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    A Ferro e Fogo - A história e a Devastação da Mata Atlântica

    Warren Dean

    Companhia das Letras
    1996
    484 páginas
    16h 8m
    ISBN-13: 9788571645905
    Português Brasileiro
    4.4
    107 avaliações
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    Um dos primeiros atos dos portugueses que chegaram ao Brasil em 1500 foi abater uma árvore para montar a cruz da primeira missa. Nesse gesto premonitório fez-se a primeira vítima da ocupação européia da Mata Atlântica, que cobria boa parte do território brasileiro. Nos cinco séculos que se seguiram, cada novo ciclo econômico de desenvolvimento do país significou mais um passo na destruição de uma floresta de um milhão de quilômetros quadrados, hoje reduzida a vestígios. É esse desdobramento trágico de uma lógica sempre apresentada como inexorável pelos defensores da civilização que Warren Dean conta neste livro pioneiro de história ambiental, trazendo uma visão nova e polêmica da História do Brasil.

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    Resenhas (10)Ver mais
    João Paulo Hoppe picture
    João Paulo Hoppe16/03/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "A Ferro e Fogo" talvez seja, involuntariamente, o livro mais triste que já li. É diferente quando se lê algum romance bem escrito, algum drama, e sente-se vontade de chorar diante das agruras dos personagens. Outra coisa é quando você vê, num desenrolar inevitável rumo à total destruição, causada pelo descaso, ignorância, incompetência, de algo tão belo. Em suas bem preenchidas meio milhar de páginas, Warren Dean discorre sobre a história de exploração da Mata Atlântica, desde os registros dos primeiros habitantes da Mata Atlântica, chegada dos portugueses e tempos recentes. Aqui, tem que ficar claro que não é feita uma romantização das atividades indígenas. O método de agricultura itinerante, com queimadas e eventual pousio, apesar com baixo efeito, traz sim alterações significativas na estrutura florestal. Mas, o efeito é irrisório quando comparado com a chegada dos portugueses e eventual Estado brasileiro, com: exploração do pau-brasil, ouro e esmeraldas, cana-de-açúcar e café, além das atividades pecuárias e industriais. Cada final de capítulo traz a contabilidade do quanto foi perdido. O final não poderia ser mais sombrio. Talvez, a Mata Atlântica esteja perdida para sempre, sendo apenas uma questão de tempo para que a última árvore seja derrubada. Fica, para os outros grandes biomas brasileiros, Floresta Amazônica e Cerrado, o terrível lembrete do que pode acontecer com o uso indevido dos recursos naturais. Nesses tempos de novos códigos florestais, a leitura do livro é muito necessária.

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