"A Ferro e Fogo" talvez seja, involuntariamente, o livro mais triste que já li. É diferente quando se lê algum romance bem escrito, algum drama, e sente-se vontade de chorar diante das agruras dos personagens. Outra coisa é quando você vê, num desenrolar inevitável rumo à total destruição, causada pelo descaso, ignorância, incompetência, de algo tão belo.
Em suas bem preenchidas meio milhar de páginas, Warren Dean discorre sobre a história de exploração da Mata Atlântica, desde os registros dos primeiros habitantes da Mata Atlântica, chegada dos portugueses e tempos recentes.
Aqui, tem que ficar claro que não é feita uma romantização das atividades indígenas. O método de agricultura itinerante, com queimadas e eventual pousio, apesar com baixo efeito, traz sim alterações significativas na estrutura florestal. Mas, o efeito é irrisório quando comparado com a chegada dos portugueses e eventual Estado brasileiro, com: exploração do pau-brasil, ouro e esmeraldas, cana-de-açúcar e café, além das atividades pecuárias e industriais.
Cada final de capítulo traz a contabilidade do quanto foi perdido. O final não poderia ser mais sombrio. Talvez, a Mata Atlântica esteja perdida para sempre, sendo apenas uma questão de tempo para que a última árvore seja derrubada. Fica, para os outros grandes biomas brasileiros, Floresta Amazônica e Cerrado, o terrível lembrete do que pode acontecer com o uso indevido dos recursos naturais.
Nesses tempos de novos códigos florestais, a leitura do livro é muito necessária.