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    Cartas de um Estoico - Um Guia para a Vida Feliz

    Sêneca

    Montecristo
    2017
    273 páginas
    9h 6m
    ISBN-13: 9781619651197
    Português Brasileiro
    4.4
    252 avaliações
    Leram385Lendo211Querem903Relendo1Abandonos20Resenhas41
    Favoritos24Desejados903Avaliaram252

    Sêneca foi simultaneamente dramaturgo de sucesso, uma das pessoas mais ricas de Roma, estadista famoso e conselheiro do imperador. Sêneca teve que negociar, persuadir e planejar seu caminho pela vida. Ao invés de filosofar da segurança da cátedra de uma universidade, ele teve que lidar constantemente com pessoas não cooperativas e poderosas e enfrentar o desastre, o exílio, a saúde frágil e a condenação à morte tanto por Calígula como por Nero. Sêneca correu riscos e teve grandes feitos. Sua principal filosofia, o estoicismo, pode ser encarada como um sistema para prosperar em ambientes de alto estresse. Em seu núcleo, ensina como separar o que você pode controlar do que não pode e nos treina para se concentrar exclusivamente no primeiro. O estoicismo foi projetado para os realizadores. Thomas Jefferson tinha Sêneca na mesa de cabeceira. Michel de Montaigne tinha uma citação de Epicteto esculpida no teto de sua casa para que ele a visse constantemente. Todos os anos, Bill Clinton lê Meditações de Marco Aurélio, que foi ao mesmo tempo um estoico, imperador e o homem mais poderoso do mundo. Mas longe de se limitar em superar o negativo, o estoicismo também pode ser usado para maximizar o positivo. As cartas de Sêneca podem ser interpretadas como um guia prático para frugalidade e como contentar-se com o suficiente. A prática do estoicismo torna você menos emocionalmente reativo, mais consciente do presente e mais resiliente. À medida que você navega na vida, esse tipo de treinamento de força mental também facilita as decisões difíceis, seja desistir de um emprego, fundar uma empresa, convidar alguém para sair, terminar um relacionamento ou qualquer outra coisa. A filosofia de Sêneca aborda a busca da felicidade, a preparação para a morte, as desilusões, a amizade e levanta uma das principais questões humanas: como conjugar qualidade de vida e tempo escasso. Leitores do século XXI serão surpreendidos por lições como: "A duração de minha vida não depende de mim. O que depende é que não percorra de forma pouco nobre as fases dessa vida; devo governá-la, e não por ela ser levado"; "Pobre não é o homem que tem pouco, mas o homem que anseia por mais. Qual é o limite adequado para a riqueza? É, primeiro, ter o que é necessário, e, segundo, ter o que é suficiente " Ou ainda: "Não deixemos nada para mais tarde. Acertemos nossas contas com a vida dia após dia". Obra completa com as 124 cartas dividida em 3 volumes: Volume I: Cartas 1 a 65 Volume II: Cartas 66 a 92 Volume III: Cartas 93 a 124 Todas as cartas iniciam com a “Seneca Lvcilio svo salvtem”, Saudações de Sêneca a Lucílio e terminam com “Vale” que muito frequentemente é traduzido como “Adeus”. Talvez fosse melhor traduzido de outras maneiras, e minha forma favorita é: Mantenha-se forte.

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    Alane Sthefany picture
    Alane Sthefany26/10/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Cartas de Um Estoico - Sêneca (Vol. I)

    Introdução – Nota do tradutor Sua principal filosofia, o estoicismo, foi fundada em torno de 300 a.C. em Atenas Meditações de Marco Aurélio, que foi ao mesmo tempo um estoico, imperador e o homem mais poderoso do mundo. A filosofia de Sêneca aborda a busca da felicidade, a preparação para a morte, as desilusões, a amizade... "A duração de minha vida não depende de mim. O que depende é que não percorra de forma pouco nobre as fases dessa vida; devo governá-la, e não por ela ser levado" "Pobre não é o homem que tem pouco, mas o homem que anseia por mais” “Qual é o limite adequado para a riqueza? É, primeiro, ter o que é necessário, e, segundo, ter o que é suficiente". "Não deixemos nada para mais tarde. Acertemos nossas contas com a vida dia após dia". Se você não quer que um homem recue quando a crise chegar, treine-o antes que ela chegue. (...) compreenderá que a paz de espírito de um homem não depende da fortuna; pois, mesmo quando irritada ela concede o suficiente para as nossas necessidades. ...desista de acreditar que possa desnatar, por meio de resumos, a sabedoria de homens ilustres. Olhe para a sabedoria como um todo; estude-a como um todo. Ela elabora um plano coesamente tecido, linha a linha, uma obra-prima, da qual nada pode ser tirado sem ferir o todo. Aquela não é uma bela mulher cujo tornozelo ou braço é elogiado, mas cuja aparência geral faz você esquecer de admirar atributos únicos. (Em Outra Tradução) Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas. – Sêneca Livro ✍🏻📚❤️ I. Sobre aproveitar o tempo liberte-se por conta própria; poupe e salve o seu tempo, que até recentemente tem sido retirado a força de você, ou furtado, ou simplesmente escapado de suas mãos. (...) certos momentos são arrancados de nós, que alguns são removidos suavemente, e que outros fogem além de nosso alcance. O tipo mais desgraçado de perda, no entanto, é aquela, devida ao descuido. Ademais, se você prestar atenção ao problema, você verá que a maior parte de nossa vida passa enquanto estamos fazendo coisas desagradáveis, uma boa parte enquanto não estamos fazendo nada, e tudo isso enquanto estamos fazendo o que não se deveria fazer. Qual homem você pode me mostrar que coloque algum valor em seu tempo, que dá o devido valor a cada dia, que entende que está morrendo diariamente? Pois estamos equivocados quando pensamos que a morte é coisa do futuro; a maior parte da morte já passou. Quaisquer anos atrás de nós já estão nas mãos da morte. Enquanto estamos postergando, a vida corre. Nada, Lucílio, é nosso, exceto o tempo. Que tolos esses mortais são! Eles permitem que as coisas mais baratas e inúteis, que podem ser facilmente substituídas, sejam contabilizadas depois de terem sido adquiridas; mas nunca se consideram em dívida quando recebem parte dessa preciosa mercadoria, o tempo! E, no entanto, o tempo é o único empréstimo que nem o mais agradecido destinatário pode pagar. II. Sobre a falta de foco na Leitura Você não corre para cá e para lá e se distrai mudando sua morada; Pois tal inquietação é o sinal de um espírito desordenado. A principal indicação, na minha opinião, de uma mente bem ordenada é a habilidade de um homem em permanecer em um lugar e ficar em sua própria companhia. Estar em todo lugar significa também estar em lugar nenhum. Você deve sempre ler autores de qualidade; e quando você anseia uma mudança, retroceda àqueles que você leu antes. Não é o homem que tem pouco, mas o homem que anseia mais, é quem é pobre. O que importa o que um homem tenha guardado em seu cofre, ou em seu armazém, quão grandes são os seus rebanhos e quão gordos são os seus dividendos, se ele cobiça a propriedade do seu vizinho, e não conta os seus ganhos passados, mas as suas esperanças de ganhos vindouros? Você pergunta qual é o limite adequado para a riqueza? É, primeiro, ter o que é necessário, e, segundo, ter o que é suficiente. III. Sobre a verdadeira e falsa amizade Pessoas, de fato, colocam as últimas em primeiro lugar e confundem seus deveres, que, violando as regras de Teofrasto, julgam um homem depois de terem feito dele seu amigo, em vez de torná-lo seu amigo depois que o julgarem. É igualmente falho confiar em todos e não confiar em ninguém. No entanto, a primeira falha é, eu diria, a mais ingênua, a segunda a mais segura. IV. Sobre os Terrores da Morte Você se lembra, é claro, que alegria você sentiu quando deixou de lado as vestes de infância e vestiu a toga de homem, e foi escoltado ao fórum; no entanto, você pode ansiar a uma alegria maior quando você deixar de lado a mente da infância e quando a sabedoria lhe tiver inscrito entre os homens. Porque não é a infância que ainda permanece com nós, mas algo pior, – a infantilidade, e esta condição é tanto mais séria quanto possuímos a autoridade da velhice em conjunto com a insensatez da infância, sim, até mesmo as tolices da infância. A maioria dos homens mingua e flui em miséria entre o medo da morte e as dificuldades da vida; eles não estão dispostos a viver, e ainda não sabem como morrer. Não confie na aparência de calma; em um momento o mar se agita até suas profundezas. No mesmo dia em que os navios fizeram uma exibição valente nos jogos, eles foram engolidos. Por que você voluntariamente se engana e exige que lhe digam agora pela primeira vez qual é o destino que há muito tempo o aguarda? Acredite em mim: desde que você nasceu você está sendo conduzido para lá. Devemos refletir sobre esse pensamento, e pensamentos similares, se desejamos ter calma enquanto aguardamos esta última hora, o medo dela faz todas as horas anteriores desconfortáveis. Você sabe quais os limites que a lei da natureza ordena para nós? Apenas evitar a fome, a sede e o frio. A fim de banir a fome e a sede, não é necessário para você cortejar às portas dos ricos, ou submeter-se ao olhar severo, ou à bondade que humilha; nem é necessário para você percorrer os mares, ou ir à guerra; as necessidades da natureza são facilmente fornecidas e estão sempre à mão. São as coisas supérfluas pelas quais os homens labutam, as coisas supérfluas que desgastam nossas togas a farrapos, que nos obrigam a envelhecer no acampamento, que nos levam às costas estrangeiras. O que é suficiente está pronto e ao alcance das nossas mãos. V. Sobre a virtude do Filósofo Eu o elogio e me encho de contentamento pelo fato de você ser persistente em seus estudos, e que, colocando tudo de lado, você a cada dia se esforça para se tornar um homem melhor. Advirto-o, no entanto, para não agir de acordo com a moda daqueles que desejam ser notáveis em vez de melhorar ... "Bem, então, agiremos como os outros homens? Não haverá distinção entre nós e o mundo?" Sim, muito grande; que os homens descubram que somos diferentes do rebanho comum, se olharem de perto. Se eles nos visitam em casa, eles devem nos admirar, ao invés de nossas mobílias. É um grande homem quem usa pratos de barro como se fossem de prata; mas é igualmente grande quem usa prataria como se de barro fosse. Cada conceito pertence a uma mente que está incerta, uma mente que está preocupada aguardando com ansiedade o futuro. Mas a causa principal de ambos os males é que não nos adaptamos ao presente, mas enviamos nossos pensamentos a um futuro distante. VI. Sobre Compartilhar Conhecimento Estou feliz em aprender para que eu possa ensinar. E se a sabedoria me for dada, sob a condição expressa de que ela deva ser mantida escondida e não pronunciada, eu deveria recusá-la. Nenhuma coisa boa é agradável de possuir, sem amigos para compartilhá-la. "Que progresso, você pergunta, eu fiz? Eu comecei a ser um amigo de mim mesmo." - Escrito de Hecato VII. Sobre multidões Eu nunca trago de volta para casa o mesmo caráter que eu levei para fora comigo. Ligar-se à multidão é prejudicial; não há ninguém que não torne algum vício cativante para nós, nem o escancare sobre nós, nem nos manche inconscientemente com ele. Certamente, quanto maior a multidão com que nos misturamos, maior o perigo. (...) volto para casa mais ganancioso, mais ambicioso, mais voluptuoso e ainda mais cruel e desumano, porque eu estive entre os seres humanos. Qual então você acha que será o efeito sobre o caráter, quando o mundo em geral o assalta! Você deve imitar ou abominar o mundo. Mas ambos os cursos devem ser evitados; você não deve copiar o mau simplesmente porque eles são muitos, nem você deve odiar os muitos, porque eles são diferentes de você. Concentre-se em si mesmo, tanto quanto puder. Associe-se com aqueles que irão lhe fazer um homem melhor. Dê boas-vindas àqueles que podem fazer você melhorar. O processo é mútuo; pois os homens aprendem enquanto ensinam. VIII. Sobre o isolamento do filósofo Nunca passo um dia em ociosidade; aproveito até uma parte da noite para estudar. Não me dou tempo para dormir, mas me rendo ao sono quando preciso, e quando meus olhos estão cansados e prontos para caírem fechado, eu os mantenho em sua tarefa. IX. Sobre Filosofia e Amizade O sábio não deseja nada, mas precisa de muitas coisas. "Por outro lado", diz ele, "nada é necessário para o tolo, pois ele não entende como usar nenhuma coisa, mas ele deseja tudo." "Se, o homem rico, senhor de muitos, mas escravo de ganância por mais, chamar-se de feliz, sua própria opinião o tornará feliz?" Somente o sábio está satisfeito com o que tem. X. Sobre viver para si mesmo A mente mostra o que o medo ou a vergonha costumavam reprimir É um verdadeiro provérbio que eu encontrei em Atenodoro: "Saiba que está livre de todos os desejos quando alcançar o ponto em que não pede nada a Deus senão o que você possa pedir publicamente". Mas como homens são tolos agora! Eles sussurram as mais vis orações ao céu; mas se alguém os ouve, eles calam-se imediatamente. O que eles não querem que os homens saibam, pedem a Deus. Não acredito, então, que algum conselho tão sério como este poderia ser dado a você: "Viva entre os homens como se Deus os observasse, fale com Deus como se os homens estivessem ouvindo". XI. Sobre o rubor da modéstia "Estime um homem de grande caráter, e mantenha-o sempre diante de seus olhos, vivendo como se ele estivesse observando você, e arranjando todas as suas ações como se ele as tivesse visto". Podemos nos livrar da maioria dos pecados, se tivermos uma testemunha que esteja perto de nós quando estivermos propensos a fazer algo errado. Feliz é o homem que pode fazer os outros melhores, não apenas quando ele está em sua companhia, mas mesmo quando ele está em seus pensamentos! E feliz também é aquele que pode assim reverenciar um homem como para acalmar-se e orientar-se, chamando-lhe à mente! Aquele que pode reverenciar a outro, logo se tornará digno de reverência. Escolha um mestre cuja vida, discurso e expressão o tenha satisfeito; imagine-o sempre para si mesmo como seu protetor ou seu exemplo. Pois precisamos ter alguém segundo o qual podemos ajustar nossas características; você nunca pode endireitar o que é torto a menos que você use uma régua. XII. Sobre a Velhice Apreciemos e amemos a velhice; pois é cheia de prazer se alguém sabe como usá-la. "Mas," você diz, "é um incômodo estar olhando a morte no rosto!" A Morte, no entanto, deve ser olhada no rosto por jovens e velhos. Nós não somos convocados de acordo com nossa classificação alfabética na lista do censor. XIII. Sobre Medos infundados Existem mais coisas, Lucílio, susceptíveis de nos assustar do que existem de nos derrotar; sofremos mais na imaginação do que na realidade. O que eu aconselho você a fazer é, não ser infeliz antes que a crise chegue; já que pode ser que os perigos que o empalidecem como se estivessem o ameaçando agora, nunca cheguem sobre você; eles certamente ainda não chegaram. Assim, algumas coisas nos atormentam mais do que deveriam; algumas nos atormentam antes do que deveriam; e algumas nos atormentam quando não deveriam nos atormentar. Temos o hábito de exagerar, imaginar, antecipar, a tristeza. "Como vou saber se meus sofrimentos são reais ou imaginários?" Aqui está a regra para tais assuntos: somos atormentados por coisas presentes, ou por coisas vindouras, ou por ambos. Quanto às coisas presentes, a decisão é fácil. Suponha que sua pessoa goze de liberdade e saúde, e que você não sofra de nenhuma lesão externa. Quanto ao que lhe acontecerá no futuro, veremos mais adiante. Hoje não há nada de errado. É provável que alguns problemas nos acontecerão; mas não é um fato presente. Quantas vezes o inesperado aconteceu! Quantas vezes o esperado nunca chegou a passar! E mesmo que seja destinado a ser, o que é que vale correr para encontrar seu sofrimento? Você sofrerá em breve, quando chegar a hora; então, enquanto isso, olhe para a frente, para coisas melhores. Despreze o medo com um espírito resoluto mesmo quando ele está à vista. E se o medo ganha a maioria dos votos, incline-se na outra direção de qualquer maneira, e deixe de incomodar sua alma, refletindo continuamente que a maioria dos mortais, mesmo quando não têm problemas realmente à mão, certamente os têm esperados no futuro, e tornam-se excitados e inquietos. XIV. Sobre as razões para se retirar do mundo O homem sábio considera a razão de todas as suas ações, mas não os resultados. "Aquele que menos precisa de riquezas, desfruta mais das riquezas". Aquele que anseia riquezas sente medo por conta delas. Nenhum homem, no entanto, goza de uma bênção que traz ansiedade; ele está sempre tentando adicionar um pouco mais. Enquanto ele se intrica em aumentar sua riqueza, ele se esquece de usá-la. Ele recolhe suas contas, desgasta o pavimento do fórum, ele revira seu livro-razão, em suma, ele deixa de ser mestre e torna-se um mordomo. XV. Sobre força bruta e cérebros "A vida do tolo está vazia de gratidão e cheia de medos, seu curso está totalmente voltado para o futuro". XVI. Sobre Filosofia, o Guia da Vida Não só é impossível mudar as coisas que são determinados, mas também é impossível planejar de antemão contra o que é indeterminado, ou Deus já antecipou meus planos, e decidiu o que devo fazer, ou então a fortuna não dá liberdade aos meus planos. Se o destino nos amarra por uma lei inexorável, ou se Deus, como árbitro do universo, providenciou tudo, ou se a fortuna dirige e lança os assuntos humanos sem método, a filosofia deve ser nossa defesa. Ela nos encorajará a obedecer a Deus alegremente, e a fortuna desafiadoramente; ela nos ensinará a seguir a Deus e a suportar a fortuna. Os desejos naturais são limitados; mas aqueles que brotam da falsa opinião não tem ponto de parada. O falso não tem limites. Quando você está viajando em uma estrada, deve haver um fim; mas quando perdido, suas andanças são ilimitadas. Recorra seus passos, portanto, de coisas inúteis, e quando você quiser saber se o que procura é baseado em um desejo natural ou em um desejo enganoso, considere se ele pode parar em algum ponto definido. Se você perceber, depois de ter viajado muito, que há um objetivo mais distante sempre em vista, você pode ter certeza que esta situação é contrária à natureza. XVII. Sobre Filosofia e Riquezas Se alguma coisa o proíbe de viver nobremente, nada o proíbe de morrer nobremente. "A aquisição de riquezas tem sido para muitos homens, não um fim, mas uma mudança, de problemas". 12. Não me admiro. Pois a culpa não está na riqueza, mas na própria mente. Aquilo que fez da pobreza um fardo para nós, tornou as riquezas também um fardo. Assim como pouco importa se você coloca um homem doente em uma cama de madeira ou sobre uma cama de ouro, pois onde quer que ele seja movido ele vai levar sua doença com ele, por isso não é preciso se importar se a mente doente é outorgada às riquezas ou à pobreza. O padecimento vai com o homem. XVIII. Sobre Festivais e Jejum Se você não quer que um homem recue quando a crise chegar, treine-o antes que ela chegue. Compreenderá que a paz de espírito de um homem não depende da fortuna; pois, mesmo quando irritada ela concede o suficiente para as nossas necessidades. Esta emoção resplandece contra todas as espécies de pessoas; brota tanto do amor quanto do ódio, e se mostra não menos em assuntos sérios do que em brincadeira e esporte. E não faz diferença a importância da provocação, mas em que tipo de alma ela penetra. Da mesma forma com o fogo; não importa quão grande é a chama, mas sobre o que ela cai. Pois madeiras sólidas têm repelido um fogo muito grande; por outro lado, matéria seca e facilmente inflamável nutre a menor chama em um incêndio. Assim é com raiva, meu caro Lucílio; o resultado de uma raiva poderosa é a loucura, e, portanto, a raiva deve ser evitada, não apenas para que possamos escapar do excesso, mas para que possamos ter uma mente saudável. XIX. Sobre Materialismo e Retiro "Você deve refletir cuidadosamente com quem você deve comer e beber, ao invés do que você deve comer e beber, pois um jantar de carnes sem a companhia de um amigo é como a vida de um leão ou um lobo." XX. Sobre praticar o que se prega A filosofia nos ensina a agir, não a falar; exige de cada homem que viva de acordo com o seu próprio padrão, que a sua vida não esteja em desacordo com as suas palavras Nenhum homem nasce rico. Todo homem, quando vê pela primeira vez a luz, é condenado a se contentar com leite e trapos. XXI. Sobre o reconhecimento que meus escritos o trarão "Se você quiser," disse ele, "enriquecer Pitão, não adicione dinheiro, mas subtraia seus desejos." Não considere que esta afirmação se aplica apenas às riquezas; seu valor será o mesmo, não importa como você aplique-a. "Se você quiser fazer Pitão honroso, não adicione às suas honras, mas subtraia de seus desejos"; "Se você desejar que Pitão tenha prazer para sempre, não adicione a seus prazeres, mas subtraia de seus desejos"; "Se você deseja fazer Pitão um homem velho, enchendo sua vida ao máximo, não adicione a seus anos, mas subtraia de seus desejos." XXII. Sobre a Futilidade de Meias Medidas Você deve estar não somente presente em corpo, mas vigilante na mente (...) olhe ao redor por uma oportunidade; se você a vê, agarre-a, e com toda sua energia e com toda sua força dedique-se a esta tarefa Ninguém deve tentar nada, exceto no momento em que possa ser feito de forma adequada e oportuna. Então, quando a ocasião procurada chegar, esteja pronto. "Todo mundo sai da vida como se tivesse acabado de entrar nela." Tome alguém de sua relação, jovem, velho ou de meia-idade; você verá que todos têm igualmente medo da morte, e são igualmente ignorantes sobre a vida. Ninguém tem nada terminado, porque mantivemos adiando para o futuro todos os nossos empreendimentos. Nenhum pensamento na citação dada acima me agrada mais do que isso, que insulta velhos como sendo bebês. "Ninguém", diz ele, "deixa este mundo de maneira diferente daquele que acaba de nascer". Isso não é verdade; porque somos piores quando morremos do que quando nascemos; mas é nossa culpa, e não a da natureza. A natureza deveria repreender-nos, dizendo: "O que é isso? Eu lhe trouxe ao mundo sem desejos ou medos, livre da superstição, da traição e das outras maldições. Saiam como eram quando entraram!" Um homem capturou a mensagem da sabedoria, se ele puder morrer despreocupado como era ao nascer; mas a realidade é que estamos todos tremulantes na aproximação do temido final. Nossa coragem nos falha, nossas bochechas empalidecem; nossas lágrimas caem, embora sejam inúteis. Mas o que é mais vil do que se preocupar no próprio limiar da paz? A razão, entretanto, é que somos despojados de todos os nossos bens, abandonamos a carga de nossa vida e estamos em perigo; pois nenhuma parte da mesma foi acondicionada no porão; tudo foi lançado ao mar e se afastou. Os homens não se importam quão nobremente vivem, mas só por quanto tempo, embora esteja ao alcance de cada homem a viver nobremente, mas é impossível a qualquer homem viver por muito tempo. XXIII. Sobre a verdadeira alegria que vem da filosofia Faça a única coisa que pode tornar-lhe realmente feliz: despreze todas as coisas que brilham exteriormente e que são oferecidas a você ou a qualquer outro; olhe para o verdadeiro bem, e alegre-se apenas naquilo que vem de seu depósito. E o que quero dizer com "seu depósito"? Eu quero dizer de seu próprio eu, que é a melhor parte de você. O corpo frágil também, embora não consigamos fazer nada sem ele, deve ser considerado apenas necessário, e não tão importante; envolve-nos em prazeres vãos, de curta duração, e logo a serem lamentados, a menos que sejam controlados por um extremo autocontrole, tais prazeres serão transformados em antagônicos. (...) o prazer, a menos que tenha sido mantido dentro dos limites, tende a nos precipitar no abismo da tristeza. Você me pergunta qual é o verdadeiro bem, e de onde deriva? Digo-o: vem de uma boa consciência, de propósitos honrosos, de ações corretas Alguns homens, na verdade, só começam a viver quando é hora de deixarem de viver. E se isso lhe parece surpreendente, acrescento o que mais o surpreenderá: alguns homens deixam de viver antes de começarem. XXIV. Sobre o desprezo pela morte Por que seria necessário conjurar problemas, que devem ser resolvidos de uma vez tão logo que cheguem, ou antecipar problemas e arruinar o presente por medo do futuro? É realmente tolo ser infeliz agora porque talvez possa vir a ser infeliz em algum tempo futuro. Qualquer que seja o problema, meça-o em sua própria mente, e estime a quantidade de seu medo. Você compreenderá assim que o que você teme é insignificante ou de curta duração. Eu agora lhe advirto que não afogue a sua alma nestas suas pequenas angústias; se você fizer isso, a alma será entorpecida e terá muito pouco vigor disponível quando chegar a hora de levantar-se. Lembro-me de um dia que você estava lidando com o conhecido, – que não caímos mortos de repente, mas que avançamos para ela em passos lentos; morremos todos os dias. 20. Porque cada dia um pouco de nossa vida nos é tirada; mesmo quando estamos crescendo, nossa vida está em declínio. Perdemos nossa infância, nossa adolescência e nossa juventude. Contando até ontem, todo o tempo passado é tempo perdido; O próprio dia que passamos agora é compartilhado entre nós e a morte. Não é a última gota que esvazia o relógio de água, mas tudo o que anteriormente fluiu; da mesma forma, a hora final em que deixamos de existir não provoca por si só a morte; ela apenas completa o processo de morte. Chegamos à morte naquele momento, mas há muito tempo estamos a caminho. Epicuro censura aqueles que desejam, tanto quanto aqueles que se esquivam da morte: "É absurdo, diz ele, correr para a morte porque você está cansado da vida, quando é a sua maneira de viver que o fez correr para morte." E em outra passagem: "O que é tão absurdo quanto buscar a morte, quando é por medo da morte que você roubou a paz da sua vida?" E você pode acrescentar uma terceira declaração, do mesmo cunho: "Os homens são tão irrefletidos, não, tão loucos, que alguns, por medo da morte, se obrigam a morrer". Precisamos ser admoestados e fortalecidos em ambos os sentidos, não amar ou odiar a vida em demasia "Quanto tempo devo suportar as mesmas coisas?" Eu continuarei a acordar e dormir, estar com fome e ser saciado, ter calafrios e transpirar? Não há fim para nada, todas as coisas estão ligadas em uma espécie de círculo, elas fogem e elas são perseguidas. A noite está próxima aos calcanhares do dia, o dia aos calcanhares da noite, o verão termina no outono, o inverno apressa-se depois do outono, e o inverno se suaviza na primavera, toda a natureza assim passa, só para voltar. Eu não vejo nada de novo, mais cedo ou mais tarde, o homem enjoa disto também. " Há muitos que pensam que viver não é doloroso, mas supérfluo. XXV. Sobre a Mudança Em relação a estes dois amigos nossos, devemos avançar em linhas diferentes; as falhas de um devem ser corrigidas, as do outro devem ser esmagadas. Tomarei toda liberdade; porque eu não amo uma pessoa se eu não estou disposto a ferir seus sentimentos. Não sei se farei progressos; mas prefiro não ter êxito a não ter fé As coisas que realmente precisamos são gratuitas para todos, ou então baratas; a natureza almeja apenas pão e água. Ninguém é pobre de acordo com este padrão; quando um homem limita seus desejos dentro destas fronteiras, pode desafiar a felicidade do próprio Júpiter, como diz Epicuro. "Faça tudo como se Epicuro estivesse observando você." Não há nenhuma dúvida real de que é bom para alguém ter designado um guardião sobre si mesmo, e ter alguém que você pode olhar para cima, alguém que você possa considerar como uma testemunha de seus pensamentos. É, de fato, mais nobre viver como você viveria sob os olhos de algum homem bom, sempre ao seu lado; mas, no entanto, estou satisfeito se você apenas agir, em tudo o que fizer, como você agiria se alguém tudo estivesse olhando; porque a solidão nos induz a todos os tipos de mal. E quando você tiver progredido tanto que tenha respeito por si mesmo, você pode dispensar seu assistente; mas até então, defina como um guardião sobre si mesmo a autoridade de algum homem, seja o grande Catão ou Cipião, ou Lélio, ou qualquer homem em cuja presença até mesmo patifes desgraçados reprimiriam seus maus impulsos. Enquanto isso, você deve se empenhar em fazer de si mesmo o tipo de pessoa em cuja companhia você não ousaria pecar. Qualquer um é melhor em companhia de alguém, – não importa quem, – do que só em sua própria companhia. XXVI. Sobre a velhice e a morte Você é mais jovem; mas o que isso importa? Não há contagem fixa de nossos anos. Você não sabe onde a morte o espera; assim que esteja sempre pronto para ela. "Pense na morte". Ao dizer isso, ele nos pede para pensar na liberdade. Aquele que aprendeu a morrer desaprendeu a escravidão; está acima de qualquer poder externo, ou, pelo menos, está além disso. Que terrores tem prisões e correntes e grades para ele? A sua saída é clara. Existe apenas uma cadeia que nos liga à vida, e esse é o amor pela vida. A corrente não pode ser desprezada, mas pode ser enganada, de modo que, quando a necessidade exigir, nada pode retardar ou impedir que estejamos prontos para fazer de uma só vez o que em algum momento seremos obrigados a fazer. XXVII. Sobre o Bem que permanece Saudações de Sêneca a Lucílio. "O que?", diz você, "Está me dando conselhos?" De fato, você já se aconselhou, já corrigiu suas próprias falhas? É esta a razão por que você tem tempo livre para reformar outros homens? Não, não sou desavergonhado ao ponto de pretender curar meus semelhantes quando estou doente. Estou, no entanto, discutindo com você problemas que afetam a nos dois, e compartilhando o remédio com você, como se estivéssemos padecendo no mesmo hospital. Ouça-me, portanto, como faria se eu estivesse falando sozinho. Eu estou confessando a você meus pensamentos mais íntimos, e estou discutindo comigo mesmo, usando-o apenas como pretexto. 2. Eu continuo gritando para mim mesmo: "Conte seus anos, e você terá vergonha de desejar e perseguir as mesmas coisas que você desejou em seus dias de juventude. "A riqueza real é a pobreza ajustada à lei da natureza." Epicuro repete este dizer de várias maneiras e contextos; mas nunca pode ser repetido em excesso, já que nunca é compreendido muito bem. Pois para algumas pessoas o remédio deve ser meramente prescrito; no caso de outras, deve ser forçado goela abaixo. XXVIII. Sobre Viajar como cura para o descontentamento Você acha que só você teve essa experiência? Você está surpreso, como se fosse uma novidade, que depois de tão longa viagem e tantas mudanças de cena você não tenha sido capaz de se livrar da tristeza e do peso de sua mente? Você precisa de uma mudança de alma, em vez de uma mudança de clima. Embora você possa atravessar vastos espaços de mar, e embora, como nosso Virgílio observa: As terras e as cidades são deixadas para trás, Suas falhas o seguirão a qualquer lugar que você viaje Sócrates fez a mesma observação a alguém que se queixou; ele disse: "Por que você se admira que viajar o globo não o ajuda, visto que você sempre se leva consigo? A razão que o colocou a vagar está sempre em seu calcanhar." Que prazer há em ver novas terras? Ou na inspeção de cidades e pontos de interesse? Toda a sua agitação é inútil. Você pergunta por que tal fuga não o ajuda? É porque você foge acompanhado de você mesmo. Você deve deixar de lado os fardos da mente; até que você faça isso, nenhum lugar irá satisfazê-lo. Você perambula para cá e para acolá, para livrar-se do fardo que pesa sobre você, embora este se torne mais problemático por causa de sua própria inquietação, assim como em um navio a carga quando estacionária não traz nenhum problema, mas quando se desloca para os lados, faz o navio inclinar-se lateralmente na direção onde se estabeleceu. Qualquer coisa que você faz diz respeito a você, e você se machuca por sua própria agitação; porque você está agitando um homem doente. Uma vez esse problema removido, toda mudança de cena se tornará agradável; embora você possa ser levado às extremidades da terra, a qualquer canto de uma terra selvagem que você possa se encontrar, esse lugar, por mais difícil que seja, será uma morada hospitaleira. "A pessoa que você é importa mais do que o lugar para o qual você vai"; por isso não devemos fazer da mente um fiador para um só lugar. Viva essa crença: "Não nasci para nenhum canto do universo, todo este mundo é meu lar". Você não está viajando; você está à deriva e sendo conduzido, apenas trocando um lugar por outro, embora o que você procura, – viver bem, – pode ser encontrado em toda parte. 6. Pode existir algum lugar tão cheio de confusão como o Fórum? No entanto, você pode viver em silêncio até mesmo lá, se necessário. "O conhecimento do pecado é o começo da salvação". Este ditado de Epicuro parece-me ser um nobre. Pois quem não sabe que pecou, não deseja correção; você deve descobrir-se em erro antes que você possa se reformar. Alguns se vangloriam de suas falhas. Você acha que um homem tem alguma intenção de consertar seus caminhos se considera seus vícios como se virtudes fossem? Portanto, na medida do possível, prove-se culpado, procure acusações contra si mesmo; desempenhe o papel, primeiro de acusador, depois de juiz, por último de executor. Às vezes seja duro com você mesmo. XXIX. Sobre evitar ajudar os não interessados Você tem perguntado sobre o nosso amigo Marcelino e você deseja saber como ele está se dando. Ele raramente vem me ver, por nenhuma outra razão senão que ele tem medo de ouvir a verdade, e no momento está se mantendo afastado do perigo de ouvi-la; pois não se deve falar com um homem a menos que ele esteja disposto a ouvir. É por isso que muitas vezes se questiona se Diógenes e os outros cínicos, que empregavam uma liberdade de expressão sem discernimento e ofereciam conselhos a qualquer um que se interpusesse, deveriam ter seguido esse caminho. Por que se deve reprimir os surdos ou aqueles que são mudos de nascimento ou por doença? Quem é satisfeito pela virtude pode agradar à multidão? É preciso truques para ganhar aprovação popular; E tem de fazer-se semelhante a eles; eles vão recusar aprovação se eles não reconhecerem você como um de si mesmos. No entanto, o que você pensa de si é muito mais do que o que os outros pensam de você. A benevolência dos homens ignóbeis só pode ser conquistada por meios ignóbeis. Qual será o benefício, então, daquela filosofia alardeada, cujos elogios cantamos e que, segundo se diz, deve ser preferida a toda arte e toda propriedade? Certamente, isso fará com que você prefira agradar a si mesmo ao invés da população, isso fará você ponderar, e não meramente contar, os julgamentos dos homens, vai fazer você viver sem medo de deuses ou homens, vai fazer você vencer males ou acabar eles. Caso contrário, se eu o vejo aplaudido pela aclamação popular, se a sua entrada na cena é saudada por um rugido de aplausos e aplausos, as marcas de distinção se valem apenas para atores, – se todo o estado, mesmo as mulheres e crianças, cantam seus louvores, como posso ajudar a apiedar-se de você? Pois eu sei a qual caminho leva a tal popularidade. XXX. Sobre Conquistar o Conquistador (a morte) Este é um grande feito, Lucílio, e um que necessita longa prática para se aprender, – partir calmamente quando a hora inevitável chega. Outros tipos de morte contêm um ingrediente de esperança: uma doença chega ao fim; um fogo é extinguido; as casas em ruina depositaram em segurança aqueles que pareciam certos de serem esmagados; O mar devolveu ilesos a costa aqueles a quem tinha engolido, pela mesma força pela qual os dragou; O soldado retraiu sua espada do pescoço de seu inimigo condenado. Mas aqueles a quem a velhice está levando para a morte não têm nada a esperar; a velhice por si só não concede nenhuma prorrogação. Nosso amigo Baso me pareceu assistir a seu próprio funeral, e ter seu próprio corpo para o enterro, e vivendo quase como se tivesse sobrevivido a sua própria morte, e suportando com resignação sábia seu pesar por sua própria partida. Pois ele fala livremente sobre a morte, tentando persuadir-nos de que, se este processo contém qualquer elemento de desconforto ou de medo, é culpa do moribundo, e não da própria morte (...) "(...) é tão tolo temer a morte quanto temer a velhice; pois a morte segue a velhice exatamente como a velhice segue a juventude. Aquele que não deseja morrer não pode ter desejado viver. Pois a vida nos é concedida com a condição de que morreremos; para este fim nos leva nosso caminho." Portanto, quão tolo é temê-la, já que os homens simplesmente esperam o que é certo, mas temem apenas o que é incerto! A morte tem sua regra fixa, – equitativa e inevitável. Quem pode reclamar quando é governado por cláusulas que válidas a todos? A parte principal da equidade, entretanto, é igualdade. Mas é supérfluo neste momento presente defender a causa da Natureza; pois deseja que nossas leis sejam idênticas às suas; ela decide o que ela compôs, e compõe novamente o que ela decidiu. Epicuro: "Espero, antes de tudo, que não haja dor no momento em que um homem expira, mas se houver, encontrar-se-á um elemento de conforto em sua própria brevidade, pois nenhuma grande dor dura por muito tempo e, em todo caso, um homem encontrará alívio no momento em que alma e corpo estão sendo separados, mesmo que o processo seja acompanhado de dor terrível, no pensamento de que depois que a dor acabar, não pode sentir mais dor. Mas tenho certeza de que a alma de um velho está em seus lábios e que só é necessária uma pequena força para desprendê-la do corpo. Fogo que tenha capturado uma construção que o sustente precisa de água para ser apagado, ou, às vezes, a destruição do próprio edifício, mas o fogo em que falta sustento de combustível morre de si mesmo.” Baso sempre dizia: "É por nossa própria culpa que sentimos essa tortura, porque nos tememos pela morte somente quando acreditamos que nosso fim está próximo". Mas quem não está perto da morte? Ela está pronta para nós em todos os lugares e em todos os momentos. "Consideremos", continuou ele, "quando algum agente da morte parece iminente, quão mais próximos estão outras variedades de morrer do que aquelas temidas por nós". Um homem é ameaçado por um inimigo, mas esta forma de morte é antecipada por um ataque de indigestão. E se estamos dispostos a examinar criticamente as várias causas do nosso medo, descobriremos que algumas existem, e outras só parecem existir. "Não temamos a morte; temamos o pensamento da morte. Pois a morte está sempre a mesma distância de nós; portanto, se é para ser temida absolutamente, é para ser temida sempre. Pois qual estação de nossa vida é isenta da morte?" XXXI. Sobre o canto da Sereia Em suma, você será um homem sábio, se você tapar seus ouvidos; nem é suficiente fechá-los com cera; você precisa de um abafador mais potente do que aquele que dizem Ulysses usou para seus camaradas. A música que ele temia era sedutora, mas não vinha de todos os lados; a canção, no entanto, que você tem que temer, ecoa em torno de você não de um único promontório, mas de cada canto do mundo. (...) aprenda a desprezar o trabalho e a considerá-lo entre as coisas que não são nem boas nem más. Pois não é possível que uma única coisa seja ruim em um momento e boa em outro, às vezes leve e para ser suportada, e às vezes uma causa de pavor. O trabalho não é um bem. Então, o que é um bem? Eu digo, o desprezo ao trabalho. É por isso que eu devo repreender homens que trabalham sem propósito. Mas quando, por outro lado, um homem luta por coisas honrosas, à proporção em que se aplica cada vez mais, e se permite cada vez menos ser derrotado ou deter-se, eu recomendarei sua conduta (...) Faça-se feliz através de seus próprios esforços; você pode fazer isso, quando compreender que tudo o que é misturado com a virtude é bom, e que tudo o que é ligado ao vício é ruim. Da mesma forma que nada brilha se não tem luz misturada em si, e nada é negro a menos que contenha a escuridão ou atraia para si algo de penumbra, e como nada é quente sem o auxílio do fogo e nada frio sem ar; assim é a associação da virtude e do vício que torna as coisas honradas ou vis. XXXII. Sobre progresso (...) abster-se de associar-se a homens de outra estampa e de outros objetivos. E estou realmente confiante de que você não pode ser corrompido, que você vai manter o seu propósito, mesmo que a multidão o cerque e procure distraí-lo. O que, então, está em minha mente? Não tenho medo de que o alterem; mas tenho medo de que possam retardar seu progresso. E muito mal é feito por quem te atrasa, especialmente porque a vida é tão curta; e a tornamos ainda mais curta por nossa instabilidade, por fazer sempre novos começos na vida, agora um e depois imediatamente outro. Nós dividimos a vida em pequenos pedaços, e a desperdiçamos. XXXIII. Sobre a Futilidade de aprender axiomas (...) desista de acreditar que possa desnatar, por meio de resumos, a sabedoria de homens ilustres. Olhe para a sua sabedoria como um todo; estude-a como um todo. Ela elabora um plano coesamente tecido, linha a linha, uma obra-prima, da qual nada pode ser tirado sem ferir o todo. Examine as partes separadas, se quiser, desde que você as examine como partes do próprio homem. Ela não é uma bela mulher cujo tornozelo ou braço é elogiado, mas cuja aparência geral faz você esquecer de admirar atributos únicos. Quanto tempo você deve ser um aprendiz? De agora em diante, seja professor também! (...) a verdade nunca será descoberta se descansarmos satisfeitos com as descobertas já feitas. Além disso, aquele que segue o outro não só não descobre nada, mas nem sequer está investigando. O que então? Não seguirei os passos de meus predecessores? Devo realmente usar a estrada velha, mas se encontrar um atalho que seja mais suave para viajar, devo abrir a nova estrada. Os homens que fizeram essas descobertas antes de nós não são nossos mestres, mas nossos guias. A verdade está aberta para todos; ainda não foi monopolizada. E ainda há muito dela para a posteridade descobrir. XXXIV. Sobre um aluno promissor Eu cresço em espírito e pulo de alegria e esqueço a minha idade e meu sangue corre quente novamente, sempre que percebo, a partir de suas ações e cartas, quanto você se superou; o homem convencional que você deixou para trás há muito tempo. “Uma tarefa começada é meio caminho andado”. Consequentemente a maior parte da bondade é a vontade de querer ser bom. Você sabe o que eu quero dizer com um bom homem? Alguém que é completo, definido, – e que não pode ser corrompido por nenhuma coação ou necessidade. Eu vejo esta pessoa em você, somente quanto se curva sobre o seu trabalho e garante que suas palavras e ações se harmonizam e correspondem uma a outra e são feitas a partir do mesmo molde. Se os atos de um homem não estão em harmonia, sua alma está corrompida. XXXV. Sobre a Amizade entre Mentes Semelhantes Quando eu insisto com tanta força em seus estudos, é meu próprio interesse que eu estou defendendo; quero sua amizade, e ela não me será proveitosa a menos que você continue, com a tarefa de se desenvolver. Apresse-se a me encontrar, mas apresse-se a encontrar-se em primeiro lugar. XXXVI. Sobre o Valor da Aposentadoria A prosperidade é uma coisa turbulenta; ela atormenta. Ela agita o cérebro em mais de um sentido, incitando os homens a vários objetivos, alguns para o poder, e outros para a vida luxuosa. Alguns ela enche de orgulho; outros afrouxa e debilita totalmente. Há alguma época em que um homem não deva aprender?" De jeito nenhum (...) Eu digo, que aprenda o que é útil contra todas as armas, contra todo tipo de inimigo, – o desprezo pela morte; porque ninguém duvida que a morte tenha em si algo que inspire o terror, de modo que choca até mesmo nossas almas, que a natureza as moldou para que amem sua própria existência; pois de outro modo não haveria necessidade de nos preparar, e de aguçar nossa coragem, para encarar o que deveria ser uma espécie de instinto voluntário, precisamente da mesma forma como todos os homens tendem a preservar sua existência. E a morte, de que tememos e nos afastamos, simplesmente interrompe a vida, mas não a rouba; o tempo voltará quando seremos restaurados à luz do dia (...) Perceba como o percurso do universo repete seu curso; você verá que nenhuma estrela em nosso firmamento é extinguida, mas que todas elas surgem e se erguem em alternância. O verão foi embora, mas outro ano o trará de novo; O inverno está baixo, mas será restaurado por seus próprios meses; A noite dominou o sol, mas o dia logo derrubará a noite outra vez. (...) os meninos, os jovens e os que ficaram loucos, não têm medo da morte, e é muito vergonhoso se a razão não pode nos dar essa paz de espírito que foi trazida pela loucura. "Portanto, o mais pavoroso de todos os males, a morte, não é nada para nós, pois quando nós existimos, a morte não está presente para nós, e quando a morte está presente, então não existimos. Portanto, não diz respeito aos vivos ou aos mortos, pois para os vivos não tem existência, e para os mortos não existe. " XXXVII. Sobre a lealdade à virtude Você não pode fugir das necessidades, mas pode superá-las: pela força um caminho é aberto. (...) se você tiver todas as coisas sob seu controle, coloque-se sob o controle da razão; se a razão se tornar sua governante, você se tornará governador de muitos. É vergonhoso, em vez de seguir em frente, ser levado e, de repente, em meio ao redemoinho dos acontecimentos, perguntar de forma aturdida: "Como é que eu entrei nessa situação?". XXXVIII. Sobre o Ensinamento Tranquilo (...) quando o objetivo é fazer com que um homem aprenda e não apenas para fazê-lo desejar aprender, devemos recorrer às palavras em baixo tom de conversa. Elas entram mais facilmente, e ficam na memória; pois não precisamos de muitas palavras, mas palavras mais eficazes. As palavras devem ser espalhadas como sementes; não importa quão pequena a semente possa ser, se uma vez encontrou terreno favorável, desdobra sua força e de uma coisa insignificante se espalha para seu grandioso crescimento. A razão cresce da mesma maneira; não é grande à primeira vista, mas aumenta à medida que faz seu trabalho. Poucas palavras são ditas; mas se a mente realmente as apanha, elas entram em vigor e brotam. Sim, ensinamentos e sementes têm a mesma qualidade; eles produzem muito, e ainda assim são pequenas coisas. Apenas, como eu disse, deixe uma mente favorável recebê-las e assimilá-las. Então, por si só, a mente também produzirá abundantemente por sua vez, retribuindo com mais do que recebeu. XXXIX. Sobre Aspirações Nobres (...) você tem muitos autores cujas obras presumivelmente manterão suas ideias suficientemente em ordem. Pegue a lista dos filósofos; esse mesmo ato irá obrigá-lo a despertar, quando você vir quantos homens têm trabalhado a seu benefício. Você desejará ansiosamente ser um deles você mesmo, pois esta é a qualidade mais excelente que a alma nobre tem dentro de si, ela pode ser despertada para coisas honrosas. Nenhum homem de dons elevados está satisfeito com o que é inferior e medíocre; a visão de grandes realizações o convoca e inspira. (...) os homens se afundam nos prazeres, e não podem ficar sem eles quando se acostumaram a eles, e por isso são mais miseráveis, porque chegaram a tal ponto que o que antes lhes era supérfluo tornou-se indispensável. E assim eles são escravos de seus prazeres em vez de apreciá-los; eles até amam seus próprios males, – e esse é o pior mal de todos! XL. Sobre o estilo apropriado para o discurso de um filósofo (...) a palavra que há muito se espera penetra com mais facilidade do que a palavra que passa rapidamente. (...) seja lento ao falar. XLI. Sobre o Deus dentro de nós Não precisamos elevar nossas mãos para o céu, nem implorar ao defensor de um templo que nos deixe chegar à orelha de seu ídolo, como se desse modo nossas orações fossem mais prováveis de serem ouvidas. Deus está perto de você, ele está com você, ele está dentro de você. É isso que quero dizer, Lucílio: um espírito santo mora dentro de nós, aquele que anota nossas boas e más ações e é nosso guardião. À medida que tratamos esse espírito, também somos tratados por ele. De fato, nenhum homem pode ser bom sem a ajuda de Deus. Pode alguém elevar-se acima da fortuna, a menos que Deus o ajude a se levantar? Ele é Aquele que dá conselhos nobres e retos. "Em cada homem bom um deus habita (...)" XLII. Sobre Valores Aquele seu amigo já o fez acreditar que ele é um bom homem? (...) Este homem, no entanto, de quem você falou, ainda está longe do estado que ele declara ter alcançado. E se ele soubesse o que significava ser "um bom homem", ele ainda não se acreditaria assim; talvez ele até desanimaria de sua capacidade de se tornar bom. XLIII. Sobre a Relatividade da Fama Mencionarei um fato pelo qual você pode avaliar o caráter de um homem: você dificilmente encontrará alguém que possa viver com sua porta aberta. É a nossa consciência, não o nosso orgulho, que colocou guardas à nossa porta; nós vivemos de tal forma que, sermos expostos subitamente é equivalente a ser pego em flagrante. O que nos beneficia, entretanto, nos esconder e evitar os olhos e os ouvidos dos homens? Uma boa consciência recebe com prazer a multidão, mas uma má consciência, mesmo na solidão, é perturbada e inquieta. Se seus feitos são honrosos, que todos os conheçam; se infames, o que importa que ninguém deles saiba, se você mesmo os reconhece? Como você é desventurado se despreza tal testemunha! XLIV. Sobre Filosofia e Pedigrees A filosofia não rejeita nem escolhe ninguém; sua luz brilha para todos. Sócrates não era aristocrata. Cleantes trabalhou em um poço e serviu como um homem contratado regando um jardim. A filosofia não achou Platão já um nobre; ela o fez um. Platão diz: "Todo o rei nasce de uma raça de escravos, e todo escravo tem reis entre seus antepassados" XLV. Sobre Argumentação sofística (...) entenda que o homem feliz não é aquele que a multidão considera feliz, isto é, aquele em cujos cofres grandes somas fluíram, mas aquele cujas posses estão todas em sua alma, que é reta e elevada, que despreza a inconstância, que não vê homem com quem ele queira trocar de lugar, que avalia os homens apenas pelo seu valor como homens, que considera a natureza sua professora, obedecendo suas leis e vivendo como ela comanda, a quem nenhuma violência pode privar de suas posses, que transforma o mal em bem, é inabalável em julgamento, inabalável, sem medo, que pode ser movido pela força, mas nunca movido por distração, a quem a fortuna, quando ela se lança com toda a sua força sobre ele com seu mais mortífero arsenal, pode atingi-lo, embora raramente, mas nunca feri-lo. XLVI. Sobre um novo livro de Lucílio. A luz do sol me chamou, a fome deu sinal, e as nuvens baixaram; mas absorvi o livro do começo ao fim. XLVII. Sobre mestre e escravo Fico feliz em saber, através daqueles que vêm de você, que vive em termos amigáveis com seus escravos. Isto convém a um homem sensato e bem-educado como você. "Eles são escravos", dizem as pessoas. Não, são homens. – Escravos! Não, camaradas. – Escravos! Não, eles são amigos sem pretensões. – Escravos! Não, eles são nossos companheiros escravos, quando se reflete percebe-se que a fortuna tem direitos iguais sobre escravos e homens livres. É por isso que eu sorrio para aqueles que acham degradante para um homem para jantar com seu escravo. Mas por que acham isso degradante? É somente porque o cerimonial de gente orgulhosa envolve um chefe de família em seu jantar com uma multidão de escravos em pé. O mestre come mais do que ele pode, e com monstruosa ganância carrega seu ventre até este ser esticado e por fim impossibilitado de fazer o trabalho de um ventre, de modo que logo estará em dores para vomitar toda a comida que deveria alimentá-lo. Durante todo esse tempo os pobres escravos não podem mover seus lábios, nem mesmo para falar. O menor murmúrio é reprimido pela vara; Mesmo um som casual, – uma tosse, um espirro, ou um soluço, – é correspondido com o chicote. Há uma penalidade grave para a menor quebra de silêncio. Durante toda a noite eles devem ficar em pé, famintos e mudos. O resultado disso tudo é que esses escravos, que não podem falar em presença de seu mestre, falam sobre seu mestre. Mas os escravos dos dias passados, que tinham permissão para conversar não só na presença de seu amo, mas na verdade com ele, cujas bocas não estavam caladas, estavam prontos a expor seu pescoço a seu senhor, a trazer à própria cabeça qualquer perigo que o ameaçasse; eles falavam na festa, mas ficavam em silêncio sob tortura. Finalmente, o dito, em alusão a este mesmo tratamento autoritário, torna-se atual: "Você tem tantos inimigos quanto escravos." Eles não são inimigos quando os adquirimos; nós os tornamos inimigos. "Você quer dizer," vem a réplica, "que devo sentar todos os meus escravos na minha própria mesa?" Não, não mais do que você deva convidar todos os homens livres para ela. Você está enganado se pensa que eu iria excluir da minha mesa certos escravos cujos deveres são mais humildes, como, por exemplo, aquele tratador de mulas ou outro pastor; proponho valorizá-los de acordo com seu caráter, e não de acordo com seus deveres. Cada homem adquire seu caráter por si mesmo, mas a fortuna atribui seus deveres. Convide alguns para sua mesa porque eles merecem a honra, e outros por que podem vir a merecer. Você não precisa, meu caro Lucílio, caçar amigos apenas no fórum ou no senado; se você é cuidadoso e atento, você vai encontrá-los em casa também. O bom material muitas vezes permanece ocioso por falta de um artista; faça a experiência, e você vai confirmar isso. Como é um tolo aquele, ao comprar um cavalo, não considera as características do animal, mas apenas a sua sela e freio; então é duplamente um tolo quem valoriza um homem por suas roupas ou sua posição social, que na verdade é apenas um roupão que nos cobre. "Ele é um escravo." Sua alma, no entanto, pode ser a de um homem livre. (...) Mostre-me um homem que não é um escravo; um é escravo da luxúria, outro da ganância, outro da ambição, e todos os homens são escravos do medo. Nenhuma servidão é mais vergonhosa do que aquela que é auto imposta. Alguns podem sustentar que eu estou oferecendo agora a libertação dos escravos em geral e roubando senhores de sua propriedade, porque eu proponho que escravos respeitem seus mestres em vez de temê-los. Eles dizem: "Isto é o que ele claramente quer dizer: Devemos respeitar os escravos como se fossem clientes ou visitas!" Qualquer um que detém esta opinião esquece que o que é suficiente para um deus não pode ser muito pouco para um mestre. Respeito significa amor, e amor e medo não podem ser misturados. Portanto, eu considero que você está inteiramente certo em não desejar ser temido por seus escravos, e chicoteá-los apenas com a língua; apenas animais estúpidos precisam do chicote. O que nos irrita não nos prejudica necessariamente; mas nós somos levados a raiva selvagem por nossas vidas luxuosas, de modo que tudo o que não responde a nossos caprichos desperta nossa raiva. Não quero me demorar mais; porque você não precisa de exortação. Isto, entre outras coisas, é uma marca de bom caráter: Forme seus próprios julgamentos e honre-os. O mal é inconstante e em frequentemente mudança, não para melhor, mas para algo diferente. XLVIII. Sobre trocadilhos como Indigno ao Filósofo (...) não sou seu amigo, a menos que o que seja importante para você também seja minha preocupação. A amizade produz entre nós uma parceria em todos os nossos interesses. Não há tal coisa como boa ou má fortuna para um de nós; nós vivemos em comum. E ninguém pode viver feliz se só pensa em si próprio e transforma tudo em questão de sua própria utilidade; você deve viver para o seu vizinho, se você quiser viver para si mesmo. A filosofia oferece conselhos. A morte chama um homem, e a pobreza desgasta outro; um terceiro está preocupado com a riqueza do seu vizinho ou com a sua. Fulano tem medo da má fortuna; outro deseja ficar longe de sua própria fortuna. Alguns são maltratados pelos homens, outros pelos deuses. Mesmo se houvesse muitos anos para você, você teria que gastá-los frugalmente para ter o suficiente para as coisas necessárias; mas como é, quando seu tempo é tão escasso, que estupidez é aprender coisas supérfluas! XLIX. Sobre a brevidade da vida (...) nossa existência, que é tão breve, devemos refletir, que ela logo chegará ao fim completamente. Em outros anos o tempo não me pareceu ir tão rapidamente; agora, parece inacreditavelmente rápido, talvez, porque eu sinta que a linha de chegada está se aproximando, ou pode ser que eu tenha começado a tomar cuidado e contar minhas perdas. Por esta razão, fico com mais raiva que alguns homens reivindiquem a maior parte deste tempo para coisas supérfluas, tempo que, por mais cuidadoso que sejamos, não é suficiente até mesmo para as coisas necessárias. (...) todos pensariam, com razão, que eu teria ficado louco se, quando anciãos e mulheres estivessem empilhando pedras para as fortificações, quando os jovens armados frente aos portões esperassem, ou mesmo exigissem, a ordem de um ataque, quando as lanças dos inimigos tremessem em nossos portões e o próprio chão estivesse balançando com minas e passagens subterrâneas, – eu digo, eles pensariam, com razão, que eu teria ficado louco se me sentasse ocioso, colocando enigmas tão insignificantes como este: "O que você não perdeu, você tem. Mas você não perdeu nenhum chifre, portanto, você tem chifres", ou outros truques construídos segundo o modelo deste bocado de pura bobagem. E, no entanto, bem posso parecer aos seus olhos não menos louco, se eu gastar minhas energias com esse tipo de coisa; pois mesmo agora estou em estado de sítio. E ainda, no primeiro caso, seria apenas um perigo exterior que me ameaça, e um muro que me separa do inimigo; como é agora, os perigos mortais estão na minha própria presença. Não tenho tempo para essas tolices; um poderoso empreendimento está em minhas mãos. O que eu devo fazer? A morte está em meu caminho, e a vida está fugindo; Ensine-me algo com que enfrentar estes problemas. Faça ser que eu deixe de tentar escapar da morte, e que a vida possa deixar de escapar de mim. Dê-me coragem para enfrentar dificuldades; me acalme em face do inevitável. Amplie os estreitos limites de tempo que me é atribuído. Mostre-me que o bem na vida não depende do comprimento da vida, mas do uso que fazemos dela; também, que é possível, ou mais comum, que um homem que tenha vivido muito tempo tenha vivido muito pouco. Diga-me quando eu me deitar para dormir: "Você pode não acordar de novo!" E quando eu acordar: "Você não pode ir dormir de novo!" Diga-me quando sair de minha casa: "Não vai voltar!" E quando eu retornar: "Você nunca poderá sair novamente!" Você está enganado se você pensa que somente em uma viagem marítima há um espaço muito pequeno entre a vida e a morte. Não, a distância entre elas é estreita em todos os lugares. Não é em toda parte que a morte se mostra tão perto; contudo, em todos os lugares ela está tão próxima. Livre-me desses terrores sombrios (...) (...) como diz o poema trágico: "A linguagem da verdade é simples." - Trecho de As Fenícias de Eurípides. L. Sobre nossa cegueira e sua cura (...) espero que a esta altura você esteja vivendo de tal maneira que eu possa ter certeza de que você esteja ocupado, não importa onde você possa estar. Com o que mais você estaria ocupado, a não ser melhorar a si mesmo (...) (...) ninguém entende que é avarento, ou que é cobiçoso. No entanto, os cegos pedem um guia, enquanto vagamos sem um, dizendo: "Eu não sou egoísta, mas não se pode viver em Roma de qualquer outra maneira. Eu não sou extravagante, mas mera vida na cidade exige um grande desembolso. Não é culpa minha que eu tenha uma disposição colérica, ou que eu não tenha estabelecido qualquer esquema de vida definido, é devido à minha juventude." Por que nos enganamos? O mal que nos aflige não é externo, está dentro de nós, situado em nossos próprios entraves; por isso alcançamos a saúde com mais dificuldade, porque não sabemos que estamos doentes. É a mente má que primeiro domina a todos nós. Aprender virtude significa desaprender o vício. LI. Sobre Baiae e a moral Testemunhar pessoas vagando bêbadas ao longo da praia, as turbulentas festas, os lagos com música barulhentas e todas as outras formas em que o luxo, quando, por assim dizer, é libertado das restrições da lei não meramente peca, mas ostenta seus pecados publicamente, – por que devo testemunhar tudo isso? Um único inverno relaxou as fibras de Aníbal; o seu mimo em Campânia tirou o vigor desse herói que triunfara sobre as neves alpinas. Conquistou com suas armas, mas foi conquistado por seus vícios. Nós também temos uma guerra a empreender, um tipo de guerra em que não é permitido nenhum descanso ou licença. Para ser dominado, em primeiro lugar, estão os prazeres, que, como você vê, têm derrotado até mesmo os personagens mais severos. Devemos cuidar para que fujamos para a maior distância possível das provocações ao vício. Devemos endurecer nossas mentes e removê-las das seduções do prazer. A alma não deve ser mimada; entregar-se ao prazer significa também render-se à dor, render-se a fadiga, render-se à pobreza. Tanto a ambição quanto a raiva desejarão ter os mesmos direitos sobre mim que o prazer, e eu serei despedaçado, ou melhor, rasgado em pedaços, em meio a todas essas paixões conflitantes. Vício, Lucílio, é o que eu desejo que você lute contra, sem limites e sem fim. Pois ele não tem limite nem fim. Se o vício penetrar seu coração, jogue-o para fora de você; e se você não puder se livrar dele de nenhuma a outra maneira, arranque fora seu coração também. Acima de tudo, afaste os prazeres de sua visão. Odeie-os além de todas as outras coisas, porque eles são como os bandidos que os egípcios chamam de "amantes", que nos abraçam apenas para nos estrangular. LII. Escolhendo nossos professores Há obstáculos em nosso caminho; então vamos lutar, e chamar ao nosso auxílio alguns ajudantes. "quem," você diz, "eu devo invocar? Será este ou aquele homem?" Há outra opção também aberta para você; você pode ir para os antigos; pois eles têm tempo para ajudá-lo. Podemos obter ajuda não só dos vivos, mas também daqueles do passado. Entretanto, vamos escolher entre os vivos, não os homens que derramam as suas palavras com a maior desenvoltura, revelando trivialidades e citações, por assim dizer, as suas próprias pequenas exposições particulares – não estes, digo eu, senão os homens que nos ensinam com suas vidas, os homens que nos dizem o que devemos fazer e depois provam pela prática, que nos mostram o que devemos evitar, e então nunca são pegos fazendo o que eles nos ordenaram evitar. Escolha como um guia quem você vai admirar mais ao vê-lo agir do que ao ouvi-lo falar. Quão estupido é aquele que sai da sala de aula num feliz estado de espírito simplesmente por causa dos aplausos dos ignorantes! Por que você tem prazer em ser louvado por homens que você mesmo não pode elogiar? LIII. Sobre as falhas do Espírito (...) comecei a refletir o quão completamente esquecemos ou ignoramos nossas falhas, mesmo aquelas que afetam o corpo, que continuamente nos recordam de sua existência, para não mencionar aquelas que são mais sérias na medida em que são mais escondidas. Por que ninguém admite suas falhas? Porque ainda está preso por elas; somente aquele que está acordado pode contar o seu sonho, e da mesma forma uma confissão de pecado é uma prova da mente sã. Vamos, portanto, despertar-nos, para que possamos corrigir nossos erros. A filosofia, no entanto, é o único poder que pode nos sacudir, o único poder que pode abalar o nosso sono profundo. Dedique-se inteiramente à filosofia. Você é digno dela; ela é digna de você; cumprimente um ao outro com um abraço amoroso. Diga adeus a todos os outros interesses com coragem e franqueza. Não estude filosofia meramente durante seu tempo livre. Se você estivesse doente, você deixaria de cuidar de suas preocupações pessoais, e esqueceria seus deveres de negócios; você não pensaria constantemente em nenhum cliente para fazer exame ativo de seu caso durante uma moderação ligeira de seus sofrimentos. Você iria tentar o seu melhor para se livrar da doença logo que possível. O que, então? Você não fará a mesma coisa agora? Abandone todos os obstáculos e se dê tempo a obter uma mente sadia; porque nenhum homem pode alcançá-la se está absorto em outros assuntos. LIV. Sobre asma e morte (...) os médicos a chamam de "praticar como morrer". Pois algum dia a doença terá sucesso em fazer o que tem tantas vezes ensaiou. Você acha que estou escrevendo esta carta com alegria, só porque escapei? Seria absurdo deleitar-me com essa suposta restauração da saúde, como seria para um réu imaginar que ele havia ganhado o seu caso quando apenas conseguiu adiar seu julgamento. (...) eu mesmo há muito tempo testei a morte. "Quando?" Você pergunta. Antes de eu ter nascido. A morte é inexistência, e eu já sei o que isso significa. O que estava antes de mim voltará a acontecer depois de mim. Se há algum sofrimento neste estado, deve ter havido tal sofrimento também no passado, antes de entrar na luz do dia. Na realidade, no entanto, não sentimos nenhum desconforto na ocasião. E eu lhe pergunto, você não diria que é o maior dos tolos aquele que acredita que uma lâmpada está pior quando é apagada do que antes de ser acesa? Nós, mortais, também somos acesos e apagados; o período de sofrimento se interpõe, mas de ambos os lados há uma paz profunda. Qualquer condição que existisse antes do nosso nascimento, é a morte. Pois o que importa se você não começar absolutamente, ou se você for excluído, na medida em que o resultado de ambos os estados é a inexistência? (...) eu nunca estarei assustado quando a última hora chegar; eu já estou preparado e não planejo um dia inteiro à frente. Mas você elogia e imita o homem que não quer morrer, embora tenha prazer em viver? Pois que virtude há em ir embora quando você é expulso? E, no entanto, há virtude mesmo nisso: eu sou de fato expulso, mas é como se fosse embora de boa vontade. Por essa razão o homem sábio nunca pode ser expulso, porque isso significaria a remoção de um lugar de onde ele não estava disposto a sair, e o homem sábio não faz nada involuntariamente. Ele foge da necessidade, porque ele quer fazer o que a necessidade está prestes a forçá-lo. LV. Sobre a Vila de Vácia Aquele que vive para ninguém, não necessariamente vive para si mesmo. O lugar onde se vive, no entanto, pode contribuir pouco para a tranquilidade; é a mente que deve tornar tudo agradável a si mesma. Vi homens desanimados numa vila alegre e encantadora, e os vi com toda a aparência cheia de negócios no meio de uma solidão. LVI. Sobre silêncio e estudo As palavras parecem me distrair mais do que ruídos; pois as palavras exigem atenção, mas os ruídos apenas enchem as orelhas e batem nelas. Pois eu forço minha mente a concentrar-se, e impeço-a de vaguear para as coisas externas; tudo ao ar livre pode ser um estorvo, desde que não haja perturbação dentro, desde que o medo não esteja disputando com o desejo no meu peito, contanto que a mesquinhez e a luxúria não estejam em desacordo, uma acossando a outra. Qual é o benefício de um bairro tranquilo, se nossas emoções estão em um tumulto? A noite traz nossos problemas à luz, ao invés de bani-los; muda apenas a forma de nossas preocupações. Pois, mesmo quando buscamos o sono, nossos momentos sem sono são tão assustadores quanto o dia. A verdadeira tranquilidade é o estado atingido por uma mente não pervertida quando está relaxada. Pense no homem infeliz que corteja o sono entregando sua mansão espaçosa ao silêncio, que, para que seu ouvido não seja perturbado por nenhum som, ordena que todo o séquito de seus escravos fique quieto e que quem quer que se aproxime dele caminhe na ponta dos pés; Ele revira de um lado para o outro e procura um sono agitado em meio a suas inquietações! Ele se queixa de ter ouvido sons, quando não os ouviu em absoluto. O motivo, você pergunta? Sua alma está em alvoroço; ela deve ser calmada, e sua murmuração rebelde controlada. Você não precisa supor que a alma esteja em paz quando o corpo está imóvel. Às vezes, imobilidade significa desconforto. Devemos, portanto, despertar-nos para a ação e nos ocupar com interesses que sejam bons, tão frequentemente como quando ficamos sob julgo de uma preguiça incontrolável. O homem ocupado não tem tempo para libertinagem, e é óbvio que os males do ócio podem ser sacudidos pelo trabalho árduo. A mente que se abala com palavras ou sons ao acaso é instável e ainda não se retirou para si mesma; contém dentro de si um elemento de ansiedade e medo arraigado, e isso faz a pessoa uma presa da necessidade, como diz nosso Virgílio: Eu, que de outrora nenhum dardo poderia fazer fugir, Nem gregos, com linhas lotadas de infantaria. Agora tremo a cada som, e temo o ar, Tanto pelo o meu filho quanto pela carga que eu carrego. Este homem em seu primeiro estado é sábio; ele não recua nem à lança brandida, nem à armadura de choque do inimigo, nem ao estrondo da cidade atingida. Esse homem, em seu segundo estado, não tem conhecimento, temendo por suas próprias preocupações; qualquer grito é tomado como um grito de batalha e o derruba; a menor perturbação o faz sentir-se ofegante de medo. É a carga que o faz sentir medo. Você pode ter certeza de que está em paz consigo mesmo, quando nenhum ruído o assustar, quando nenhuma palavra o sacodir de si mesmo, seja de lisonja ou de ameaça, ou apenas um som vazio zumbindo sobre você com um barulho sem sentido. "E então?" Você diz, "não é às vezes mais simples apenas evitar o tumulto?" Eu admito isso. Por conseguinte, eu vou mudar de meus aposentos atuais. Eu apenas queria me testar e me dar prática. Por que eu precisava de mais atormentação, quando Ulisses encontrou uma cura tão simples para seus companheiros, mesmo contra as canções das Sereias? LVII. Sobre as provações de viagem (...) eu comecei a pensar e pensar como somos tolos em temer certos objetos em maior ou menor grau, já que todos terminam da mesma maneira. Pois que diferença faz se uma torre de vigia ou uma montanha desmorona sobre nós? Nenhuma diferença, você perceberá. No entanto, haverão alguns homens que temem o acidente último em maior grau, embora ambos os acidentes sejam igualmente mortais; tão verdadeiro é que o medo não olha para o efeito, mas para a causa do efeito. Chegamos, portanto, a esta questão, se a alma pode ser imortal. Mas tenha certeza disso: se a alma sobrevive ao corpo depois que o corpo é esmagado, a alma não pode de modo algum ser esmagada, precisamente porque não perece; pois a regra da imortalidade nunca admite exceções, e nada pode prejudicar o que é eterno. LVIII. Sobre Ser, Existir e Eutanásia Nenhum de nós é o mesmo homem na velhice que foi na juventude; nem o mesmo no dia seguinte que no dia anterior. Nossos corpos são forjados ao longo como águas fluindo; cada objeto visível acompanha o tempo em sua jornada; das coisas que vemos, nada é fixo. Mesmo eu mesmo, ao comentar sobre essa mudança, estou mudado. É exatamente o que diz Heráclito: "Entramos duas vezes no mesmo rio, e, contudo, num rio diferente." Pois o curso de água ainda mantém o mesmo nome, mas a água já fluiu ao longo. Claro que isto é muito mais evidente nos rios do que nos seres humanos. Ainda assim, nós, mortais, também somos levados por caminho não menos rápido; e isso me leva a maravilhar-me com a nossa loucura em nos unir com grande afeição a uma coisa tão fugaz como o corpo, e temendo que algum dia nós morramos, quando cada instante significa a morte de nossa condição anterior. Você não vai parar de temer que isso aconteça uma vez que realmente acontece todos os dias? Tanto para o homem, – uma substância que flui e cai, exposta a toda influência; mas também o universo, imortal e duradouro como é, muda e nunca permanece o mesmo. Pois embora tenha em si tudo o que tem, tem-no de uma maneira diferente daquela em que o tinha tido; ele continua mudando seu arranjo. Somos seres fracos e aquosos em pé no meio de irrealidades; portanto, voltemos nossas mentes para as coisas que são eternas. Olhemos para os contornos ideais de todas as coisas, que voam em alto e para o Deus que se move entre elas e planeja como pode defender da morte o que não poderia tornar imperecível porque sua substância impede, e assim por raciocínio pode superar os defeitos do corpo. Porque todas as coisas permanecem, não porque sejam eternas, mas porque são protegidas pelo cuidado de quem governa todas as coisas; mas o que é imperecível não precisa de um guardião. O mestre construtor os mantém seguros, superando a fraqueza de seu tecido por seu próprio poder. Desprezemos tudo o que é tão pouco objeto de valor que nos faz duvidar se Ele existe. Reflitamos ao mesmo tempo, visto que a providência resgata de seus perigos o próprio mundo, que não é menos mortal do que nós mesmos, que até certo ponto nossos corpos mesquinhos podem ser obrigados a permanecer mais tempo na terra por nossa própria providência, se apenas adquirimos a capacidade de controlar e reprimir os prazeres em que a maior parte da humanidade perece. A vida frugal pode levar alguém à velhice; e para mim a velhice não é para ser recusada, não mais do que deve ser desejada. É um prazer estar na própria companhia o maior tempo possível, quando um homem se fez valer a pena. "A extremidade da vida é a escória, ou é a parte mais clara e pura de todas, desde que apenas a mente esteja desimpedida, e os sentidos, ainda sãos, deem seu apoio ao Espírito, e o corpo não esteja desgastado e morto antes de seu tempo?" Pois faz muita diferença se um homem está alongando sua vida ou sua morte. Mas se o corpo é inútil para o serviço, por que não se deve libertar a alma lutadora? E como o perigo de viver na miséria é maior do que o risco de morrer logo, é um tolo aquele que se recusa a apostar um pouco de tempo e arriscar ganhar um formidável lucro. É isto que eu não abandonarei na velhice, se a velhice me preservar intacto para mim, e intacto quanto à melhor parte de mim mesmo; mas se a velhice começa a despedaçar a minha mente e a rasgar em pedaços as suas várias faculdades, se ela me deixa, não a vida, mas apenas o sopro da vida, sairei correndo de uma casa que está desmoronando e cambaleando. Não vou evitar a doença procurando a morte, desde que a doença seja curável e não impeça minha alma. Não porei mãos violentas sobre mim só porque estou com dor; pois a morte em tais circunstâncias é a derrota. Mas se eu descobrir que a dor deve sempre ser suportada, devo partir, não por causa da dor, mas porque ela será um obstáculo para mim no que diz respeito a todas as minhas razões para viver. Aquele que morre apenas porque está com dor é um fraco, um covarde; mas aquele que vive apenas para afrontar esta dor, é um tolo. Mas estou discorrendo por muito tempo; e, além disso, há matéria aqui para encher um dia. E como um homem pode terminar sua vida, se ele não pode terminar uma carta? Então, adeus. LIX. Sobre prazer e alegria "Todos os homens juram que eu sou o filho de Júpiter, mas esta ferida grita que eu sou mortal". Vamos agir da mesma maneira. Todo homem, de acordo com sua sorte na vida, é abobalhado pela lisonja. Deveríamos dizer àquele que nos lisonjeia: "Você me chama de um homem sensato, mas eu entendo quantas das coisas que eu desejo são inúteis, e quantas das coisas que eu desejo me fariam mal. Não tenho sequer o conhecimento, que a saciedade ensina aos animais, do que deveria ser a medida do meu alimento ou da minha bebida. Eu ainda não sei o quanto eu posso ingerir. " Vou agora mostrar-lhe como você pode saber que não é sábio. O homem sábio é alegre, feliz e calmo, inabalável, vive num mesmo plano que os deuses. Agora vá, pergunte a si mesmo; se você nunca fica abatido, se sua mente não é assediada por minha apreensão, pela antecipação do que está por vir, se dia e noite sua alma continua em seu curso impar e inabalável, reta e contente consigo mesma, então você alcançou o maior bem que os mortais podem possuir. Se, no entanto, você procura prazeres de todos os tipos em todas as direções, você deve saber que está tão longe da sabedoria quanto está aquém de alegria. A alegria é o objetivo que você deseja alcançar, mas você está errando o caminho, se você espera alcançar seu objetivo enquanto está no meio de riquezas e títulos oficiais, – em outras palavras, se você busca a alegria no meio de preocupações, esses objetos pelos quais você se esforça tão ansiosamente, como se pudessem dar felicidade e prazer, são meras causas de dor. Todos os homens desta estampa, eu sustento, estão focados na busca da alegria, mas eles não sabem onde podem obter uma alegria que é grande e duradoura. Uma pessoa procura-a no banquete e na autoindulgência; outra, em busca de honras e em ser cercado por uma multidão de clientes; outra, em sua amante; outra, em exibição ociosa da cultura e da literatura que não tem poder para curar; todos esses homens são desviados por delícias que são enganosas e de vida curta – como a embriaguez, por exemplo, que paga por uma única hora de loucura hilariante via doença de muitos dias, ou como aplausos e a popularidade da aprovação entusiástica que são obtidos, e expiados, à custa de grande inquietação mental. 16. Reflita, portanto, sobre isso, que o efeito da sabedoria é uma alegria ininterrupta e contínua. A mente do sábio é como o firmamento ultra lunar; a eterna calma permeia essa região. Você tem, então, uma razão para desejar ser sábio, se o sábio nunca é privado de alegria. Essa alegria brota apenas do conhecimento de que você possui as virtudes. Ninguém exceto o corajoso, o justo, o autocontido, pode se alegrar. 17. E quando você pergunta: "O que você quer dizer? Não se alegram, os tolos e os ímpios?" Eu respondo, não mais do que leões que pegaram sua presa. Quando os homens se fatigarem com o vinho e a luxúria, quando a noite lhes falhar antes que a sua devassidão seja concluída, quando os prazeres que têm amontoado sobre um corpo que é pequeno demais para segurá-los começam a apodrecer, nesses momentos eles proferem em sua miséria aquelas linhas de Virgílio: "Tu sabes como, em meio a falsas alegrias brilhantes, nós passamos aquelas últimas noites." Os amantes do prazer passam todas as noites entre alegrias falsas e como se fossem as suas últimas. Mas a alegria que vem aos deuses, e àqueles que imitam aos deuses, não é interrompida, nem cessa; mas certamente cessaria se fosse emprestada do exterior. Exatamente porque não está no poder de outro para doar, também não está sujeita aos caprichos do outro. O que a Fortuna não deu, ela não pode tirar. LX. Sobre Orações Prejudiciais Será que a natureza nos deu barrigas tão insaciáveis, quando nos deu esses corpos insignificantes, que devemos superar os animais mais vorazes em ganância? De modo nenhum. Quão pequena é a quantidade que vai satisfazer a natureza? Um pouco vai mandá-la embora satisfeita. Não é a fome natural de nossas barrigas que nos custa caro, mas nossos desejos vorazes. Portanto, aqueles que, como diz Salústio, "ouvem suas barrigas", devem ser contados entre os animais, e não entre os homens; e certos homens, na verdade, devem ser contados, nem mesmo entre os animais, mas entre os mortos. Realmente vive quem é usado por muitos; realmente vive quem faz uso de si mesmo. Esses homens, entretanto, que se arrastam para um buraco e ficam torpes não são melhores em suas casas do que se estivessem em seus túmulos. Ali mesmo, na fachada de mármore da casa de tal homem, você pode inscrever seu nome, pois ele morreu antes de ter morrido. LXI. Sobre encontrar a morte alegremente Deixemos de desejar o que desejamos. Eu, pelo menos, estou fazendo isso: na minha velhice, deixei de desejar o que desejava quando era menino. Estou tentando viver todos os dias como se fosse uma vida completa. Não o arrebatarei de fato como se fosse o último; eu o considero, entretanto, como se pudesse mesmo ser meu último. A presente carta é escrita com isto em mente, como se a morte estivesse prestes a me chamar durante o próprio ato de escrever. Eu estou pronto para partir, e eu devo gozar a vida apenas porque não sou demasiadamente ansioso quanto à data futura de minha partida. Antes de envelhecer, tentei viver bem; agora que estou velho, vou tentar morrer bem; mas morrer bem significa morrer alegremente. Cuide para que você nunca faça nada de má vontade. O homem que faz alguma coisa sob ordens não é infeliz; é infeliz quem faz algo contra a sua vontade. Portanto, fixemos nossas mentes para que possamos desejar tudo o que é exigido de nós pelas circunstâncias e, acima de tudo, que possamos refletir sobre o nosso fim sem tristeza. Devemos preparar-nos para a morte antes de nos prepararmos para a vida. A vida está bem mobiliada, mas somos muito gananciosos em relação aos seus móveis; algo sempre nos parece faltar, e sempre parecerá faltar. Ter vivido o suficiente não depende nem de nossos anos, nem de nossos dias, mas de nossas mentes. Já vivi, meu caro amigo Lucílio, o suficiente. Eu tive minha satisfação; aguardo a morte. LXII. Sobre boa companhia Quanto a mim, Lucílio, o meu tempo é livre; é de fato livre, e onde quer que eu esteja, sou mestre de mim mesmo. Pois não me entrego a meus negócios, mas empresto-me a eles, e não busco desculpas para desperdiçar meu tempo. É possível a qualquer homem desprezar todas as coisas, mas impossível a alguém possuir todas as coisas. O atalho mais curto às riquezas é desprezar as riquezas. LXIII. Sobre sofrimento por amigos perdidos Vamos cuidar para que a lembrança daqueles que perdemos se torne uma agradável lembrança para nós. Eu prefiro que abandone o sofrimento, em vez de deixar o sofrimento abandoná-lo (...) Portanto, pensemos continuamente tanto sobre nossa própria mortalidade como sobre a de todos aqueles que amamos. "Meu amigo Sereno é mais jovem do que eu, mas o que importa? Ele poderia morrer naturalmente depois de mim, mas ele também poderia me preceder." O que quer que possa acontecer a qualquer momento pode acontecer hoje. E talvez, se somente a fábula contada por homens sábios for verdadeira e houver um nirvana para nos receber, então aquele que nós pensamos que nós perdemos foi enviado somente em nossa frente. LXIV. Sobre a tarefa do Filósofo Quero algo para superar, algo em que posso testar minha resistência. Pois esta é outra qualidade notável que Séxtio possui: ele lhe mostrará a grandeza da vida feliz e mesmo assim não o fará desesperar-se por alcançá-la; você vai entender que está alto, mas que é acessível para aquele que tem a vontade de buscá-la. E a própria virtude terá o mesmo efeito sobre você, de fazê-la admirá-la e ainda assim esperar alcançá-la. Em meu próprio caso, de qualquer modo, a própria contemplação da sabedoria toma muito do meu tempo; olho para ela com perplexidade, assim como às vezes olho para o próprio firmamento, que muitas vezes vejo como se eu o visse pela primeira vez. Por isso adoro as descobertas da sabedoria e seus descobridores; pois receber, por assim dizer, a herança de muitos predecessores é uma delícia. Foi para mim que eles guardaram este tesouro; era para mim que eles trabalhavam. Mas devemos desempenhar o papel de um cuidadoso chefe de família; devemos aumentar o que herdamos. Esta herança passará de mim para os meus descendentes maior do que antes. Muito ainda resta por fazer, e muito permanecerá por ser feito, e aquele que nascerá a mil séculos não será impedido de acrescentar algo mais. Mas mesmo que os velhos mestres tenham descoberto tudo, uma coisa será sempre nova (...) LXV. Sobre a Primeira Causa (Deus) Nossos filósofos estoicos, como você sabe, declaram que há duas coisas no universo que são a fonte de tudo: a causa e a matéria. Matéria jaz lenta, uma substância pronta para qualquer uso, mas certa de permanecer desempregada, se ninguém a coloca em movimento. A causa, no entanto, pela qual queremos dizer a razão, molda a matéria e a transforma em qualquer direção que deseja, produzindo assim vários resultados concretos. Consequentemente, deve haver, no caso de cada coisa, aquilo de que é feita, e, em seguida, um agente pelo qual ela é feita. O primeiro é o seu material, este último a sua causa. Toda arte não é senão imitação da natureza; portanto, deixe-me aplicar essas declarações de princípios gerais às coisas que devem ser feitas pelo homem. Uma estátua, por exemplo, necessitou de matéria a ser tratada pelas mãos do artista, e teve um artista que deu forma a matéria. Assim, no caso da estátua, o material era de bronze, a causa era o trabalhador. E assim acontece com todas as coisas, – elas consistem no que é feito e no criador. Os estoicos acreditam em uma única causa – o criador; mas Aristóteles pensa que a palavra "causa" pode ser usada de três maneiras: "A primeira causa", diz ele, "é a matéria real, sem a qual nada pode ser criado. A segunda é o operário. A terceira é a forma, que está gravada em cada obra, – uma estátua, por exemplo." Esta última é o que Aristóteles chama de idos. "Há, também," diz ele, "uma quarta, – o propósito do trabalho como um todo." Agora vou mostrar-lhe o que esta última significa. Bronze é a "primeira causa" da estátua, pois nunca poderia ter sido feita a menos que houvesse algo que pudesse ser moldada. A "segunda causa" é o artista; pois sem as mãos hábeis de um trabalhador o bronze não poderia ter sido moldado para os contornos da estátua. A "terceira causa" é a forma, na medida em que a nossa estátua nunca poderia ser chamada de O Portador da Lança ou O Garoto Prendendo seu Cabelo caso não tivesse esta forma especial estampada sobre ela. A "quarta causa" é o propósito do trabalho. Pois, se este propósito não existisse, a estátua não teria sido feita. Agora, qual é esse propósito? É o que atraiu o artista? O que ele seguiu quando ele fez a estátua? Pode ter sido dinheiro, se a fez para venda; ou renome, se tem trabalhado para a reputação; ou a religião, se a forjou como um presente para um templo. Portanto, esta também é uma causa contribuindo para a realização da estátua; ou você acha que devemos evitar incluir, entre as causas de uma coisa que foi feita, esse elemento sem o qual a coisa em questão não teria sido feita? A estes quatro Platão acrescenta uma quinta causa, – a matriz que ele mesmo chama de "ideia"; pois é isso que o artista olhou quando criou a obra que decidira realizar. Agora, não faz diferença se ele tem esse padrão fora de si mesmo, que ele pudesse dirigir seu olhar, ou dentro de si mesmo, concebido e colocado lá por si mesmo. Deus tem dentro de si estes padrões de todas as coisas, e sua mente compreende as harmonias e as medidas da totalidade das coisas que devem ser realizadas; Ele está cheio dessas formas que Platão chama de "ideias" – imperecíveis, imutáveis, não sujeitas à decadência. E, portanto, embora os homens morram, a própria humanidade, ou a ideia de homem, segundo a qual o homem é moldado, permanece e, embora os homens labutem e pereçam, não sofre mudança. Consequentemente, há cinco causas, como diz Platão: o material, o agente, a maquiagem, o modelo e o fim em vista. Por último vem o resultado de todos estes. Assim como no caso da estátua, para voltar à figura com a qual começamos, o material é o bronze, o agente é o artista, a maquiagem é a forma que se adapta ao material, o modelo é o padrão copiado pelo agente, o fim em vista é o propósito na mente do criador, e, finalmente, o resultado de tudo isso é a própria estátua. O universo também, na opinião de Platão, possui todos esses elementos. O agente é Deus; a fonte, a matéria; a forma, o contorno e a disposição do mundo visível. O modelo é sem dúvida o modelo segundo o qual Deus fez esta grande e mais bela criação. O propósito é seu objetivo ao fazê-lo. Você pergunta qual é o propósito de Deus? É bondade. Platão, pelo menos, diz: "Qual foi a razão de Deus para criar o mundo? Deus é bom, e nenhuma pessoa boa é invejosa de algo que é bom. Por isso, Deus fez dele o melhor mundo possível". Transmita sua opinião, então, ó juiz; declare quem lhe parece dizer o que é mais verdadeiro, e não quem diz o que é absolutamente verdadeiro. Pois fazer isso está tão além da nossa compreensão quanto a própria verdade. Essa multidão de causas, definida por Aristóteles e Platão, abraça muito ou muito pouco. Pois se eles consideram como "causas" de um objeto que deve ser feito tudo sem o qual o objeto não pode ser feito, eles nomearam muito poucos. O tempo deve ser incluído entre as causas; pois nada pode ser feito sem tempo. Eles também devem incluir lugar; pois se não houver lugar onde uma coisa possa ser feita, ela não será feita. E movimento também; nada é feito ou destruído sem movimento. Não há arte sem movimento, nenhuma mudança de qualquer tipo. Agora, no entanto, estou procurando a primeira, a causa geral; isso deve ser simples, na medida em que a matéria, também, é simples. Perguntamos qual é a causa? É certamente a Razão Criativa, – em outras palavras, Deus. Pois aqueles elementos a que você se refere não são uma grande série de causas independentes; todos dependem de um só, e essa será a causa criadora. Você sustenta que a forma é uma causa? Isto é somente o que o artista carimba em seu trabalho; é parte de uma causa, mas não a causa. Nem o modelo é uma causa, mas um instrumento indispensável da causa. Seu modelo é tão indispensável ao artista como o cinzel ou a lixa; sem estes, a arte não pode fazer nenhum progresso. Mas, por tudo isso, essas coisas não são partes da arte, nem causas dela. "Então", talvez você diga, "o propósito do artista, o que o leva a se comprometer a criar algo, é a causa". Pode ser uma causa; não é, no entanto, a causa eficiente, mas apenas uma causa acessória. Mas há inúmeras causas acessórias; O que estamos discutindo é a causa geral. Ora, a declaração de Platão e de Aristóteles não está de acordo com suas acuidades mentais usuais, quando sustentam que todo o universo, a obra perfeitamente trabalhada, é uma causa. Pois há uma grande diferença entre um trabalho e a causa de um trabalho. Mas você vai responder: "Que prazer você tem de desperdiçar seu tempo nesses problemas, que não o aliviam de nenhuma de suas emoções, não derrotando nenhum de seus desejos?" No que me diz respeito, trato-os e discuto-os como assuntos que contribuem grandemente para acalmar o espírito, e eu me estudo primeiro, e depois o mundo em torno de mim. E nem mesmo agora, como você pensa, estou desperdiçando meu tempo. Pois todas estas questões, desde que não sejam cortadas e despedaçadas em tais refinamentos não rentáveis, elevam e iluminam a alma, que é presa por um fardo pesado e deseja ser libertada e voltar aos elementos de que foi uma vez parte. Pois este nosso corpo é um peso sobre a alma e seu castigo; sob o peso desta carga a alma é esmagada e está em cativeiro, a menos que a filosofia venha em sua assistência e ofereça-lhe tomar coragem nova, contemplando o universo, e transformando coisas terrenas em coisas divinas. Lá tem sua liberdade, lá pode vagar amplamente; entretanto, escapa da prisão em que está presa e renova a sua vida no céu. Não devo perguntar quais são os primórdios de todas as coisas, quem moldou o universo, quem tomou o conjunto confuso e conglomerado de matéria e a separou em suas partes? Não posso perguntar quem é o Mestre Construtor deste universo, como o poderoso volume foi trazido sob o controle da lei e da ordem, quem reuniu os átomos dispersos, quem separou os elementos desordenados e atribuiu uma forma exterior aos elementos que estavam num vasto amálgama disforme? De onde veio toda a expansão de luz? E se é fogo, ou mesmo mais brilhante do que o fogo? Não devo fazer essas perguntas? Devo ignorar as alturas de onde eu desci? Se vou ver este mundo só uma vez, ou nascer muitas vezes? Qual é o meu destino depois? Que morada aguarda minha alma em sua libertação das leis da escravidão entre os homens? Você me proíbe de ter um quinhão do céu? Em outras palavras, você me manda viver cabisbaixo? Não, eu estou acima de tal existência; eu nasci para um destino maior do que para ser um mero objeto do meu corpo, e eu considero este corpo como nada, mas uma corrente que restringe minha liberdade. Portanto, eu o ofereço como uma espécie de para-choques à fortuna, e não permitirei que nenhum ferimento penetre minha alma. Pois meu corpo é a única parte de mim que pode sofrer lesões. Nesta morada, que está exposta ao risco, minha alma vive livre. Nunca esta carne me levará a sentir medo ou a assumir qualquer falsa aparência que seja indigna de um homem bom. Nunca vou mentir para honrar este pequeno corpo. Quando me parece apropriado, romperei minha ligação com ele. E, no momento, enquanto estivermos unidos, nossa aliança não será, no entanto, uma de igualdade; A alma trará todas as querelas diante de seu próprio tribunal. Desprezar nossos corpos é liberdade certa. Retornando ao nosso assunto; esta liberdade será grandemente ajudada pela contemplação do que estávamos falando a pouco. Todas as coisas são feitas de matéria e de Deus; Deus controla a matéria, que o engloba e o segue como seu guia e líder. E aquele que cria, em outras palavras, Deus, é mais poderoso e precioso do que a matéria, que é submetida a Deus. O lugar de Deus no universo corresponde à relação da alma com o homem. O mundo material corresponde ao nosso corpo mortal; portanto, o inferior serve o mais elevado. Sejamos corajosos diante dos perigos. Não temamos injustiças, nem feridas, nem amarras, nem pobreza. E o que é a morte? É o fim, ou um processo de mudança! Não tenho medo de deixar de existir; é o mesmo que não ter começado. Nem me acovardo de mudar para outro estado, porque eu, sob nenhuma circunstância, estarei tão constrangido como estou agora.

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    Lucius Annaeus Seneca

    Lúcio Aneu Sêneca (em latim: Lucius Annaeus Seneca; Corduba, 4 a.C. — Roma, 65 d.C.) foi um dos mais célebres escritores e intelectuais do Império Romano. Conhecido também como Sêneca, o Moço, o Filósofo, ou ainda, o Jovem, sua obra literária e filosófica, tida como modelo do pensador estoico durante o Renascimento, inspirou o desenvolvimento da tragédia na dramaturgia europeia renascentista.

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    Hispania, Império Romano

    Lucius Annaeus Seneca