A metafísica platónica determinou o destino da simbólica da luz na linguagem e no pensamento ocidental. Esta tese interpreta e recupera as dimensões fundamentais da linguagem da luz e das trevas num tempo anterior ao do pensamento metafísico - especificamente na poesia dramática de Sófocles. Aí, tal linguagem é expressão dos grandes determinantes da existência humana. A finitude do herói sofocliano, experienciada na situação trágica, leva-o a sentir-se como um unicum, marcado por uma referência distorcida à luz e às trevas. Essa distorção toma a forma de um paradoxo tal que as trevas se enchem de luz e a luz de trevas, de modo a que cada um dos contrários se converta em portador e significante do seu oposto. Este paradoxo ganha, no entanto, expressão diferenciada nas várias tragédias do dramaturgo.
