A Construção da Igualdade: - Política e Identidade Homossexual no Brasil da "abertura"

    Edward Macrae

    Edufba
    2018
    388 páginas
    12h 56m
    ISBN-13: 9788523217174
    Português Brasileiro

    Já considerado um clássico das Ciências Sociais, A construção da igualdade, traz um estudo pioneiro realizado pelo antropólogo Edward MacRae, revisto e ampliado com outros artigos que publicou na época da pesquisa. Pautado nas melhores tradições da antropologia, combinando os papéis de observador e participante, o autor analisa o nascimento, organização, cisão e relativo desfalecimento do movimento homossexual no Brasil nos últimos anos da ditadura militar. Ainda pertinente para entender o protagonismo da militância hoje, o livro lança luzes sobre seus pontos comuns com outros movimentos sociais brasileiros, como o feminista e o negro, que muito inspiraram as práticas e ideias dos ativistas nesses primeiros momentos da luta política LGBT.

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    Leticia 26/07/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Não é à toa que o livro é considerado um almejado clássico das ciências sociais. As análises objetivas e minuciosas é exemplar. O autor se propõe a estudar o SOMOS, grupo homossexual nos períodos de redemocratização do Brasil, sob o olhar etnográfico da Antropologia. Assim, acompanha o crescer do movimento homossexual, tendo enfoque neste grupo. Seus ganhos, conflitos, contradições e importância. Narra o movimento na construção do que seria o próprio movimento no fim dos anos 80. Alguns pontos de contribuição do grupo que podem ser mais claramente vistos e são até curiosos: como no esvaziamento de termos ofensivos como "bicha" e até a palavra "lésbica", através da adoção em cumprimentos e situações cotidianas. Também na parte do SOMOS em ajudar a construir uma identidade homossexual, longe da pejoritividade e papéis de gênero conservadores, o apresentar os integrantes gays ao gueto, lugar onde homossexuais masculinos e femininos se reuniam e podiam, com certa restrição de liberdade se reunir pra festas e encontros casuais longe e assumir suas identidades. Diz da força do jornal Lampião na voz ao movimento homossexual, a repressão social e policial sofrida, o antiautoritarismo como filosofia do grupo, os conflitos pela falta de representação de negros e mulheres e até no não reconhecimento da bissexualidade pelo movimento até então. Tudo isso com incríveis citações de falas de entrevistados e autores contemporâneos ao estudo. Enfim, todos esses tópicos com o fim de linear um ponto de contradição na liderança do grupo, tema da sua tese de doutorado. Sua única penalidade é ser um pouco pedante na escrita, poderia ser mais fluida. Porém, é ainda um ótimo estudo, que dá uma enorme panorama sobre o tema da homossexualidade no Brasil. A leitura é com certeza recomendada.

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