Jim Ironheart tem um dom: consegue prever acidentes e, assim, evitar a morte de determinadas pessoas momentos antes de acontecer. Introspectivo e apenas focando sua vida nessa missão que acredita ser de Deus, tudo muda quando conhece Holly Thorne, uma repórter que passa a vasculhar seu passado em busca de respostas para todo o mistério que o envolve. Mas Holly logo descobre que seus poderes vão muito mais além de uma simples clarividência, pois despertam duas novas entidades: o Amigo, que representa tudo o que há de bom no mundo, e o Inimigo, que representa tudo o de pior e que vai tentar impedir Jim de continuar salvando vidas.
O fato é que a premissa inicial de "Fogo Frio" é muito boa, mostrando vários salvamentos executados pelo personagem principal. Assim, ficamos nos questionando sobre o que acontece com ele e aonde tudo vai dar. O problema, é que a partir da metade o livro perde o foco, nos trazendo um dramalhão bobo e um desdobramento sem graça. Nessa altura, é onde percebemos o maior de todos os problemas: os personagens não cativam - o que é de se estranhar se tratando de um livro de Koontz. Não que sejam superficiais, mas a sensação que dá é que Jim e Holly são pessoas sem graça e que não acrescentam nada.
Outro ponto negativo são os capitulos terrivelmente longos, o que dá uma canseira grande no leitor. Não há parada, nao aquela pausa necessária para se respirar. Por muito tempo são páginas e mais páginas de texto corrido, o que acaba enchendo o saco. Óbvio que isso combinado com os fatores citados no parágrafo acima é que colaboram para a sensação de um romance maçante.
"Fogo Frio" é um livro que pode sim ser lido pelos amantes de Koontz. Porém, para quem inicia em seu universo, é interessante que procurem outra obras mais ao seu estilo. Personagens cativantes, tramas sufocantes e intensas, o leitor pode encontrar em "Intrusos", "Velocidade", "Meia Noite", "Intensidade" e vários outros. Já "Fogo Frio" pode ficar pra depois... bem depois, quando você já for fã.