O livro apresenta uma análise bem focada do contra-ataque à segunda onda do feminismo estadunidense nos anos 80, então não dá pra esperar que leve em conta outras realidades, embora seja evidente que vários outros grupos dentro do movimento sofreram as consequências disso.
Achei a leitura bastante cansativa em alguns pontos, o que é natural até pela riqueza de detalhes da pesquisa base. Porém, no final, o que conta é a relevância desse trabalho, que, na minha opinião, deveria ser lido e servir de inspiração eterna para pesquisas semelhantes em outros locais, tempos e grupos.
É incrível como fica evidente que estamos vivendo em um novo e ainda mais perigoso backlash. Tem passagens no livro em que a autora cita absurdos já superados nos anos 80, que nós acabamos normalizando de novo depois dos anos 2010, e que estão cada vez mais difundidos e superestimados. É revoltante e assustador.
De qualquer forma, leitura muito instrutiva pra quem gostaria de entender melhor as armas do contra-ataque, como a mídia e a moda, até pra poder se defender delas, por mais impossível que isso pareça nesses tempos difíceis.