Thérèse et Isabelle é a história de duas jovens colegiais que provam os sentimentos da descoberta do romance, da sexualidade, da devoção afetiva a outra mulher. Compreendo agora porque o livro foi censurado nos anos 50. É sempre difícil falar da sexualidade feminina, principalmente quando isso envolve uma outra mulher. Aqui, me pego numa reflexão profunda de: essa representação do amor entre mulheres feita por Violette Leduc nos representa, de fato? Qual seria a reação das pessoas ao ler este livro? Achariam, ainda hoje, muito erótico? A sexualidade feminina presente nele serve aos olhos masculinos ou femininos? As personagens foram fetichizadas? Me pergunto tudo isso pois desde que soube a história da censura, senti vontade de traduzir o livro para meu projeto de TCC e me sinto pisando em ovos quando se trata de falar (ou traduzir) livros que narrem a sexualidade feminina de uma perspectiva não heteronormativa. Ao mesmo tempo, também sinto isso por se tratar de um livro em que as emoções, melhor dizendo, as sensações das jovens foram escancaradas. Enfim, recomendo a leitura para quem quiser ler mejestosas matáforas sobre como é sentir uma mulher em sua forma mais íntima, isso sendo outra mulher.


