Ondjaki nos apresenta a infância bonita de uma criança angolana. Uma vida simples e repleta de estórias infantis, momentos tristes e engraçados, onde a visão da criança toma lugar e parte, porque as crianças estão atentas aos pequenos detalhes, tudo o que é despercebido aos olhos do mundo. O andar do caracol, o sussurro do abacateiro, o gato no muro.
Aonde é que os adultos perdem a sensibilidade com o mundo, com as pequenas coisas, com o inútil ? É uma pergunta que surgiu na minha leitura.
Existe também uma despedida triste daquela vida miúda nas ruas de Luanda, uma despedida da infância tão cheia de gente, tão cheia de ver telenovelas no chão da casa da Sra Isabel e dormir na cama da tia Rosa, o arroz doce da avó Nhé. Sinto que mergulhei em um fragmento de vida que será guardado num lugar especial, pois relembrei também a minha infância e apesar das coisas feias que aconteceram nela, ficou a saudade dos meus bisavós e dos natais na Baia-farta, tão bonitos, com gelado de múcua a escorrer pelos meus dedos pequeninos.
Obrigada Ondjaki.