O Século das Luzes -

    Alejo Carpentier

    Companhia das Letras
    2004
    382 páginas
    12h 44m
    ISBN-10: 8535905553
    Português Brasileiro

    Na Havana barroca e tórrida do final do século XVIII, os irmãos Carlos e Sofia vivem a seu bel-prazer no palacete que herdaram com a morte do pai. LIvres de obrigações familiares, partilham com o primo Esteban uma sensibilidade vagamente libertária, que não os levaria muito longe não fosse a chegada inesperada de uma figura misteriosa: Victor Hugues, entusiasta de Robespierre e emissário da Revolução Francesa para todo o Caribe. Personagem real, Hugues leva a revolta a todas as ilhas e mesmo à terra firme, não hesitando sequer em mover guerra à jovem república norte-americana, que vê com desconfiança profética. CAda vez mais radical e mais solitário, Hugues recorre à guilhotina para manter o poder e levar a cabo a missão que julga suprema. Com a chegada do comerciante francês, os três jovens heróis terão que pôr à prova seus ideais e seu caráter, num rito de passagem em que se entrelaçam a biografia de cada um e os rumos da história mundial. O século das luzes é uma das mais profundas indagações literárias sobre os destinos do continente. O Escritor cubano Alejo Carpentier começou a escrever o romance em 1956, na Venezuela, e o publicou em 1962, já de volta à Cuba de Fidel Castro e Che Guevara. COm esse livro, que chamava de "sinfonia caribenha", o autor levou ao virtuosismo as suas idéias sobre o "real maravilhoso" latino-americano e lançou as bases para o boom de autores como Vargas Llosa e García Márquez. "Não existe outro romance hispano-americano mais admirado." - Otto Maria Carpeaux.

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    Gabriel Alessandro dos Santos18/12/2020Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    O Século das Luzes

    O Século das Luzes é um misto de biografia de Victor Hughes, personagem histórico da revolução francesa, e três jovens (burgueses) órfãos. Com destaque para Sofia e Esteban. Essa ligação entre o revolucionário e os jovens me foi um pouco estranha, devida a influência adulta sobre adolescentes. O primeiro quarto da obra é meio entediante, já que narra, basicamente, a vida burguesa e fútil dos jovens. Mesmo após a chegada de Victor. Aí, do nada, o autor te põe em meio a revolução francesa, aí toda a historicidade, psicologia e sociologia jorram no livro. Porém, a ideia revolucionária aqui, segue a máxima do oprimido que deseja ser o opressor, com a ressalva de que essa máxima se dá aos líderes, o povo só vê o chicote trocar de mão. "Tudo que a Revolução Francesa fez na América foi legalizar uma Grande Fuga fr Negros que não cessa desde o século XVI. Os negros não esperaram por vocês para se proclamarem livres um número incalculável de vezes " Faço menção a essa descrição para exemplificar o que disse anteriormente. Porque a falsa ideia de liberdade do povo, em especial ao negro, é revogação com o governo sob o poder dos, até então, revolucionários. "Sinto muito. Mas sou um político. E se restabelecer a escravidão é uma necessidade política, devo me dobrar a essa necessidade" - Victor Hughes. Algo bastante interessante no livro, também, além da historicidade, é a ilusão e desilusão dos personagens Sofia e Esteban, que, como todo deslumbrado com um movimento teoricamente colossal, enfrentam quando vêem a revolução de dentro. Enfim, livro muito bom mesmo. Desconhecia o autor e fiquei impressionado com a escrita, lirismo de fácil absorção, e cronologia tempo/espaço muito interessante.

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