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    Os Dias do Cometa (Mestres do Horror e da Fantasia #17) - In the Days of the Comet

    H. G. Wells

    Francisco Alves, (RJ)
    1983
    251 páginas
    8h 22m
    Português Brasileiro
    3.4
    50 avaliações
    Leram77Lendo2Querem104Relendo0Abandonos3Resenhas3
    Favoritos2Desejados104Avaliaram50

    In the Days of the Comet (1906) '-' Vapores trazidos por um cometa provocam uma profunda transformação na consciência e atitudes humanas: "Por toda parte da terra, naquele dia, aos ouvidos de quem quer que respirasse, havia o mesmo zunido no ar, a mesma precipitação de vapores verdes, a crepitação, o jorro de estrelas cadentes. O hindu ficou nos campos, em seu trabalho matinal, para fitar, admirar e prostrar-se; o chinês de vestes azuis caiu frente à sua tigela de arroz do meio-dia; o mercador japonês, pasmado, livrou-se do tagarela no escritório e agora jaz diante da porta; os espectadores noturnos dos Golden Gates foram surpreendidos enquanto esperavam pelo nascer da grande estrela. Isso aconteceu em todas as cidades do mundo, em todos os vales remotos, em todos os lares e casas e abrigos, e em todos os espaços abertos. Em alto-mar, os passageiros comprimidos nos navios a vapor, ávidos de qualquer surpresa, olharam embasbacados e maravilhados, e de súbito foram tomados de terror, debateram-se nos passadiços e tombaram: o capitão vacilou na ponte e caiu, o foguista desabou abruptamente no meio das brasas, os motores vibraram bem alto, o pesqueiro arrastou-se sem apitar, com o leme solto, adernando e imergindo..." [Na Orelha do Livro]: Os Dias do Cometa pode induzir-nos a crer que o autor passou a duvidar da funcionalidade de um paraíso tecnocrático - pois o que vai solucionar os problemas da humanidade é um cometa: ao passar pela atmosfera da Terra, libera um gás misterioso, que altera o metabolismo de todos os seres que vivem na superfície. Todo o fenômeno dura apenas algumas horas, mergulhando racionais e irracionais num torpor do qual emergem transformados. É a cauda mágica do visitante celeste que opera a Grande Mudança. Uma solução demasiado simples, e indigna de H. G. Wells, se o livro se resumisse ao aparecimento desse óbvio deus ex machina. O romance é muito mais do que isso - na verdade é um dos mais radicais e violentos de H. G. Wells na denúncia dos problemas sociais de sua época. Virtualmente não deixa pedra sobre pedra em matéria de política, religião, sexo - e até de cultura, com a horripilante quima de livros e obras de arte que, segundo o narrador, entulham museus e bibliotecas de lixo. Só deve escapar o melhor, para que a humanidad realmente atinja o estágio da perfeição. Com o fim da violência e do egoísmo amoroso, os seres humanos podem levar uma existência realmente solidária. A ingênua oposição socialismo-ciência está hoje superada, mas continua o impasse entre os ricos e os pobres, os donos da terra e os sem terra, a teologia e a libertação, a paz e a corrida para a guerra. De tudo resulta um dos romances mais pessoais e amargos de H. G. Wells, sem embargo de seu final feliz. O cometa não veio e tudo mudou muito pouco.

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    Resenhas (3)Ver mais
    Rodrigo Pagani picture
    Rodrigo Pagani08/07/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    HG Wells bem diferente do que conhecia... Texto truncado, sombrio... Sobre diferenças de classes, injustiças, amor não correspondido, com um leve, bem leve mesmo, toque de fantasia, tipo um sopro mesmo...

    5 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.4 / 50
    • 5 estrelas14%
    • 4 estrelas22%
    • 3 estrelas56%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas2%
    Herbert  George Wells profile picture

    Herbert George Wells

    Herbert George Wells, conhecido como H. G. Wells, foi um escritor britânico. Nos seus primeiros romances, descritos, ao tempo, como "romances científicos", inventou uma série de temas que foram mais tarde aprofundados por outros escritores de ficção científica, e que entraram na cultura popular em trabalhos como A Máquina do Tempo, O Homem Invisível e A Guerra dos Mundos. Outros romances, de natureza não fantástica, foram bem recebidos, sendo exemplos a sátira à publicidade Edwardiana Tono-Bungay e Kipps. Visionário, chegou a discutir em obras do início do século XX questões ainda atuais, como a ameaça de guerra nuclear, o advento de Estado Mundial e a Ética na manipulação de animais. Desde muito cedo na sua carreira, Wells sentiu que devia haver uma maneira melhor de organizar a sociedade, e escreveu alguns romances utópicos. Ele analisa a dicotomia entre a natureza e a educação e questiona a humanidade em livros como A Ilha do Dr. Moreau. À medida que envelhecia, Wells foi-se tornando cada vez mais pessimista acerca do futuro da humanidade.

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    Herbert George Wells