Canaã (Biblioteca Básica Brasileira #46) -

    Graça Aranha

    Editora UnB
    2014
    255 páginas
    8h 30m
    ISBN-13: 9788563574596
    Português Brasileiro

    Estruturado em torno dos fatos decorrentes da imigração alemã no Sul do Brasil, Graça Aranha construiu em Canaã um romance de ideias, ou de tese, como o classificou Olívio Montenegro em seu livro O romance brasileiro. Canaã apresenta memoráveis descrições da natureza brasileira ainda em estado quase selvagem. O leitor, ao acompanhar as tomadas panorâmicas que ressaltam a beleza das inexploradas terras brasileiras, pode bem visualizar o esplendor da nossa natureza e escutar, como em diálogos dramáticos de teatro, as vozes de Milkau e Lentz, seus personagens principais. Eles são os atores que ponderam, segundo as suas convicções, os prós e os contras da experiência imigratória e do uso da terra. Publicados em 1902, Canaã e Os Sertões de Euclides da Cunha guardam alguma semelhança no empenho de seus autores em retratar não apenas ficcionalmente, mas de modo documental, acontecimentos que revelam com nitidez o retrato do chamado Brasil profundo.

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    Pedro LDC Viegas08/09/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Canaã

    Canaã é uma obra ficcional sobre a imigração alemã destinada ao cultivo do café no sudeste brasileiro. Na obra, Graça Aranha abordou, em meio a uma descrição exaustiva da natureza  de Porto de Cachoeiro  - ES, de uma forma breve e densa, a natureza humana. Os diálogos entre Milkau e Lentz mostram um antagonismo filosófico: Milkau, um pacifista em busca de uma utopia,  à procura de uma Canaã onde nada pertença a ninguém, onde tudo seja de todos, nada seja obtido pela força e o amor prevaleça; Lentz, um ufanista, trabalhando com o objetivo de abrir caminho para a vinda da sua Alemanha, pátria de uma raça superior e dona do futuro das raças inferiores. Lentz obviamente representa os então incipientes movimentos nacionalistas alemães.  O livro conta também a história de Maria, que se cruza com a história de Milkau. Através de Maria o autor demonstra com que indiferença, hipocrisia e impiedade o ser humano pode tratar o menos favorecido. Ao final do livro, quando poderia encontrar segurança e abrigo com Milkau, Maria encontra nele o mais inseguro dos alicerces. Um livro que, na minha mui pessoal e modesta opinião,  mostra a inutilidade das utopias, representadas por Milkau, diante da verdadeira força de vontade de viver e das verdadeiras necessidades, representadas por Maria. Vale a pena a leitura.  Três estrelas e meia.

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