Alison: Sabe, acho que conheci sua melhor amiga...
Jessica: Uma garrafa de Jack Daniels?
É a primeira história que leio da Jessica Jones e simplesmente me pergunto porque não li as aventuras dela antes.
Desde os trejeitos, até a filosofia de vida dela, tudo enlaça o leitor mostrando um lado mais humano e íntimo do universo dos super-heróis. Aliás, pretendo ler “Alias”, enredo onde ela aparece pela primeira vez e que é justamente chefiada pelo selo MAX da Marvel, algo de grande interesse por minha parte.
A maneira como os heróis são vistos pela realidade de vida dela, mostra algo que não é encontrado com frequência em outras HQs. Capitã Marvel, Thor e Homem de Ferro só para citar a nível de curiosidade, são enxergados aqui como mitos. Intocáveis. Lendas Urbanas. E isso é incrível. Porque revela que os heróis não ficam dando entrevistas, salvando pessoas a todo momento ou forçando simpatia com quem não conhecem. Pelo contrário, revela o quão são falhos. É o mundo que exalta suas ações, e justamente por fazer isso, acaba não percebendo o quão sua idolatria é cega e seus heróis passíveis de erros.
No mais, a história fala sobre sacrifício. Sobre o alto preço que Jessica precisa arriscar por causa de um bem maior. Sua vida é levada de um caos até outro pelo simples fato de que pessoas dependem dela. Dependem de sua coragem.
E ela aguenta. Apesar de tudo, ela aguenta.
Jessica Jones é fantástica.
Desde o começo, ela mostra do que sua personalidade é forjada. Com desesperança, traumas, afogada em mágoas e bebedeiras, com pitadas de remorso, vivendo uma vida vazia e dicotômica. E mesmo assim ela consegue fazer feitos heroicos. Uma alcunha que ela nega, aliás, mas que prova algo interessante: ter superpoderes é uma coisa, arriscar seu mundo por causa de pessoas que nem se conhece, é algo totalmente diferente. E isso Jessica Jones faz. À sua maneira claro, chutando, bebendo, sendo sarcástica e falando palavrões, mas faz. E é essa atitude que a torna tão única, tão especial e tão badass.
Jessica Jones merece um pódio especial de heroína na Marvel. Se super-humanos fossem reais, provavelmente seriam como ela, ou seja, apesar de tudo... Humanos!