Este livro tinha que estar disponível na maior quantidade de idiomas possível.
Você [ainda] é daquelas pessoas que meninos nascem pra gostar de azul, de brincar com carrinhos e caminhões, enquanto meninas nascem pra gostar de rosa, brincar de boneca e joguinhos de chá? Você [ainda] acredita em pesquisas que afirmam que diferenças anatômicas nos cérebros de meninos/meninas determinam que eles são mais "equipados" para se tornarem médicos, engenheiros, presidentes de empresas, matemáticos, enquanto elas são "equipadas" para cuidar de filhos e do lar, serem professoras e assistentes sociais? Então você precisa ler este livro, que analisa e refuta a grande maioria dessas pesquisas como insuficientes e tendenciosas, ao mesmo tempo em que demonstra que, mesmo que batamos o pé e afirmemos que criamos nossos filhxs para serem o que quiserem, ainda assim imergimos as crianças num mundo intrincadamente "generificado" (codificado por gênero) desde o momento da concepção de uma nova vida. Cordelia Fine, utilizando dados científicos de ambas as vertentes (tanto as que pregam que a biologia é destino como as que almejam derrubar os estereótipos gerados pela sociedade), desconstrói a nossa crença de que meninos nasceram para "serem assertivos, firmes, agressivos, melhores em matemática e física" do que meninas, que "nasceram para ser delicadas, atenciosas, empáticas, mais hábeis em conversação, e destinadas a cuidar de filhos e da casa". Este maravilhoso livro - que infelizmente só está disponível em inglês, o que limita seu alcance no Brasil, mostra, de maneira bem humorada (repleto de ironia e sarcasmo) que o ambiente social e mecanismos subconscientes têm SIM papel fortíssimo no suposto encaixe biológico natural em padrões de masculinidade e feminilidade.

