DNF - 30%
Não há nada de errado com o livro. CG Drews escreve muito bem e conseguiu captar o espírito adolescente na fala e no comportamento dos personagens. Também retratou muito bem uma casa caótica dominada por muitos adolescentes e muitas crianças.
Só não é um livro para mim e eu só percebi quando comecei a lê-lo. Sam e seu irmão vivem numa situação muito ruim em que nada é certo e o desejo deles é ter uma casa própria, mas por enquanto o que eles fazem é sobreviver a mais uma hora para conseguir comida, sobreviver mais um pouco para terem onde dormir.
Não consigo visualizar Avery como um adolescente autista de 17 anos. Graças à proteção excessiva do irmão mais novo, ele parece uma criança que estoura quando suas vontades não são atendidas. Não é culpa nem de Avery, pois ele é autista e o mundo não abraça sua condição, nem de Sam que tem apenas 15 anos, sequer terminou os estudos e por isso não tem como saber ou pensar em terapias e alternativas para controlar seu irmão.
Devido a minha criação, tive problemas com a família que acolhe Sam. Veja, trata-se de uma família com 7 filhos cujas idades variam de 19 a 1 ano de idade. A mãe morreu e só tem o pai pra cuidar da casa e da criação deles. E ele trabalha fora.
Só tem o pai? Bom, mais ou menos, porque como ele é apenas um e há 7 seres humanos na casa para ele dar conta, os mais velhos dividem a responsabilidade de criação dos caçulas. No caso, Moxie. A filha mais velha, o que pareceu um pouco de machismo. Os garotos passarão as férias indo ao trabalho do pai para ganharem experiência e, ao que parece, Moxie terá experiência como dona de casa e mãe de filhos que não são seus.
Sobre a minha criação: meus pais simplesmente abominam essa ideia de irmão ser babá de irmão porque os responsáveis aka pais estão indisponíveis. Por isso eles se planejaram para que eu e minha irmã tivéssemos pouca diferença de idade. Assim, uma vigia a outra. Então, ver Moxie, aos 15 anos, presa em casa nas férias dando banho nos irmãos, limpando nariz e colocando para dormir me irrita e incomoda. Crianças devem ser crianças, adolescentes devem ser livres para serem adolescentes. Adultos deveriam saber disso.
Bom, o mundo não é perfeito e, às vezes, crianças e adolescentes não podem agir como tais, mas não significa que me irrite menos isso.
Tem o adendo de que a mãe de Moxie - e dos seus irmãos - morreu de câncer. Um câncer que ela descobriu após parir um dos seus zilhões de filhos e descobriu que retornou na gravidez do caçula. Ela optou por seguir com a gravidez ao invés de fazer quimioterapia e me pergunto se ela chegou a pensar em QUEM cuidaria dos filhos quando ela morresse.
Basicamente decidi abandonar a leitura porque este livro me deixou aflita por Sam, Avery, Moxie e seus irmãos; e puta com a irresponsabilidade dos adultos que jamais serão punidos.
Mas recomendo o livro. Traz uma mensagem bonita, aborda assuntos importantes e até onde li a abordagem foi muito responsável.