Os deuses vigilantes e outras histórias - Walter Van Tilburg Clark

    não informado

    Cultrix
    1966
    239 páginas
    7h 58m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Nesta obra, que reúne os contos mais significativos, Tilburg Clark volta às suas queridas e êrmas paisagens do Oeste para, em algumas magistrais narrativas nas quais realidade e simbolo se amalgamame se iluminam mutuamente, explorar um rico filão que, na literatura norte-americana, já fizera a glória de Melville: o do Homem da Natureza, os obscuros "deuses vigilantes" que lhe governam o destino e que lhe dão sentido à vida.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (1)Ver mais
    R . picture
    R .04/08/2018Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Obra com dez contos do americano Walter Van Tilburg Clark. Tem em comum textos minuciosamente descritivos, algo em que o autor é envolvente, com situações de interação homem-natureza, capazes de gerar impressões sobre a vida, mesmo que não seja essa a motivação do autor (ou quem sabe sutilmente seja). Em minha leitura foram atrativos (enquanto textos deliciosamente expositivos) e sobretudo provocativos. Registrando alguns: "Os deuses vigilantes", dá nome a obra e é o mais extenso, acompanhando um menino de doze anos na busca de inspirações e motivações existenciais, que o direcionam para Deus. A busca é introspectiva, levando-o a conclusão materialista e panteísta, na incompreensão de seus questionamentos, como a confusão na leitura bíblica em sua busca solitária. Tudo isso é avesso a meus posicionamentos, mas entendi como situação comum, que nem o que se registra na história bíblica entre Felipe e o eunuco da rainha Candace, no livro de Atos. Essa lembrança que me veio, foi motivacional à continuidade da leitura. O conto tem essa ideia de dissociar Deus e seus atributos em forças da natureza, tateando a compreensão através de uma resolução pessoal. O menino se vê impressionado pelo meio, a quem atribui forças divinas (como os mistérios da bruma, a grandiosidade da cerração), e em sua visão panteísta estende a objetos inanimados também (como a pequena arma que ganhara de presente e o instigara a um poder que na prática não era de seu convívio, de interferir na vida). Esses poderes externos o instigam em seus desejos e segredos interiores, fazendo com que se sinta responsável em seus atos, como se fosse vigiado. É isso que o conto exprime. Não sei que tipo de posicionamento espiritual tinha o autor, mas nesse texto é inegável uma visão panteísta, como existe rotineiramente hoje. Os céus proclamam sim a glória de Deus, mas esse tem uma identidade e uma biografia: a Bíblia. "Hook" é a história de um falcão. Show de bola e, no que é comum a essas narrativas, de acabar humanizando os animais em seu retrato, podemos concluir como uma história sobre ascensão e queda, onde a coragem e determinação são as únicas coisas que não se perdem. Apesar de parecer banal, o final é sensacional (claro que me calo em algo mais sobre isso). "As corredeiras", desenrola-se naquele lance de se entregar a uma emoção, vivência fora do habitual, que fora tolhida ao longo da vida pelas convenções sociais ou imposições burocráticas. O cara encontra um bote ao passar por uma corredeira e aí... Difíííícil imaginar, não? "A fonte índia". Li duas vezes, talvez seja o texto descritivo mais bonito, pelo menos para mim. O autor, em uma região erma e aparentemente sem graça, sem sal, sem histórias, vai adentrando aos poucos com sua capacidade descritiva e assim, como num desabrochar, revela pequenos dramas da natureza em sua diversidade "invisível". Como a proposta insere o homem em uma interação de momento revelador com a natureza, nesse andar acompanhamos a história de um homem, sua jumenta e um puma. Eu, que sou do bucolismo, de viagens telúricas, me amarrei no duelo que se armou. Em um pensamento besta, me veio a mente aquela velha animação da Disney sobre a história de um velho moinho. Se não conhecem, é a melhor animação já feita pela empresa (creio que insuperável em todos os tempos - só se fizerem uma animação de Jesus conforme os Evangelhos), em que o plano se aproxima de um lugar aparentemente "sem graça" e aí vai encontrando histórias poéticas, instigantes, o que Tilburg Clark faz nesse conto. "O fonógrafo portátil". Pena que o autor não se estendeu muito. Revela um cenário pós apocalíptico, de destruição (e toma-te show de quem sabe descrever), parecendo o mundo pós guerra e bomba nuclear, em que quatro homens encontram alguns livros (Shakespeare, Bíblia, Moby Dick e Divina Comédia) e um fonógrafo (som da época). Já viu né, contrastes, esperança que motiva... Não gostei de todos, mas achei interessantes, e o que não deu para tolerar foi apenas a edição muito antiga, conservando texto conforme publicação em 1950. Algumas coisas precisavam de modernização. Alguém sabe, por exemplo, o que é um canhão na natureza? Pintou em vários contos e, por intuição, concluí referir-se a uma encosta ou determinado espaço geográfico. Legal! Ah, bacana também se essas narrativas fossem quadrinizadas...

    5 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    2.8 / 2
    • 5 estrelas0%
    • 4 estrelas0%
    • 3 estrelas100%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%