescoço é estruturado e bem definido; o queixo é perfeitamente esculpido e o conjunto está deliciosamente acompanhado por indícios da barba por fazer. E é aí que movo meu olhar de encontro ao seu, o culpado por ter me atropelado nesta linda manhã, e começo a despencar de novo. — Ow, você está bem, senhorita? — Ele se alarma e me ajuda a não cair uma segunda vez. Oh. Ow. Minha nossa, minha nossa. Minha nossa! Cabelos castanhos tocam seus ombros de um jeito desajeitado e tentador. São mechas que lhe escapam do elástico... um coque baixo, desgrenhado e bem tímido, posso ver daqui. É pra lá de sexy. Está é uma qualidade que poucos homens têm: a habilidade de serem ainda mais gatos e másculos com mechas mais longas de cabelo. É tudo parte de uma equação muito bem balanceada, se me perguntar, que mescla o tipo de rosto, o comportamento corporal, o sorriso, o olhar e a atitude do conjunto, fazendo do todo, puro prazer e tentação. Não tente tirar um dos tópicos da lista e tampouco exagere na dosagem; a química aqui é minimamente calculada e perfeita." ​ Quando (re)encontra Adam Keller, rico empresário nova-iorquino e fantasma/doppelgänger daquele por quem se apaixonara 4000 anos atrás no Vale dos Reis, Egito, as memórias de uma vida que pensava ter deixado para trás voltam a assombrar Ayura Masen. Intrigada, decide enfrentar o passado e presente para conhecer melhor este homem que é, sem nunca ter sido, seu tão amado Asluc. O destino, porém, teima em se repetir e ela enfrenta a possibilidade de perdê-lo novamente para o que parecem ser as mesmas circunstâncias. Decidida a reescrever sua história e a impedir que os trágicos acontecimentos se repitam, embarca em uma viagem para o Antigo Egito, mesmo após tantas juras de nunca mais retornar ao lugar que a condenara. ​Um livro repleto de aventura, charme e paixão, revela com refinado humor os desafios do amor e a importância de importância de encarar o passado para escolher o presente. - A.C.S.
