Fernando Canto é um dos principais pesquisadores e protagonista na cultura amapaense, com várias obras nos segmentos da música, poesia, contos, crônicas e estudos de conotação histórica e sociológica.
Essa obra enriquece a bibliografia sobre o Marabaixo, principal manifestação popular no Amapá, tema também de outras obras de Fernando Canto. Foi lançada em 2017 e o que caracteriza sua identidade é a apresentação sucinta do tema, valorizando a origem, aspectos históricos, peculiaridades e perspectiva almejada pelo autor na preservação cultural. Certamente, ferramenta preciosa na apresentação do Marabaixo e como fonte de pesquisas para a comunidade estudantil.
Entre os destaques, o resgate de jornal amapaense do século XIX sobre o festejo (texto ácido e preconceituoso no olhar de outros tempos), breve relato dos conflitos entre a cultura popular e a religião instituída, e investigação histórica da origem de algumas particularidades (o "ladrão de Marabaixo", a Festa do Divino Espírito Santo, o Encontro de Tambores na UNA e uso das caixas na característica percussão).
De tudo, gostei principalmente do relato da chegada do primeiro avião no Amapá (na ilustração de fatos instigantes aos "ladrões de Marabaixo") e a investigação da origem do nome do festejo. É clássico, desde o livro de Nunes Pereira na década de 1950, a associação com a vinda de povos afros, em sua travessia e andanças MAR ABAIXO, mas nunca tinha visto a associação do nome em outro sentido, relacionado à cultura malê, que Fernando Canto resgata do estudo do escritor Távora Buarque (leia o livro se quiser saber, pois esse spoiler não vou registrar).
É uma obra dinâmica na apresentação dos fatos, de leitura fácil e rápida. O único aspecto que não curti foi a ausência de ilustrações visuais, algo que agregaria olhar mais detalhado no importante festejo.