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    A Velha (Coleção Mir) -

    Daniil Kharms

    Kalinka
    2018
    104 páginas
    3h 28m
    ISBN-13: 9788561096120
    Português Brasileiro
    3.9
    40 avaliações
    Leram60Lendo2Querem33Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos2Desejados33Avaliaram40

    O poeta, dramaturgo e escritor Daniil Kharms (1905-1942) foi um dos fundadores da OBERIU (Associação para uma arte real), grupo criado em 1928 que reuniu artistas vanguardistas de Leningrado (atual Petersburgo). Redescoberta nos anos 1990, a oberiu passou a ser considerada o último grande movimento da vanguarda russa, e seus principais membros e colaboradores, como Kharms, Aleksándr Vvediénski (1904-1941) e Nikolai Oléinikov (1898-1937), foram inseridos no rol dos maiores poetas russos do século 20. Com o fim da OBERIU (1930), Kharms se voltou para a prosa curta, criando textos coalhados de humor que, algumas décadas depois, consagraram em definitivo seu nome, na Rússia e fora dela. Em A velha (1939), o narrador em primeira pessoa, inseparável da figura excêntrica de Daniil Kharms, é um escritor em crise que se vê perseguido por uma velha que cai dura no meio de seu quarto. Parodiando clássicos do século 19, como A dama de espadas (1833), de Púchkin, e Crime e Castigo (1866), de Dostoiévski, a novela revela ainda as vicissitudes da Rússia stalinista e as questões metafísicas do autor, por meio de imagens e gestos que se refletem ao longo da narrativa, como em um caleidoscópio. A Coleção Mir reúne edições bilíngues da prosa curta russa, contos e novelas, de escritores consagrados, como Fiódor Dostoiévski e Lev Tolstói, mas também de nomes menos conhecidos no Brasil, como Fiódor Sologub e Zinaída Guíppius. Cada livro também acompanha uma leitura do texto feita por um russo nativo — o áudio pode ser acessado pelo QR Code impresso na capa. Mir, em russo, significa “paz” e “mundo”.

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    Tatiana Lima picture
    Tatiana Lima04/11/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Curto, Inusitado e Perspicaz

    Essa curta história, publicada após a morte do autor e com base em seus manuscritos, narra o estranho momento em que o narrador-personagem encontra uma velha no meio da rua portando um relógio e, ao perguntar sobre as horas e ser instruído a ver por si mesmo, tem a surpresa de perceber que o objeto não possui ponteiros. De volta à casa, ao atender à campainha, encontra essa mesma velha, que não só se deixa entrar na casa dele e sentar em sua poltrona favorita, como ainda o ordena a se ajoelhar no chão e a se deitar de bruços, ao que ele obedece de pronto, sem sequer questionar a princípio, saindo do estado do consciência em que se encontrava para, mais tarde e uma vez novamente desperto, encontrar a velha ainda largada em sua poltrona, só que morta. Irritado com tamanha inconveniência, o narrador se vê em conflito com como lidar com esse corpo que não pretende deixá-lo em paz facilmente... Ao que parece, a história foi escrita nos anos da Segunda Guerra Mundial e do governo Stalinista na Rússia, sendo possível captar temas diversos, como, por exemplo, a inação em conflito com a cobrança de ação, que hoje ainda nos toca em interpretação atual do seguinte trecho: "Na padaria, havia uma porção de gente e uma fila imensa no caixa. Fiquei logo de mau humor, mas meti-me na fila mesmo assim. A fila andava muito devagar e de repente parou de vez, pois faziam um baita escândalo na boca do caixa. Eu fazia que não via e olhava para as costas da mocinha que estava à minha frente na fila. (...) Finalmente, ela se voltou para mim e perguntou: - O senhor não sabe o que está acontecendo ali? - Sinto muito, não sei - disse eu no tom mais seco que consegui. (...) - O senhor não poderia ir até lá para descobrir o que está acontecendo? - Sinto muito, mas não dou a mínima - disse eu num tom ainda mais seco. - Como não dá a mínima? - exclamou a mocinha - O senhor também perde seu tempo aqui na fila!" Esta edição, por sua vez, ainda conta com o texto no original russo, confrontado página a página com sua tradução, além do QRCode para a versão em áudio lida por um russo nativo, o que faz dela, além de uma obra literária cuja leitura rápida vale muito a pena, um objeto de estudo.

    7 curtidas

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    3.9 / 40
    • 5 estrelas25%
    • 4 estrelas57%
    • 3 estrelas15%
    • 2 estrelas3%
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    Daniil Ivánovitch Iuvatchov

    Daniil Harms, morto aos trinta e sete anos numa prisão da Leningrado cercada pelos nazistas, pertence à última geração dos grandes vanguardistas russos que ainda ousaram exprimir-se com liberdade e ironia (embora por isso não pudessem publicar e tivessem sido reprimidos). Harms só foi publicado muito parcialmente na URSS vinte anos após a sua morte, em 1962. </br> É um dos mais originais representantes das novas perspectivas literárias que influenciaram a Rússia e o mundo desde o final do século XIX até ao final do primeiro terço do século XX. Fundador da OBERIU, Associação de Arte Real, erigiu o absurdo e o humor negro em arte nas suas peças e histórias curtas. É considerado o representante russo — casual ou não — do movimento surrealista.

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    Daniil Ivánovitch Iuvatchov