O valor da ciência -

    Henri Poincaré

    Contraponto
    1995
    180 páginas
    6h 0m
    ISBN-13: 9788585910020
    Português Brasileiro

    Ainda em vida, Henri Poincaré foi considerado por Bertrand Russell, seu contemporâneo, como "a maior figura produzida pela França nos tempos modernos". Não havia exagero nisso, mas apenas reconhecimento de que estava ali um dos raros universalistas da história de ciência, talvez mesmo o último deles. Matemático por formação e vocação, Poincaré manejava com gênio, como Gauss o fizera, todos os ramos de sua disciplina, em forma pura ou aplicada. Engenheiro, astrônomo e físico, esteve entre os melhores de sua época. Humanista, filósofo e poliglota, destacou-se como um estilista da sua língua, expondo suas ideias com tal brilho, elegância e clareza que terminou acolhido na Academia Francesa. Data do início do século sua preocupação específica com a divulgação da ciência, da qual resultou uma série de quatro livros de ensaios, logo traduzidos para todas as línguas e hoje alçados à condição de clássicos. Sobre sua importância, basta lembrar o que Abraham Pais, biógrafo de Einstein, escreveu: "Antes de formular a teoria da relatividade, Einstein e seus amigos [da Akademie Olympia] fizeram muito mais do que passar os olhos pelos escritos de Poincaré. Solovine nos deixou uma lista detalhada dos livros que os membros da Akademie leram em conjunto. Destes, destacou um, e apenas um, ‘A ciência e a hipótese’, com o seguinte comentário: ‘Poincaré nos impressionou profundamente e nos deixou sem respiração durante semanas e semanas’." "O valor da ciência" desdobra e aperfeiçoa as ideias fundamentais esboçadas em "A ciência e a hipótese". Na primeira parte do livro, Poincaré discute a psicologia da invenção matemática, ressaltando a necessária interação da análise lógica e da intuição. Depois, num de seus ensaios precursores da teoria da relatividade, discute que convenções estão presentes na medida do tempo, demonstrando que não há simultaneidade absoluta. Passa em seguida para a noção de espaço, introduzindo o conceito de corte, questionando a tridimensionalidade e imaginando a possibilidade de uma quarta dimensão. O quadro das ciências físicas ocupa a segunda parte do livro. Poincaré estuda o benefício recíproco da análise e da física e, em seguida, num capítulo dedicado à astronomia, dá uma imagem poderosa, encantadora e otimista de toda a ciência. Depois, em três ensaios concatenados, enfoca a física matemática – sua história, sua crise e seu futuro. Brilha então, com toda a força, o gênio visionário do autor. Ele chama atenção para as modificações trazidas por Lorentz, então recentes, nos conceitos de duração, distância e massa; antecipa que o estudo das raias dos espectros de emissão (efeito Zeeman) traria enormes surpresas teóricas; finalmente, anuncia duas inovações radicais, a seu ver necessárias: a substituição de diferenciais por leis estatísticas e o advento de uma nova mecânica, na qual, "crescendo a inércia com a velocidade, a velocidade da luz se tornará um limite intransponível". São textos que nos tiram o fôlego, ao percebermos que estamos vendo a invenção do programa da nova física do século XX. César Benjamin.

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    Daniel Trugillo  picture
    Daniel Trugillo 06/09/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Aqui Poincaré destina seus pensamentos à diversas áreas da interface matemática/física. Para isso ele divide em 3 partes (as ciências matemáticas, as ciências físicas e por último comentários sobre a ciência como um todo). ▪ Esse livro foi publicado em 1905 e veio meio que para complementar/aprofundar/expandir alguns aspectos apresentados no seu livro de 1903 “A ciência e a hipótese”. Por isso, senti que algumas passagens do texto ficam pouco claras lendo só esse aqui. Particularmente na primeira parte, das ciências matemáticas, onde Poincaré trabalha os assuntos da medida do tempo e a noção/características do espaço de uma maneira geométrica e também através da intuição e lógica. Dá para perceber que o autor se esforça para passar o seu ponto de vista mas mesmo assim é complicado de entender, pelo menos foi para mim. ▪ Tipo, ele tem pontos que despertam atenção: “como ir do tempo psicológico ao tempo físico? quando utilizamos do pêndulo para medir o tempo, qual é o postulado que admitimos implicitamente? Quando dizemos que o espaço tem 3 dimensões, o que queremos dizer? Qual a semelhança entre um contínuo matemático e um contínuo físico? O que é um ponto e como podemos defini-lo com rigor?” mas suas explicações requerem afinidade com pensamento abstrato e certa habituação com ideias geométricas. ▪ A terceira parte do livro já tem uma pegada mais leve deixando sua leitura mais fácil. Poincaré rebate as ideias e filosofia da ciência apresentadas pelo seu contemporâneo, o matemático Édouard Le Roy que diz que o cientista cria o próprio fato. ▪ Resumo: livro escrito há mais de 100 anos, leitura não é simples, aconselhável certa familiaridade com pensamento abstrato matemático. Embora existam outros livros com uma leitura mais convidativa, eu nunca vi um que abordasse os mesmos pontos curiosos que Poincaré aborda. Indico com ressalvas. Esteja preparado.

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