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    O crime do cais do Valongo -

    Eliana Alves Cruz

    Malê
    2018
    202 páginas
    6h 44m
    ISBN-13: 9788592736279
    Português Brasileiro
    4.2
    1020 avaliações
    Leram1308Lendo74Querem1116Relendo1Abandonos25Resenhas218
    Favoritos60Desejados1116Avaliaram1020

    Um corpo amanhece em um beco, envolto em uma manta e com pequenas partes cortadas. O crime do cais do Valongo, de Eliana Alves Cruz, é um romance histórico-policial que começa em Moçambique e vem parar no Rio de Janeiro, mais exatamente no Cais do Valongo. O local foi porta de entrada de 500 mil a um milhão de escravizados de 1811 a 1831 e foi alçado a patrimônio da humanidade pela UNESCO em 2017. A história acontece no início do século 19 e é contada por dois narradores — Muana e Nuno — que conviveram com a vítima: o comerciante Bernardo Vianna.

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    Janaína Edwiges   picture
    Janaína Edwiges 07/05/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "Escravo era compra, compra vale dinheiro e o que se compra com dinheiro é propriedade"

    Segundo informações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Cais do Valongo foi o maior complexo de comércio escravagista das Américas. O Brasil foi o país que mais recebeu cativos trazidos da África e o Rio de Janeiro foi seu principal porto a partir de fins de século XVIII, sendo a região do Valongo o local de entrada e o centro do comércio escravagista na cidade naquela época. O cais foi construído em 1811, no local que desde 1774 recebia com exclusividade os africanos escravizados que entravam no Brasil através do porto do Rio de Janeiro. Nesse ambiente funcionava o mercado de escravos, que incluía os depósitos e armazéns de escravos, o Cemitério dos Pretos Novos, que recebia os corpos daqueles que não resistiam às duras condições da travessia atlântica, e o Lazareto da Gamboa, destinado à quarentena dos escravos doentes recém-chegados. É neste cenário tão vergonhoso da nossa história que Eliana Alves Cruz situa sua envolvente narrativa: quem foi o responsável pela morte do desprezível comerciante branco Bernardo Lourenço Viana? Mas o grande mérito do livro está em imergir o leitor na estrutura do comércio escravagista, propiciando o contato com as tradições religiosas africanas, a percepção da crueldade dos tumbeiros (navios negreiros) e o entendimento das condições de vida e trabalho dos escravizados. A cada página, somos expostos às dores e sentimentos daqueles que foram arrancados de suas terras e trazidos à força para este lado do Atlântico, se tornando propriedades e sendo expostos a todo tido de violência e humilhação.

    58 curtidas

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    Eliana Alves Cruz profile picture

    Eliana Alves Cruz

    Eliana Alves Cruz é carioca, escritora e jornalista pós-graduada em comunicação empresarial na Universidade Cândido Mendes. Trabalhou como gerente de imprensa da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos e cobriu 15 campeonatos mundiais, seis Jogos Pan-Americanos e seis Jogos Olímpicos. Vencedora do concurso de romances da Fundação Cultural Palmares/MINC 2015, com Água de Barrela, história baseada na trajetória de sua família, desde a metade do século 19, na África, até nossos dias. Autora na ocletânea Cadernos Negros 39 (poesias) e 40 (contos), do Quilombhoje literatura. Também está no livro Perdias, histórias para crianças que não tem vez; da Imã Editorial. Publica no site The Intercept, abordando temas relacionados ao racismo e à escravidão.

    18 Livros
    253 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Eliana Alves Cruz