Esperança para voar -

    Rutendo Tavengerwei

    Kapulana
    2018
    164 páginas
    5h 28m
    ISBN-13: 9788568846353
    Português Brasileiro

    Esperança para voar, de Rutendo Tavengerwei, jovem escritora do Zimbábue, é a história de superação e amizade de duas adolescentes, Shamiso e Tanyaradzwa. Shamiso retorna com sua família do Reino Unido para o Zimbábue, após a morte do pai, jornalista de oposição ao regime ditatorial da época. Tanyaradzwa, sua grande amiga, luta contra o câncer. O cenário é o Zimbábue, em 2008, ano de grave crise política nesse país africano. A narrativa de Rutendo Tavengerwei é emocionante e mostra como duas jovens procuram compreender uma realidade tão brutal, e como aprendem a lutar contra adversidades sem perder a sensibilidade.

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    Mariana Bortolotti21/11/2020Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Como recomeçar quando ainda está se segurando a um fio do passado? [IG: @epifaniasliterarias_]

    "Esperança para voar", da autora zimbabuense Rutendo Tavengerwei, foi como um respiro em meio a outras leituras intensas e mais pesadas. Apesar de abordar temas como a dor, a saudade, a perda e o medo, a autora trouxe a leveza que pedia essa história, o que me fez virar página atrás de página, sem perceber, me apegando cada vez mais às personagens. As jovens protagonistas, Shamiso e Tanyaradzwa, se conhecem na escola Oakwood, e cada uma delas tem sua própria história, seu passado, seu contexto social e seus anseios, mas apresentam um ponto em comum: encontram na perda, seja ela concreta ou iminente, um caminho para o florescimento de uma amizade e o amadurecimento pessoal. Embora essa trajetória seja permeada por adversidades, o surgimento desse laço entre as jovens as faz perceber que não só de medo se compõe o futuro, mas também de esperança, de novas perspectivas e possibilidades. Entretanto, esse vínculo é tecido de maneira cuidadosa, gradual e sincera. Isso porque ele tem início quando Shamiso retorna ao Zimbábue com sua família, após vários anos morando no exterior e ter vivenciado uma perda imensurável, que parece se estender a cada dia que passa longe de tudo aquilo que considerava um lar. Zimbábue deveria ser sua nova casa, mas como recomeçar quando ainda está se segurando a um fio do passado? Outro ponto de destaque é o contexto histórico do Zimbábue, que foi trabalhado de forma bastante natural pela autora. Extremamente atual, é mencionada a Hondo Yeminda, uma luta pela reforma agrária no país em 2004, a fim de recuperar as terras que estavam na posse de fazendeiros brancos, um dos cruéis efeitos do imperialismo europeu e da colonização. Todavia, nem mesmo movimentos como esse, que parecem visar o bem-estar da população, estão imunes à violência e à corrupção, mazelas que contaminam tudo aquilo que os países ditos desenvolvidos tocam. Alternando pontos de vista e períodos temporais, Rutendo nos fornece as informações no momento certo, mantendo o interesse do leitor até a virada da última página. Recomendo muito a leitura, principalmente se você busca uma leitura mais leve e uma esperança em meio ao caos que estamos vivenciando.

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