Jack London, mestre da narrativa de viagens, descreve aqui uma aventura verdadeira - o seu périplo pelo Pacífico a bordo do Snark. Pouco sabendo da arte de navegar, partiu de São Francisco com a mulher e dois tripulantes, num veleiro defeituoso.
O Cruzeiro do Snark - Memórias do Pacífico Sul
Jack London
Edições (1)
Ver maisO relato de uma curiosa viagem pelo Pacífico Sul
Apaixonado pelo mar e pelo chamado da aventura, Jack London nos brinda com a fantástica narrativa de quando decidiu mandar construir um veleiro de 13,07 pés e se lançar ao mar em um cruzeiro pelo Pacífico Sul junto com sua esposa Charmian, seu amigo Roscoe, o mecânico Bert, o cozinheiro Martin e o grumete Tochigi. Foram dois anos de uma aventura oceânica que resultou no lançamento desse livro em 1911. Após muita espera, dinheiro investido e vários adiamentos da entrega, London decide levar o barco (que custou caro, mas que, ainda assim, foi entregue inacabado e cheio de defeitos) para Honolulu para passar por reparos e, em seguida, cruzar o Pacífico com a ambiciosa missão de dar a volta ao mundo. O fato de que nessa travessia entre a Califórnia e Honolulu nem London nem Roscoe ainda soubessem navegar é o mais surpreendente. Eles acabaram por aprender na prática durante a travessia. Depois de deixar o Havaí, London e seus companheiros de viagem foram para as Marquesas, em seguida para o Taiti, e de lá rumaram para Tahaa, onde conheceram moradores gentis e hospitaleiros, que seguiram viagem com eles até Bora Bora. Toda a narrativa de como foram recepcionados em Tahaa e Bora Bora é muito cativante. Também passaram pelas Ilhas Fidji, Ilha Futuna até chegarem as Ilhas Salomão, e, após essa última, a tripulação do Snark enfrentou vários problemas de saúde, incluindo febres, úlceras e uma misteriosa enfermidade que acometeu London, desenvolvendo um inchaço em suas mãos obrigando-o a partir para a Austrália em busca de tratamento. Essa foi uma aventura vivida por London que, segundo ele: "ultrapassa o prazer do entretenimento, não só proporcionando a oportunidade de conhecer as coisas do mundo exterior — países, povos e climas —, como também a oportunidade de conhecer a si mesmo, de exercitar a introspecção e de dialogar com a própria alma." O Cruzeiro do Snark possui dezessete capítulos com uma narrativa fluída e prazerosa. A empolgação de London durante alguns trechos do livro é contagiante, e sua escrita descritiva nos leva a vivenciar com ele essa grande aventura oceânica, envolvidos pela mesma coragem intrépida que tomou conta de seu coração e dos corações de seus companheiros de viagem. Eu achei muito interessante ler o relato dessa curiosa viagem pelo Pacífico Sul a bordo do Snark, descrito por um dos grandes autores americanos de aventura. Recomendo para todos que gostem do autor e de histórias de aventura.
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