O segundo volume da trilogia se inicia exatamente onde o primeiro é finalizado.
Após perdas profundas, extinguiu-se o brilho que Victor enxergava em tudo o que mais amava fazer. Por algum tempo, ele vive sobrevivendo, reagindo pouco ao que acontece ao seu redor. Em razão dos recentes acontecimentos, ele decide voltar da Inglaterra, onde leciona sobre a Idade Média, para o Rio de Janeiro, sua terra Natal. Debruçando-se no trabalho a fim de se anestesiar de tudo mais, Victor vive o ápice da prosperidade de sua carreira profissional. Não busca novas experiências ou desafios além daqueles relacionados à cátedra. Talvez por isso tenha sentido tão profundamente o baque de conhecer Maria Eduarda nos caixas eletrônicos do prédio da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Duda, ou a Menina Má, é uma dos jovens graduandos que tomarão lições com Victor. Contudo, a diferença de idade e a restrita relação professor-aluno não são suficientes para impedir o romance da vida de Victor. Com Duda, Victor volta a enxergar o viço das coisas, e reencontra a vontade de viver. O amor avassalador, profundo e infinito que ele descreve e demonstra ao longo de todo o livro muda sua vida de maneira irreversível. Tal sentimento mostra-se, ao longo da leitura, dificílimo de compreender, tanto aos amigos e familiares de Victor, quanto ao próprio leitor. É impossível imaginar um sentimento capaz de tamanhas transformações na vida de uma pessoa.
Quando fala-se de amor e o poder que ele tem de mudar a vida de alguém, logo é imaginado um cenário romântico idealizado. Neste segundo volume, Otávio Bravo vai além da idealização, apresentando um romance cru, visceral e até mesmo absurdo. Em muitos momentos, a leitura me teve com respiração presa, sobrancelhas erguidas e um profundo sentimento de incompreensão e, eu diria, até inconformismo.
Victor dá tudo de si a Duda e as consequências de tamanha entrega são apresentadas já no fim deste segundo volume, que irá se estender ao terceiro. De minha experiência de leitura, eu diria que somente um autor que realmente capta o leitor e o coloca dentro da história, calçando os sapatos do personagem, poderia arrebatá-lo com tamanha intensidade. Eu de fato me senti em uma montanha-russa, ficando feliz pelo personagem, depois triste e feliz e triste.
O leitor que se propõe a navegar pelos mares escritos por Otávio no segundo livro de sua obra, deverá preparar-se para uma tormenta. Entretanto, nada se compara à experiência de, mesmo em meio a tantos e confusos sentimentos, fechar o livro desejando ardentemente começar o próximo.