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    Elmet -

    Fiona Mozley

    John Murray
    2018
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9781473676497
    4.3
    2 avaliações
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    Daniel is heading north. He is looking for someone. The simplicity of his early life with Daddy and Cathy has turned menacing and fearful. They lived apart in the house that Daddy built for them in the woods with his bare hands. They foraged and hunted. Cathy was more like their father: fierce and full of simmering anger. Daniel was more like their mother: gentle and kind. Sometimes, their father disappeared, and would return with a rage in his eyes. But when he was at home, he was at peace. He told them that the little copse in Elmet was theirs alone. But that wasn't true. Local men, greedy and watchful, began to circle like vultures. All the while, the terrible violence in Daddy grew. Brutal and beautiful in equal measure, Elmet is a compelling portrayal of a family living on the fringes of contemporary society, as well as a gripping exploration of the disturbing actions people are capable of when pushed to their limits.

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    Tiago Germano picture
    Tiago Germano02/05/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Imagine o universo de Comarc McCarthy transportado do sul dos Estados Unidos para o norte da Inglaterra e você terá uma pista do que é Elmet, romance de estreia da jovem escritora britânica Fiona Mozley. Considerado a “zebra” entre os indicados ao Man Booker Prize em 2017 (ano em que venceu Lincoln no Limbo, de George Saunders), o livro é de uma prosa lapidar, não apenas em sua linguagem extremamente poética (transitando entre Faulkner, Rulfo e o já citado McCarthy) mas também em seu enredo surpreendentemente empolgante. Rural, tanto em sua atmosfera ambientada nos rincões do campo (uma paisagem completamente destoante da Inglaterra metropolitana, mais consagrada pela literatura contemporânea), quanto na composição dos personagens (essencialmente rústicos, falando um idioma marcado por certa sintaxe regional), a narrativa começa nos apresentando a vida pacata de Danny, garoto que vive com a irmã adolescente, Cathy, sob a proteção de John, o homem a quem quase sempre se referem como “Daddy”. Os três possuem uma cabana na propriedade do execrável Mr. Price, um latifundiário que percorre suas terras intimidando os trabalhadores com sua Land Rover, escoltado pelos dois filhos também adolescentes e sua gangue de capangas. Embora o início da ficção seja muito mais um exercício de deslumbramento estético, uma tentativa nada tímida de compor um retrato desta vida prosaica – por vezes carregando nas tintas e distanciando um pouco o leitor do que logo se revelará o motor da história -, as reviravoltas logo se operam quando a figura de Mr. Price começa a cercar John ao passo que Danny e Cathy se aproximam dos seus dois filhos, eferência mais próxima de uma “vida civilizada” para a qual ambos não foram educados. Leia também: Cinema, Empatia e Alteridade: O Martírio dos Guarani-kaiowá A partir daí, o drama evoluí num fôlego quase de thriller, com direito a rinhas clandestinas e um final catártico que parece antecipar, na literatura, a tendência que o cinema, desde o ano passado, vem explorando com seus banhos de sangue com conotações de expurgo. Tudo isso sem deixar de dar conta de nuances como a ambiguidade sexual que ronda Danny (o narrador em primeira pessoa), o passado misterioso da mãe desconhecida e a difícil condição de Cathy: uma adolescente prestes a se tornar uma mulher, presa fácil dos “lobos” que a espreitam do bosque e não compartilham de seu senso de virtude e de honra. Neste cenário, a violência emerge das mãos de John, o ex-pugilista que tenta insuflar os trabalhadores contra Mr. Price a fim de lutarem por seu quinhão de terra, ao mesmo tempo que se debate contra o passado misterioso que o uniu à mãe dos filhos e à tirania do fazendeiro. Se estas tensões camponesas não soam reais num país como a Inglaterra, pouco importa: Mozley as tornam verossímeis e universais, facilmente transportáveis mesmo ao contexto atemporal da nossa América Latina, sempre banhando seu chão com o suor e o sangue das lavouras. Talvez porque suor e sangue transbordem das páginas de “Elmet”, conferindo-lhe vida e movimento a ponto de, ao final da leitura, emergimos deste mundo como se ele fosse parâmetro para o que nos cerca, e não o contrário. A melhor qualidade, afinal, que qualquer bom livro pode ter.

    6 curtidas

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    Avaliações

    4.3 / 2
    • 5 estrelas50%
    • 4 estrelas50%
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