“Esse livro é um fracasso, e tinha que ser já que foi escrito por uma coluna de sal.”
Essa é uma das analogias mais belas que já li. O autor cita a esposa de Ló, personagem bíblica que também é transformada em uma coluna de sal por ter olhado para trás, em direção à destruição de Sodoma.
Ele também olhou para trás.
Olha, esse livro tem algumas coisas que não costumam me agradar: um pezinho na ficção científica, narração não linear e escrita simples. Só posso então dar todo o crédito do mundo ao Kurt Vonnegut porque esse livro me atingiu em cheio.
A ficção científica foi a forma que ele achou de tratar um tema tão pesado como um bombardeio com algumas pitadas de humor; as cenas não lineares nos permite respirar e as frases simples, curtas e diretas causam um impacto gigante.
Uma palavra e uma frase merecem destaque: “Earthlings (terráqueos)” e “So it goes (é assim mesmo)”.
Nós, os terráqueos, criamos essa mania de achar que as coisas “são assim mesmo”.
É triste e eu me pergunto todos os dias quando foi que nos tornamos tão indiferentes, tão conformados, tão desalmados.
Não é fácil ler sobre guerras e suas consequências, e também não é fácil lutar contra todo um sistema, mas é preciso tentar.
Billy (o protagonista) tem um oração emoldurada na parede no seu escritório que, segundo ele, “expressava seu método de continuar em frente”:
“God grant me the serenity to accept the things I cannot change,
Courage to change the things I can,
And Wisdom always to tell the difference.”
Obrigada Billy. Farei o mesmo.