Peomas -

    Leandro Jardim

    Oito e Meio
    2014
    80 páginas
    2h 40m
    ISBN-13: 9788563883599
    Português Brasileiro

    Já no título, este livro nos instiga. Peomas é o quarto livro de Leandro Jardim, autor também de Todas as vozes cantam, Os poemas que não gostamos dos nossos poetas favoritos e Rubores. Novamente, o poeta, contista, letrista e compositor oferece ao leitor, a partir de um competente exercício de metalinguagem, a oportunidade de se pensar ludicamente a literatura. Sim, Leandro é daqueles autores que encaram a escrita como um ofício (ainda que lúdico e prazeroso) e em cuja obra podemos entrever um projeto, um pensamento sobre o próprio fazer literário. Em seus livros há sempre uma hipótese do que pode vir a ser a poesia, a literatura, a autoria. Em Todas as vozes, por exemplo, a sugestão de que basta estar na linguagem para ser poeta. Agora, emPeomas, a insinuação é a de que a poesia pode estar no simples rearranjar dos signos. E se não é nova a hipótese (já tão levada a cabo por movimentos de vanguarda como o surrealismo e a pop-art) de que o que resta ao artista hoje é combinar e recombinar aquilo que já foi dito afim de que outros sentidos sejam produzidos, é única (e agradabilíssima ao leitor) a maneira como Jardim a testa ao longo deste novo livro. (Eu tenho escrito peomas,/ debruçado-me em porsas/ e parcas cançeõs/ alheias; tenho buscado o torto, o novo,/o alterado/desses sentimentos/iguais; tenho encontrado no erro/ outro efeito:/um certo/prazer em conhecê-lo). Em dias em que muitos potetas, (ops!, poetas) se protegem debaixo do enorme guarda-chuva de neomarginais, o leitor poderá encontrar, em meio a tanta oferta, este livro belo e maduro, fruto de um trabalho competente e de uma sensibilidade única e intransferível.

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    @psi.adriana.scarpin picture
    @psi.adriana.scarpin19/02/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Altivos lábios nossos

    "Quando perguntei "como Vão os sorrisos dos seus Altivos lábios meus?", Não o fiz por curiosidade, Saudade ou vã poesia, O fiz pois descobri, Há lábios que subvertem A natureza horizontal Do sorrisos, os invertem Traçando uma elegância Altiva e vertical Ou o fiz pois oferecem-se A essa alheia propriedade Minha, de quem quando os vê Os sentidos renomeia: São meus teus seus meus lábios Todo altivo riso teu é meu (e é teu tal seu meu nosso estado)."

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