Engana-se quem pensar ser esta obra-prima um breve romance incapaz de não enervar, desesperar, irritar, ao expor, com requintes de um tour de force cruel, algo de nós que julgamos repousar, imune, em águas submersas. Subestimar tal fato é sempre um terrível equívoco. O cardápio do livro? Suicídio, solidão, amizade, o tempo, a cobiça, inveja, maldade, deslealdade, bondade pouca, solidariedade zero, loucura, a existência quase sempre flagelada de quem se julga invulnerável. Depressão e por aí vai.
Sem condições quaisquer de escrever mais do que poucas linhas sobre este romance. Eis um livro dificílimo, pesado, e, absurdamente essencial. Ele traz à tona demônios, catarses, catilinárias. E, claro, um pouco de luz. Uma nesga. Assim penso e quero acreditar.
Ps - Os três primeiros parágrafos são leite condensado. O quarto parágrafo, que não tem fim, é início do ácido mais poderoso que há: a genialidade bruta de um homem que ousou dinamitar, com seus argumentos, jamais gratuitamente, a própria pátria, sua gente e ele próprio. E todos os transeuntes e leitores.