Hagar (Mulheres da Bíblia) - A Pérola Do Deserto

    Assad Bechara

    Assad
    2014
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788591720828
    Português Brasileiro

    “Um livro com proposta e propósitos sério” Doutor Ruben Aguilar, emérito professor de Antigo Testamento do UNASP-EC “Um dos melhores livros sobre como salvar um lar em ruínas” Administrador e Pastor Manuel Xavier de Lima “O fio da graça divina permeia toda a trama do livro” Pastor Marcio Filipe Rocha, doutorando em Islamismo e Pastor da Comunidade Árabe Aberta de São Paulo “Mensagem transcultural magistralmente contextualizada para ajudar as famílias pós-modernas” Pastor João Claudio Chaguri, doutorando em Islamismo e Pastor da Igreja Adventista de São Caetano “Linguagem agradável, franca, aberta, que contribui para a compreensão do texto sagrado, preenchendo uma lacuna na literatura das três grandes religiões monoteístas” Pastor Ronaldo Alberto de Oliveira, Igreja Adventista Central de São Paulo “Os conceitos apresentados nesta obra caracterizam o papel ativo que devemos desempenhar para proteger o círculo sagrado de nossa família. É um surpreendente, cuidadoso e profundo estudo que retrata, como nunca se viu antes, os meandros da natureza humana sem máscaras nem cosméticos diante da acolhedora intervenção terapêutica da graça divina” Gilmara Ebers, psicóloga “Uma obra fascinante! Comecei a ler e confesso que não tinha vontade de parar. Ora o Dr. Bechara utiliza expressões bem coloquiais, ora ergue sua voz textual com grande propriedade e envergadura, dando ao fluxo narrativo admirável riqueza vocabular. Estou certo de que Deus tem bênçãos a derramar sobre os leitores de Hagar – A Pérola do Deserto” Edley Matos dos Santos, editor e professor de língua portuguesa.

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    Kelly Oliveira Barbosa03/08/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Hagar é uma personagem bíblica que sempre me intrigou. A história dela no lar de Abraão e Sara, sua sinistra participação nessa família, e como tudo se desenvolveu do começo ao fim é no mínimo curioso para qualquer leitor atento. Lemos a Bíblia de modo tão automático as vezes, que ao ler que Sara entregou Hagar, sua escrava, à Abraão para que por meio dela pudesse ter filhos (Gn 16:2), destacando o plural “filhos” o que quer dizer que Sara entregava Hagar para ser uma espécie de segunda mulher de Abraão, corremos o risco de inconscientemente ter essa escrava como um robô que poderia ser ligado e desligado a qualquer momento sob as ordens de Sara. Ou mesmo considerar que o patriarca era de plástico, e que não se envolveu ao se relacionar com a escrava. Ou ainda, que Sara ficou tranquila quando dormiu sozinha na tenda enquanto seu plano estava em plena execução. No entanto, não devemos esquecer: Abraão, Sara e Hagar eram humanos, humanos como nós, sujeitos as mesmas paixões [1]. O amor de um homem por duas mulheres ou de uma mulher por dois homens, não consta no plano divino para a o ser humano. Onde há bigamia, sempre existirão graves problemas de relacionamento. O que aconteceu nesse lar foi uma tragédia, um erro, um equívoco que só Deus poderia corrigir e redimir. O ponto alto desse livro é justamente esse: ao explorar esse episódio das Escrituras nos fazer refletir sobre a decadência e complexidade da natureza humana e principalmente, sobre a Onipotência de Deus que “apesar de nós” cumpre o seu propósito eterno na história. A proposta de Assad Bechara nesse livro que abre sua série sobre as mulheres da Bíblia, é fazer uma análise comportamental de Hagar o que se estende ao desenvolvimento de tudo o que aconteceu nesse lar, o lar do patriarca, amigo de Deus, pai da fé, Abraão. Seu foco se dá especificamente ao que está registrado nos capítulos 16 e 21 de Gênesis. [Caso você desconheça a história bíblica de Hagar, é recomendável que você leia os dois capítulos de Gênesis citados acima antes de continuar 😉 ] Hagar Hagar segundo o autor, é uma personagem importante não só para o cristianismo, mas para o judaísmo e o islamismo. Em sua análise, ele utilizou além da bíblia, o alcorão e outros textos antigos, que enriqueceram muito sua narrativa em detalhes sobre o contexto, costumes, cultura… em que esses acontecimentos se passaram. Uma escrava egípcia. Hagar vinha de um país com sistema religioso pagão. É admirável como sua passagem extremamente complicada pela família de Abraão a coloca frente a frente com o Criador do Universo. E como se deu isso? Não suportando o jugo de Sara, grávida, a escrava foge para o deserto e ali é encontrada pelo Criador. Hagar é encontrada por Deus no deserto, e ela o reconhece: era o mesmo Deus da sua senhora e do seu senhor. É assim que Hagar se torna símbolo da conversão dos povos pagãos não apenas aprendendo do Mestre dos Mestres noções básicas de criacionismo, mas também a mensagem do resgate e da salvação. Não mais o deus sol, mas o Sol da Justiça iluminaria os seus caminhos. Assim, ela tipifica a conversão de milhões de povos gentílicos à graça redentora. O Senhor olhou para ela. Hagar foi a primeira mulher na História Sagrada a quem Deus se dirige diretamente. Ela reage. Depois de ser corrigida e aconselhada, de saber pelo próprio Altíssimo que o bebê no seu ventre era um menino e receber promessas a cerca dessa criança, ela o invoca, chamando-o de “Tu és o Deus que me vê”. Contra tudo o que se poderia imaginar mediante aquela situação, uma escrava egípcia fugitiva declara: “Tu és o Deus que me vê” – Glória Deus! Sara Sobre Sara. Durante essa leitura como um texto complementar li o sermão do Spurgeon “Sara e Suas Filhas”. A soma desses dois textos sobre Sara me fizeram perceber o peso das palavras de Isaías 51:2: “Olhai para Abraão, vosso pai, e para Sara, que vos deu à luz, porque, sendo ele só, o chamei, e o abençoei e o multipliquei.” Qualquer estudo sério sobre feminilidade bíblica deve se deter longamente em Sara, pois ELA FOI UMA GRANDE MULHER. Spurgeon de forma maravilhosa como sempre tratou das virtudes de Sara que o apóstolo Pedro destacou em sua primeira epístola capítulo 3 verso 6: ela fazia o bem e não temia nenhum espanto. Bechara por sua vez, discorre sobre o erro de Sara: como Eva passou o fruto proibido para Adão, Sara entregou Hagar nos braços de Abraão. Onde ela estava com a cabeça? Contudo sabemos: Sara foi perdoada e abençoada. Ela errou? Errou feio. Mas ainda assim, Sara foi incrivelmente submissa ao seu marido, chamando-o de senhor mesmo sendo jogada por ele na mão de dois reis (Faraó rei do Egito e Abimeleque o rei de Gerar) e, mesmo o seguindo pelo deserto por toda a sua vida. Sara é um exemplo de submissão no casamento, é também um exemplo de uma mulher que soube se posicionar na hora certa. As Escrituras nos conta que depois do nascimento de Isaque ela falou para Abraão mandar Hagar embora [2]. Além de Ismael não ser o filho da promessa, conforme Assad Bechara destaca, aquele erro de entregar Hagar à Abraão estava sendo corrigido, estava sendo fechada a possibilidade que seu marido se deitasse com outra mulher que não fosse ela. A resposta de Deus nessa ocasião ao patriarca foi: Não se perturbe por causa do menino e da serva. Faça tudo que Sara lhe pedir, pois Isaque é o filho de quem depende a sua descendência. [3] Há muito o que eu gostaria ainda de comentar sobre esse livro, talvez o faça em outros posts. Foi uma leitura surpreendente e mesmo considerando alguns pontos que discordo da teologia do autor. A escrita de Assad Bechara é maravilhosa. Simples e poética, acessível e bela. A narrativa não é linear, ele vai e volta no texto, nas falas, nos encontros e desencontros; levando o leitor a meditar cada vez mais profundamente sobre o que diz o texto bíblico e suas implicações. Achei incrível como ele conectou esse corte da história de Abraão com outros da história do povo hebreu. Para citar um exemplo: “Sara fez com uma filha do Egito o que os egípcios fariam mais tarde com os filhos de Sara.” Outro ponto muito interessante também, é a capacidade do autor de escrever sobre a natureza feminina. Já li diversos livros de não ficção e ficção em que autores homens tentaram o mesmo, mas como mulher e leitora, é a primeira vez que vejo um homem escrevendo sobre a alma feminina que realmente me identifiquei, que pensei “nossa! como ele conseguiu” rs. Incrível! [1] Parafraseando Tiago 5:17 [2] Gênesis 21:10 [3] Gênesis 21:12 NVT

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