A berlinense Paula Dehmel nasceu em 1862, vindo a falecer em 1918. Foi casada com o prestigiado poeta Richard Dehmel, com quem teve três filhos. O casal divorciou-se em 1900, porém a parceria literária permaneceu e juntos publicaram várias obras de literatura infantil e juvenil. Os contos traduzidos em A Casa Verde novamente revelam uma forte carga de lirismo e sensibilidade. Com mais força do que em Histórias de Melodia, faz-se sentir uma certa melancolia e o tema da morte de pessoas queridas aparece com uma freqüência maior do que o comum em obras voltadas a público tão jovem. Não obstante, momentos de humor, por vezes negro e bizarro, podem ser observados, como na história da pequena rosca Pretzel, que corre o mundo atrás de sua amiga. Magia, encantamento e amor à natureza estão presentes em todos os contos. As histórias O Sininho e A Flor de Cristo revelam também uma marcada espiritualidade, outro elemento que aparece repetidamente na obra, Como é habitual na literatura infantil, poesia e prosa mesclam-se no texto, causando grandes dificuldades aos tradutores, uma vez que a tradução poética é uma tarefa que exige conhecimentos muito especializados. Ao longo da tradução, houve o empenho em conservar, na medida do possível, os elementos culturais e temporais observados nos textos. Evitar a domesticação foi, portanto, um fio condutor da tarefa tradutória e optou-se por revelar ao leitor os elementos que evidenciavam o fato de que as narrativas têm como cenário a Alemanha do início do século XX, no período anterior à Primeira Guerra Mundial. Os nomes próprios só foram traduzidos quando portavam carga simbólica, como é o caso da Tia Felpuda, em que o nome revelava características físicas do personagem. Outra estratégia tradutória foi a busca do equilíbrio entre um registro culto e formal de linguagem e uma adequação de vocabulário e estilo para a faixa etária de seu receptor da primeira década século XXI. Em seu país de origem, os poemas para crianças escritos por Paula Dehmel e Richard Dehmel continuam a ser publicados e são encontráveis em livrarias. A maior parte da prosa da autora, porém, só pode ser localizada em sua forma digital ou em sebos. Embora conscientes de que a obra apresente aspectos datados e reveladores de uma Alemanha muito diversa da sociedade multicultural que é hoje, os tradutores dos contos aqui apresentados esperam que o leitor brasileiro seja envolvido pela mesma atmosfera de lirismo e encantamento que sentiram ao realizar a tradução.
A casa verde (Cadernos de Tradução #23) -
não informado
UFRGS
2008
48 páginas
1h 36m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
Edições (1)
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