Paraísos Selvagens é o novo título da autora Camila Dornas, que cedeu este e-book para uma resenha sincera; lançado recentemente na Amazon, a história fala sobre um período sombrio da História do nosso país através dos olhos de uma jovem corajosa e de sua história cheia de esperança.
Através da personagem Olivia, acompanhamos seus dias entre as incertezas e a repressão absurda em meio à Ditadura Militar; o medo guardado em cada esquina, espalhado pelas ruas através das autoridades. Olívia é um coração cheio de sonhos e de terrores tentando fazer o seu melhor por si mesma e pelas pessoas que ama, se arriscando pela pouca liberdade que as pessoas podiam ter em segredo.
O desenvolvimento da história e da personagem principal foram ótimos. Achei a escolha do período histórico muito corajosa da parte da Camila, e o fato de não haver romantização e nem sutilezas dentro da narrativa me deixou muito satisfeita. A Ditadura foi um terror e nada na narrativa ameniza isso; pelo contrário. Através de Olivia, vemos a opressão e o terrorismo instaurados pelos governantes, o silêncio instaurado nas ruas por causa do medo, e umas poucas vozes se erguendo contra a tirania daqueles que deveriam servir ao povo, mas que tomaram o poder e a liberdade da população.
"Às vezes tudo o que nos resta fazer é seguir em frente."
O que a Olívia vive é o medo em suas mais diversas nuances. Não dá pra não ficar aterrorizada acompanhado as memórias da protagonista, as cenas desoladoras que ela presenciou e viveu. Mesmo as mais sutis, como as escoltas e os vigias e o fato de haver soldados nas salas de aula mapeando o que é dito, tudo isso é assustador.
Em equilíbrio com esse medo, no entanto, temos as centelhas de esperança nas pessoas que ela ama, nos pequenos atos de liberdade que ela ousa fazer. É uma história muito interessante e bem escrita e dá gosto de acompanhar uma protagonista tão cheia de vida lutando pelo seu espaço e pela sua voz.
Olivia é resiliente e determinada e bastante cabeça-dura. Vamos descobrindo pouco a pouco sobre um incidente trágico do seu passado, algo que arrancou dela um pedaço de seu coração, que trouxe muita sombra e melancolia para a garota animada que era antes. Olivia convive com esses fantasmas do passado dentro do cenário aterrorizante que é o Brasil sob comando dos militares.
Em contrapartida, como eu mencionei, a narrativa nos dá essas visões de alegria que equilibra com a ambientação tensa. Daniel, o melhor amigo de Olivia, é um dos corações pelos quais ela lutaria até o fim para ver bem. O garoto doce e gentil não poderia ter sido melhor companheiro para seus momentos mais difíceis.
O romance me surpreendeu um pouco, através do misterioso, arrogante e adoravelmente rebelde Lucas. Eu gostei de como a Camila trabalhou a intensidade dos personagens conforme se aproximavam e se entendiam. Foi diferente do que achei que seria, mas deu aquele calorzinho gostoso no peito de quando a gente acompanha um ship adorável.
"Não sei por quanto tempo eu o beijei, e não importava, porque enquanto aquela música tocasse, nós éramos infinitos."
Os conflitos emocionais envolvem principalmente o passado e as consequências que os acontecimentos dele tiveram no seu presente; problemas de relacionamento, tanto familiar quanto amoroso, são os gatilhos para os terrores da garota, e é a trama dela se encontrando e se fortalecendo que rende boa parte da história.
Os coadjuvantes são importantes para a trama; não só um apoio para a protagonista, mas com histórias individuais que se desenvolvem com o desenrolar do livro. Particularmente, Nina e seus conflitos internos foram o que eu mais gostei de acompanhar. Adorei o que a autora guardou para essa personagem e como foi apresentado na história; uma discussão importante, independente do período em que fosse ambientada.
No mais, Paraísos Selvagens é um romance cheio de emoção e de reviravoltas intensas, com personagens interessantes e uma trama rica e surpreendente. É a pedida perfeita para quem gosta de ler sobre uma protagonista corajosa em um período sombrio, lutando por liberdade e por esperança.