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    O preto que falava iídiche -

    Nei Lopes

    Editora Record
    2018
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788501113252
    Português Brasileiro
    3.8
    36 avaliações
    Leram44Lendo4Querem66Relendo0Abandonos4Resenhas6
    Favoritos1Desejados66Avaliaram36

    O encontro de duas comunidades degredadas no Rio da primeira metade do século XX: negros e judeus. O mais ambicioso romance de Nei Lopes. A partir do relacionamento apaixonado, fortuito e proibido do preto inteligentíssimo Nozinho, que falava até iídiche, com a bela e branca judia Rachel, o romance enlaça as vivências e memórias de suas origens com as de outro grupo historicamente marcado pelo racismo, o das comunidades judaicas. E o faz, como sempre, associando leveza e humor a reflexões profundas sobre arte, religiosidade e costumes. Da Praça Onze carioca ao East River nova-iorquino, passando pela Bahia, Porto Alegre e a distante Etiópia, o autor nos conduz por uma viagem fantástica. O autor propõe uma saga realista e alegórica sobre uma das formações possíveis do povo brasileiro.

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    Ana Luísa picture
    Ana Luísa24/09/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma saga épica, um romance, uma aula de história

    Um livro que aluga andares em nossa mente, justamente por externar uma perspectiva totalmente decolonial sobre os povos negros, recoberta de um epicismo genial e conhecimento teórico de Nei Lopes. Em um bairro do Rio de Janeiro vive Nozinho, um menino que possuía uma grande habilidade com idiomas e admirado por muitos, principalmente, por ser um preto que fala iídiche. Ele passa a trabalhar na fábrica de uma rica família judia e se apaixona por Raquel, a filha do dono. Com isso, parece aquelas histórias de amor proibido, mas a construção deste livro vai muito além. Com diversos personagens e acontecimentos que vão do patamar histórico até o realismo fantástico, 'O preto que falava iídiche' para mim é uma jornada épica, recoberta de elementos que criam uma narrativa que tem como principal objetivo falar de duas comunidades: a judia e a negra, com seus respectivos desenvolvimentos e inserção na sociedade brasileira. Ao longo da história novos cenários e personagens se revelam e são apresentados ao leitor de forma didática e crítica, proporcionando encanto e muitas reflexões que fazem com que se saia da 'bolha' do eurocentrismo aprendido nas escolas. A narração é feita por um amigo ('pai adotivo') de Nozinho e, por conta disso, a história não segue uma linha temporal clara e haviam momentos que eu me prdia um pouco e precisei reler alginss trechos pra me situar. Como disse no início, não se trata apenas da história de Nozinho, há outros personagens que acabam por ganhar espaço justamente por está linha narrativa, que deixa em alguns momentos de acompanhar o protagonista e passa a focar em personagens secundários (que são interessantíssimos por sinal). Eu gostei muito do tom épico que se desenvolveu, a verosimilhança criada por meio dos recursos narrativos que mesclam o real e o imaginário, as reflexões históricas sobre o racismo impregnado na sociedade brasileira e a respeito do desenvolvimento de uma narrativa que demonstre o protagonismo negro em sua própria história. Recomendo a leitura sobretudo para quem gostou do livro 'O cortiço', de Aluísio de Azevedo, 'Macunaíma', de Mario de Andrade, e para quem deseja iniciar estudos sobre relações raciais no Brasil. "O lorde não conta que essa versão da história circula em livros que jamais chegaram e nem vão chegar ao Brasil"

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 36
    • 5 estrelas22%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas14%
    • 1 estrelas3%
    Nei Braz Lopes profile picture

    Nei Braz Lopes

    Nei Braz Lopes (Rio de Janeiro(no bairro de Irajá), 9 de maio de 1942), ou simplesmente Nei Lopes, é um compositor, cantor e escritor brasileiro. Notabilizou-se como sambista, principalmente pela parceria com Wilson Moreira. E paralelamente à atividade de compositor, Nei Lopes, sócio correspondente do CICIBA, Centro Internacional das Civilizações Bantu, com sede na República do Gabão, é escritor de vasta obra toda centrada na temática afro-brasileira e compreendendo ensaios como "O Samba, na Realidade" (1981), "Bantos, Malês e Identidade Negra" (1988), "O Negro no Rio de Janeiro e Sua Tradição Musical" (1992), "Zé Kéti, O Samba Sem Senhor" (2000), "Logunedé; santo menino que velho respeita"(2000), além de um "Dicionário Banto do Brasil" (1996) e um volume de poemas "Incursões sobre a Pele" , também de 1996, entre outras publicações.

    43 Livros
    37 Seguidores

    Nei Braz Lopes