Já são décadas que li esse livro e ainda me surpreendo com como ele continua atual. Sempre haverá um amanhã conta a história de Daniel, que ao nascer Mahara (uma criança com algum tipo de deficiência mental) precisa mudar a vida de toda família. A autora não romantiza a experiência, não há nada daquele lugar comum de filmes em que a criança muda e melhora a vida da família. Ao contrário, Giselda Laporta deixa bem claro todos os conflitos familiares, econômicos e educacionais que esse tipo de situação acarreta. A própria Mahara é apresentada como qualquer outra menininha nas mesmas condições... ela é um doce em alguns momentos, mas extremamente problemática em outros. O livro é introspectivo. Toda a história é contada do ponto de vista de Daniel, e há poucas menções de Samanta (a mãe) e dos irmãos. Isso é uma jogada óbvia de sensibilização já que a maioria dos abandonos de crianças com algum tipo de problema mental se dá pelo lado paterno. Com toda essa temática pesada é surpreendente que seja um livro infanto-juvenil. Eu o daria para um adulto tranquilamente.


