Tonio Kröger é um jovem escritor de origem burguesa. Espírito atormentado, leva uma vida solitária, como que à parte dos outros homens. Não consegue viver sem se questionar constantemente, a si e ao seu trabalho, mas ao mesmo tempo aspira a uma existência banal, como a dos que vivem sem pensar, dos que não se analisam, não sonham, dos que se contentam em abandonarem-se aos instintos sociais. Numa palavra, sonha viver como Hans e Ingeborg, jovens e belos, loiros e de olhos azuis. Thomas Mann aborda pela primeira vez na sua obra o tema do artista em choque ou em progressivo divórcio com a vida, tema que tanta importância viria a assumir no seu romance Doutor Fausto. Em grande parte autobiográfico, Tonio Kröger é a base de toda a obra de Thomas Mann.
Tonio Kröger -
Thomas Mann
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Ver maisPor que li esse livro? Depois de minha fissura no alemão Hermann Hesse fiquei curioso pela obra de seu conterrâneo e contemporâneo Thomas Mann, também ganhador de um Nobel. Procurei pelo óbvio A Morte em Veneza, mas acabei sem querer comprando um "livro duplo", com Tônio Kröeger como sobremesa - que acabou virando prato principal. A história O livro explora os acontecimentos e pensamentos que cercam a infância, a adolescência e o início da fase adulta de Tônio, um jovem burguês, propenso artista, cheio de conflitos. Tal descrição já deixaria um forte traço autobiográfico de Mann, mas ele preferiu ser explícito: Tônio é filho de um pai europeu com uma mãe "do sul", de onde veio seu "estranho nome"... Estranho? Pois é, não para nós brasileiros. E qual relação disso com os traços autobiográficos? Thomas Mann tinha uma mãe brasileira! Curiosidades à parte, a temática geral é muito semelhante à abordada por Hesse - existencialismo, sexualidade, desenvolvimento emocional - porém de forma mais direta e concisa, como se fosse uma versão para leitura rápida (não chega a uma centena de páginas!), sem deixar de ser profundo. Vale a pena ler? A qualidade da narrativa de Mann é indiscutível, a leitura flui tranquilamente e o livro é curto, ou seja, ainda que não goste da obra, não vai ter gasto muito tempo lendo. Os pontos de vista do protagonista são surpreendentes e seus pensamentos geram boas reflexões dos leitores. Para o meu gosto, perfeito! Trechos do livro Tônio Kröeger, de Thomas Mann: "...a felicidade, dizia para si mesmo, não é ser amado; isto é uma satisfação misturada com asco para a vaidade. A felicidade é amar e talvez colher pequenas aproximações ilusórias da pessoa amada." "...boas obras só se formam sob a pressão de uma vida dura; (...) é preciso ter morrido para ser um completo criador." "...um sorriso nervoso, que tinha um secreto parentesco com soluço, começou a dominá-lo." "Não repreenda este amor, Lisavieta; ele é bom e fértil. Contém saudade e uma inveja melancólica, um pouquinho de desprezo e uma felicidade de absoluta pureza."
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