Graciliano me impressionou com este livro. Seu modo seco de descrever a vida árida desses nordestinos, abusando de "expressões sertanejas" para mim, é o que torna este livro realmente brasileiro.
O livro nos conta a estória, fictícia não sei até que ponto, de uma família nuclear formada por personagens singulares que vive fugindo da seca do sertão e sonhando com uma vida melhor, uma vida grande. Fabiano é um pai rude, que passa a vida consertando cercas e domando animais; sinhá Vitória é a mãe dona de casa que cuida dos filhos, faz contas com sementes e sonha com uma cama de couro igual a do seu Tomás da boladeira; o menino mais novo admira o pai e as vezes tenta ser como ele; o menino mais velho admira a cachorra, que muitas vezes age como gente, diferentemente de seu pai; Baleia, a cachorra, é, para mim, o personagem mais emblemático da estória. O autor confere a ela características psicológicas e afetivas mais humanas que as dos outros personagens, basta ver que ela tem nome, os filhos não.
A leitura desta obra não foi para mim apenas parte de um hobbie. Em algumas páginas me sentia como um sertanejo de "alpercatas" ao lado de Fabiano, lamentando pela vida seca e me perguntando juntamente com ele: Por que não haveríamos de ser gente?
Como muitos já disseram antes, "não há como ler este livro sem sentir sede". Eu concordo. Me ví sedento muitas e muitas vezes durante estas páginas. Mas aí eu pergunto: Sedento de quê? De vida, com certeza.