Elza, a garota - A história da jovem comunista que o Partido matou

    Sérgio Rodrigues

    Companhia das Letras
    2018
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-13: 9788535931037
    Português Brasileiro

    Tudo indica que Elza Fernandes tinha dezesseis anos quando foi assassinada, em 1936, a mando da alta cúpula do Partido Comunista do Brasil, sob suspeita de traição. A dúvida sobre sua idade é uma das muitas incoerências que circundam a biografia de Elvira Cupello Calônio — a jovem por trás do codinome. Neste romance revelador, Sérgio Rodrigues se vale do talento literário e do rigor jornalístico para tentar preencher algumas dessas lacunas. De um lado, acompanhamos a vida de Molina, aspirante a escritor contratado por um senhor misterioso para escrever suas memórias dos tempos de comunista. De outro, somos confrontados com documentos, relatos e entrevistas, frutos de um trabalho ímpar de investigação e pesquisa. Ao retratar um dos incidentes mais nebulosos da Era Vargas, o romance joga luz sobre uma personagem esquecida e contribui para esclarecer uma questão imprescindível: afinal, por que Elza foi varrida da história do Brasil? Um romance com muita imaginação, que mistura lances de reportagem investigativa, de thriller policial, aventura, suspense e espionagem. Nada disso, no entanto, teria valor se o autor não empregasse uma técnica narrativa irresistível e se não escrevesse tão bem. Um livro indispensável. — Zuenir Ventura

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    Waldir Figueiredo Reccanello23/12/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma história que todos queriam esquecer

    Como dito por Zuenir Ventura nas orelhas do livro, essa é uma história "indispensável para quem não conhece a tragédia da garota Elza e para quem a conhecia de ouvir falar". Tantas vezes propositadamente ignorada pelos envolvidos e seus simpatizantes (a esquerda brasileira, que assim também esperava que o povo a esquecesse), tantas vezes exageradamente relembrada pelos antagonistas do movimento esquerdista no Brasil, a história de Elza não é apenas o relato de um assassinato monstruoso e sem sentido: é a história do próprio movimento comunista brasileiro e de seus personagens principais - "décadas de choques ideológicos, sacrifícios, sofrimento (...), horror, décadas de vida e morte" que, em verdade, não passaram de "matéria pastosa de comédia". Um momento vergonhoso da história - e revelador do caráter - dos "grandes heróis" comunistas, em especial Luiz Carlos Prestes, que até a morte procurou varrer para baixo do tapete (responsabilizando "o Partido") a história do assassinato que ordenou. Enfim, a história da garota Elza também é a história da Intentona Comunista, uma revolução fajuta e desde o início fadada ao fracasso que nada mais fez que dar forças ao fascismo de Getúlio e, depois, aos militares. === Apesar de não trazer respostas definitivas sobre o caso (na verdade, acaba lançando ainda mais dúvidas sobre os envolvidos), é um livro muito bom que, baseado em extenso levantamento documental da época, consegue, através de uma história paralela com momentos picantes e divertidos, fazer com que mergulhemos na mentalidade da deslumbrada juventude esquerdista dos anos 1930, juventude que, apesar de tão canalha, tirânica e totalitária quanto sua contrapartida de direita, ignorantemente se achava tão ou mais pura que São Francisco de Assis. === De qualquer forma, a história de Elza nos traz uma certeza: ela não foi morta "pelo Partido Comunista"; ela foi morta por integrantes do Partido, pessoas cruéis, canalhas e insensíveis para quem, como era praxe de se dizer na época e se revelou corriqueiro "modus operandi" da ideologia comunista, "a vida de um indivíduo era sacrificável".

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