Ou melhor dizendo: decepcionadíssima.
Nossa, eu esperava taaaanto deste livro porque "A beautiful poison" surpreendeu em tudo. Mas acho que Lydia Kang cansou de escrever uma história bem elaborada e única e preferiu inserir elementos que agradam a maioria dos leitores.
Bom, eu detestei. Mas a julgar pelas notas e resenhas no Goodreads, fui a única. "A beautiful poison" não conseguiu tantas notas altas e resenhas elogiosas assim.
A primeira coisa que me decepcionou em " The impossible girl" foi a escrita de Lydia Kang. No início estranhei porque em "A beautiful poison"- e infelizmente eu vou comparar muito as duas obras - ela fez tudo tão bem! Cada sentença, cada palavra escolhida parecia combinar muito bem uma com a outra e se encaixar perfeitamente na história. Já neste livro, eu me lembrei das vezes em que tinha que entregar uma redação com um número mínimo de linhas e para isso eu criava paragrafos e parágrafos desnecessários porque eu podia expor minha opinião no tema proposto em 3 linhas e precisava de 17 para não zerar.
Havia descrição dos locais em que os personagens passavam em "A beautiful poison"? Havia descrição das roupas que eles e os demais usavam? Sim. Mas tudo parecia estar no parágrafo certo e se apresentar no momento certo da história. Já em "The impossible girl" eu não achei que acontecia o mesmo e isso quebrava o ritmo da história. NADA parecia aparecer na hora certa. Quando tinha diálogos, eu esperava descrições de lugares. Quando havia descrições da roupa, eu queria diálogos. E assim por diante.
Nem os capítulos terminavam com um gancho tão bom quanto em "A beautiful poison".
A segunda coisa que me decepcionou no livro foi Cora. Agora que finalizei a leitura entendi porque ela foi descrita como bela, do tipo que atraía a atenção de todos os homens. É o único atributo da personagem porque de resto ela é completamente sem graça. E burra. Mas duvido que Kang quisesse que eu visse a personagem como mais uma protagonista feminina genérica wannabe fodona.. Era pra Cora ser uma personagem que usa a beleza para lubridiar os homens, o machismo a seu favor para passar a perna dos bobocas, que transita entre ricos e pobres sem problema e sempre levando vantagem. Mas Cora não é nada disso. Longe disso.
O enredo... é fraco. É nível Nina de "Avenida Brasil" voltando da vida boa que tinha na Argentina pro Brasil para vingar a morte do pai. Por que ela faria isso?
Mesma coisa com Cora. Era pra ela viver da maneira mais discreta e sem graça possível a fim de não chamar atenção de nenhum médico para sua anomalia. Ao invés disso, o que ela faz? Vai trabalhar como ladra de caixão de pessoas que nasceram com anomalia. Só que aqui o ditado "mantenha seus amigos perto e seus inimigos mais perto ainda" não se aplica. De fato, foi por se meter nesse meio que o fato de ter nascido com 2 corações veio à tona e ela precisou tomar cuidado.
Aff, e o romance, gente! *revira os olhos* Não havia a menor necessidade disso aqui, mas vamos enfiar romance goela abaixo nos livros.
Só que não podia ser com um personagem mais interessante? E melhor escrito para eu poder shippar os dois? Por que Cora Lee se interessou pelo jovem estudante de medicina? Resposta: Ele era bonito (do tipo padrão). É isso. Kang não apresentou nada na personalidade dele que justificasse o quase instalove de Cora pelo personagem.
E logo Cora Lee, fruto de um relacionamento fora do casamento e conhecendo as consequências disso de perto, resolveu que transar com o boy - que ela não tinha descartado por completo como suspeito de querer matá-la - enquanto os corpos das pessoas nascidas com anomalia se amontoavam ao redor dela!!!!
Porra, não fez o MENOR SENTIDO. Vai investigar os assassinatos, filha. Ficar divagando que é estranho o tanto de gente saudável que estava morrendo não vai parar o assassino. Pelo amor de Deus! Eu não aguento isso não...
[Nota: editando o final da resenha porque após ser postada eu me dei conta por que desgostei do final do livro]
As emoções finais do livro... você percebe que Lydia Kang queria nos entregar algo surpreendente, que nenhum leitor jamais poderia imaginar, mas pareceu forçado e usado apenas para isso: nos deixar de queixo caído. Não fez sentido. Tal qual o livro inteiro.