Eu geralmente não sou fã de romances de época. Na verdade não tenho nada contra, claro, só não é meu gênero favorito. Particularmente, a maior parte dos livros do gêneros me resultam leituras rasas, que independentemente de serem bem escritas ou não, terminam sendo esquecidas em algum canto da minha mente depois de alguns meses. Nem sequer me deixam ávida por ler o que vai acontecer depois.
Só que Lisa Kleypas acabou de mudar isso com sua série The Ravenels.
O primeiro livro foi uma boa surpresa. O segundo, para mim, tinha sido o melhor (eu amo casais desproporcionais mas estranhamente compatíveis, como Rhys e Helen). O terceiro, o mais fraco da série, mas com eventos imprescindíveis para o quarto livro.
E o quarto? Simplesmente o melhor da série e um dos melhores do gênero que li até agora.
Lisa Kleypas entrega tudo. Uma protagonista decidida e confiante, mas nada arrogante e sabe admitir quando não consegue lidar com uma situação ou quando não sabe de algo. Um perigoso e misterioso detetive (vamos dizer que sua profissão é assim) que atua à margem da lei, com segredos e mágoas tão grandes quanto as habilidades de seduzir através das páginas.
Dois protagonistas completamente não convencionais. A Dra Garret Gibson, inspirada na primeira mulher médica da Inglaterra, e o detetive Ethan Ramson, um Ravenel ilegítimo e um enorme problema político que deve resolver.
O que eu mais gosto da autora é como ela descreve a atração entre os personagens de forma natural e convincente. Eu já imaginava nos livros anteriores que os dois ficariam juntos, mas Pai do céu... Ninguém me preparou para tamanha química entre Garret e Ethan.
E os dois se adoram. Inclusive, não perdem tempo em confessar sua atração e, posteriormente, o afeto que um sente pelo outro. O problema jamais foi esse ponto em questão, pelo contrário, esse era um ponto de unânime concordância. O problema era a conspiração que Ethan se vê envolvido, que pode custar milhares de vidas inocentes, o autogoverno da Irlanda, a vida da mulher que ama e a sua própria, e tudo isso pela mão do homem a quem sempre considerou como um pai. E que quase me dá um ataque cardíaco lendo. Eu passei toda a madrugada lendo, e se bem não me preocupava a possibilidade de um final trágico devido ao estilo da autora, ainda assim estive em um estado de tensão me perguntando "e agora? Como vão sair dessa?"
E outro ponto alto da história: o ressentimento não resolvido de Ethan pelos Ravenel. Eu achei lindo a forma como a atual geração Ravenel não só o ajuda, mas também lhe abre a porta para que Ethan se junte a eles. Ele, quem sempre esteve sozinho, quem fora rejeitado, quem achava que era o único quem tinha feridas que esconder.
No mais, que os Ravenels anteriores, como o conde Edmund e o pai de West e Devon, queimem no inferno porque é isso o que merecem.
Se eu recomendo o livro? Recomendo totalmente. A série vale a pena como forma de entretenimento, e também pela riqueza de detalhes históricos que a autora inseriu em sua obra. Ethan e Garret merecem o mundo, só por me fazer ler avidamente um romance de época.