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    Cadernos Negros - Os Melhores Contos

    Oswaldo de Camargo

    Quilombhoje
    2008
    189 páginas
    6h 18m
    ISBN-13: 9788587138217
    Português Brasileiro
    4.3
    2 avaliações
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    Os contos traduzem o negro urbano no seu dia a dia. É uma literatura extremamente moderna, que já atravessou fronteiras e foi à Alemanha e aos Estados Unidos, dentre outros países. A resistência de Cadernos Negros é essencial para a nossa auto-estima, essencial para nossa dignidade, essencial para a nossa sobrevivência.

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    Lais Porto (@umaleitoranegra)07/06/2018Resenhou um livro
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    Cadernos Negros Os Melhores Contos

    Como esse é o quarto livro de CN que leio e ele faz uma seleção dos contos já publicados, alguns contos deste livro já tinha lido em volumes anteriores, o mesmo aconteceu com o conto de Conceição Evaristo que já tinha lido em Olhos D’água. Mais uma vez fiquei ansiosa pelo conto de Cuti e achei maravilhoso o conto. Muitos contos tinham em sua história a morte, seja ela em assassinato ou suicídio. Cada conto me surpreendia em como a morte a aparecia e fazia a sua lida. Todas as mortes me chocaram bastantes, principalmente os feminicídios. O primeiro conto, A casa de Fayola, já me deu um baque muito grande, fiquei com tanto ódio de Alexandre e até mesmo do escritor Abílio Ferreira por ter me feito sentir ódio logo no primeiro conto. O que me surpreendeu nesse conto que além de ter sido escrito por um homem o personagem principal é Alexandre, o narrador não é Alexandre, mas este segue Alexandre durante a história, e mesmo assim o conto não fica em cima do muro ou justifica o assassinato, ele deixa bem nítido o feminicídio e a completa culpa de Alexandre. O Dossiê Violência Contra as Mulheres trás os dados de que em 2015 O Brasil ocupava a quinta posição em um ranking de 83 nações. Eu nem quero imaginar qual posição agora em 2018 o Brasil deve estar ocupando. Vou deixar o link nas referências para vocês lerem melhor sobre o que é feminicídio e como está a situação no nosso país. O extermínio da população negra e a saúde mental da população negra é tema de muitos debates e discursões, isso é muito bom para poder compartilhar ideias e conhecimentos além de formular estratégias para o povo preto se proteger e continuar lutando. Eu como uma trabalhadora da saúde sempre tento pautar o tema da saúde mental da população negra, e lembro da Lei Orgânica da Saúde 8080 que diz em um dos seus artigos quais são os condicionantes para a saúde: a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais. Agora me responda, para uma população que lhe foi cerceado tudo isso é possível ter uma boa saúde mental? Ou quem dirás alguma saúde mental? Chegando à conclusão de que nossa saúde mental foi destruída precisamos procurar meios e estratégias para cuidar de nós mesmos. Dentro da saúde temos a PNSIPN – Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, que tem como objetivo falar sobre racismo, racismo institucional, além de propor meios de superação e de acolhimento a população negra nos serviços de saúde. Fiz um curso EAD sobre saúde da população negra pelo Ministério da Saúde que tinha como base teórica esta política, percebi que a política tem uma linguagem acessível, o curso todo foi bem didático e para as profissionais de saúde se faz necessário conhecer tal instrumento que pode ser usado por nós mesmos na prática profissional. “O texto da PNSIPN indica os inúmeros condicionantes sociais dos agravos à saúde da população negra, trazendo os números que nos fazem ver e sentir como estamos mais propensos aos riscos de mortes e doenças. As iniquidades que sofremos, reveladas no relatório da PNSIPN, são decorrentes desse estado contínuo de exposição ao projeto de extermínio, ao deixar morrer da biopolítica a que estamos submetidos, marcam insidiosamente nossa saúde física e mental e modulam nossas experiências de “nascer, viver, adoecer e morrer” Sendo assim, me digam, quando um negro comete suicídio foi ele mesmo que apertou o gatilho? Quando uma criança negra se envenena foi ele mesmo que se matou? Quando um negro tenta parar a dor matando alguém foi ele mesmo que matou? A lógica do extermínio é muito perversa, funciona por meio das chacinas, genocídios e outros, mas também temos os próprios negros se matando, não por vontade própria, mas por indução e consequentemente tornando-se mais um número pra estática do extermínio da população negra. Terminei o livro e todas essas inquietações permaneceram em mim, realmente este CN tem os melhores contos, não desmerecendo os outros contos. Desejo muitos anos de vida a esta produção para poder produzir muitas mais inquietações em cada leitora e leitor. Para produzir mais escrita negra e acolhimento, porque um livro com várias escritoras e escritores negros é sim uma revolução. Vida longa aos Cadernos Negros!

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    Oswaldo de Camargo

    Poeta, ficcionista, crítico, historiador da literatura e um dos mais destacados escritores negros das últimas décadas, Oswaldo de Camargo nasceu em Bragança Paulista-SP, em 24 de outubro de 1936, filho de Martinha da Conceição Camargo e Cantiliano de Camargo, ambos trabalhadores da lavoura de café. Até os seis anos, viveu no campo, daí saindo com a morte da mãe. Demonstrou desde cedo interesse pela música e pelo estudo, fato que, aliado à inclinação religiosa, levou-o ao Seminário Menor Nossa Senhora da Paz, em São José do Rio Preto, onde obteve formação humanística. Já na infância, o futuro homem de letras vivencia a discriminação por sua origem de classe e de cor. No seminário, conhece a poesia dos parnasianos, e também a de Carlos Drummond de Andrade, seu preferido. Mesmo sem prosseguir nos estudos de Teologia, dedica-se à produção letrada e, aos 16 anos, compõe o livro de poemas Vozes da Montanha, até hoje inédito. Em seguida, transfere-se para a capital, a fim de dar continuidade à sua formação, bem como ingressar no mercado de trabalho. Frequenta os círculos católicos, atua como organista da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e colabora no suplemento literário do Correio Paulistano, dirigido por Péricles Eugênio da Silva Ramos. Em 1959, passa a atuar como revisor de O Estado de São Paulo. Estreia na literatura neste mesmo ano, com os poemas de Um homem tenta ser anjo, de nítida inspiração católica, que obteve boa repercussão na crítica. De: http://www.letras.ufmg.br/literafro/autores/360-oswaldo-de-camargo

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    São Paulo, Brasil

    Oswaldo de Camargo