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    Ovelhas negras - Contos

    Caio Fernando Abreu

    L&PM
    2002
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-10: 8525411868
    Português Brasileiro
    4
    908 avaliações
    Leram1936Lendo91Querem1014Relendo4Abandonos48Resenhas39
    Favoritos114Desejados1014Avaliaram908

    "Nunca pertenci àquele tipo histérico de escritor que rasga e joga fora. Ao contrário, guardo sempre as várias versões de um texto, da frase em guardanapo de bar à impressão no computador. Será falta de rigor? Pouco me importa. Graças a essa obsessão foi que nasceu <i>Ovelhas negras</i>, livro que se fez por si durante 33 anos. De 1962 até 1995, dos 14 aos 46 anos, da fronteira com a Argentina à Europa. (...) Uma espécie de autobiografia ficcional, uma seleta de textos que acabaram ficando fora de livros individuais. Alguns, proibidos pela censura militarista; outros, por mim mesmo, que os condenei por obscenos, cruéis, jovens, herméticos etc. Eram e são textos marginais, bastardos, deserdados. Ervas daninhas, talvez, que foi aliás um dos títulos que imaginei. Cada conto tem seu <i>o conto do conto</i>, frequentemente mais maluco que o próprio, e essas histórias também entram em forma de miniprefácios. (...). Remexendo, e com alergia a pó, as dezenas de pastas em frangalhos, nunca tive tão clara certeza de que criar é literalmente arrancar com esforço bruto algo informe do <i>Kaos</i>. Confesso que ambos me seduzem, o Kaos e o <i>in</i> ou <i>dis</i>-forme. Afinal, como Rita Lee, sempre dediquei um carinho todo especial pelas mais negras das ovelhas." <i>Trecho da introdução de Caio Fernando Abreu que abre este livro.</i>

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    Alisson Ferreira04/07/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Caio sempre me toca, mesmo quando eu não entendo

    O livro é uma coletânea de contos escritos entre 1962 e 1995. Contos que, segundo o próprio Caio Fernando Abreu, foram dispensados por algum motivo. Ou por serem fracos, ou por serem pessoais demais ou complexos demais. Dá para perceber uma certa variação na qualidade da narrativa dos contos. Alguns são muito bons, outros são completamente indecifráveis e outros são rápidos e não trazem muita coisa a tona. Mas todos contam com um breve comentário no início, o que proporciona uma experiência a mais na leitura. O conto "Depois de agosto", de 1995, foi o que mais me tocou, pois conta a história de um jovem HIV+, que luta contra os dilemas de viver com um vírus sobre o qual ainda não se sabe muita coisa. Esse rapaz conhece outro rapaz, amigo de um amigo, e vive uma paixão por ele, mas se depara com a ambiguidade dos sentimentos, variando entre o amor, a culpa, a raiva pelo outro, que mesmo sabendo de sua condição, abriu espaço para que esse sentimento nascesse e crescesse. Esse é o segundo livro do Caio Fernando Abreu que eu leio. O primeiro foi Mel & Girassóis. Devo admitir que M&G é mais fácil de ler, de compreender e de sentir o que está sendo dito. Mas Ovelhas Negras também é muito bom.

    19 curtidas

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    • 2 estrelas6%
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    Caio Fernando Loureiro de Abreu  profile picture

    Caio Fernando Loureiro de Abreu

    Caio Fernando Loureiro de Abreu nasceu no dia 12 de setembro de 1948, em Santiago, no Rio Grande do Sul. Jovem ainda mudou-se para Porto Alegre onde publicou seus primeiros contos. Cursou Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, depois Artes Dramáticas, mas abandonou ambos para dedicar-se ao trabalho jornalístico no Centro e Sul do país, em revistas como Pop, Nova, Veja e Manchete, foi editor de Leia Livros e colaborou nos jornais Correio do Povo, Zero Hora, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. <br /><br />No ano de 1968 — em plena ditadura militar — foi perseguido pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), tendo se refugiado no sítio da escritora e amiga Hilda Hilst, na periferia de Campinas, São Paulo. <br /><br />Considerado um dos principais contistas do Brasil, sua ficção se desenvolveu acima dos convencionalismos de qualquer ordem, evidenciando uma temática própria, juntamente com uma linguagem fora dos padrões normais. <br /><br />Em 1973, querendo deixar tudo para trás, viajou para a Europa. Primeiro andou pela Espanha, transferiu-se para Estocolmo, depois Amsterdã, Londres — onde escreveu Ovelhas Negras — e Paris. Retornou a Porto Alegre em fins de 1974, sem parecer caber mais na rotina do Brasil dos militares: tinha os cabelos pintados de vermelho, usava brincos imensos nas duas orelhas e se vestia com batas de veludo cobertas de pequenos espelhos. Assim andava calmamente pela Rua da Praia, centro nervoso da capital gaúcha. <br /><br />Em 1983 transferiu-se para o Rio de Janeiro e em 1985 passou a residir novamente em São Paulo. Volta à França em 1994, a convite da Casa dos Escritores Estrangeiros. Lá escreveu Bien Loin de Marienbad. <br /><br />Ao saber-se portador do vírus da AIDS, em setembro de 1994, Caio Fernando Abreu retorna a Porto Alegre, onde volta a viver com seus pais. Põe-se a cuidar de roseiras, encontrando um sentido mais delicado para a vida. Foi internado no Hospital Menino Deus, onde posteriormente veio à falecer.

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    Rio Grande do Sul, Brasil

    Caio Fernando Loureiro de Abreu