Monsenhor de Ségur foi um dos mais inteligentes e articulados militantes (se ainda se pode usar esta palavra no sentido de combatente, sem um viés revolucionário) contra o grande mal que se abatia sobre a humanidade no seu tempo. Não por acaso, ele teve a habilidade de mostrar que este mesmo mal, com raízes no Éden, era o mesmo que tinha se alastrado pela história, e bem sabemos quanto estrago tem causado ainda hoje. A Revolução.
Esta Revolução estava presente nos seus dias sob o espírito da revolução francesa de 1789 (o livro foi publicado em 1861) e a sucessão de revoltas políticas do século XIX. Mas não era com essas revoltas políticas que ele se preocupava, pois sabia que eram apenas sintomas de uma doença mais profunda: a revolta contra Deus, contra a Igreja, contra a autoridade e contra a Verdade. Assim, dissecando todos os elementos da Revolução (vista como um movimento único e contínuo na história), mostra em tom direto e claro - como é seu estilo - de que forma este mal, obra de ninguém menos que o próprio Demônio - estava agindo, ora por violência, ora por sutileza e malícia, ora pelo enganoso clamor de liberdade e igualdade. Nomeia todos os inimigos do Bem: a maçonaria; a imprensa; os protestantes; e todos os que se deixam enganar por estas falsas ideias que parecem querer consertar o mundo. E revela que a verdadeira felicidade só vai ser encontrada depois, apenas por aqueles que tiverem o bom combate.
A nota negativa do livro é sua instrumentalização na apresentação na nota de rodapé, feita por um defensor de uma vertente sectária do catolicismo. A discrepância fica notória, aliás, quando o autor defende em palavras fortes a obediência ao papa, e o comentador articula por todos os meios para relativizar essa obediência visando justificar sua própria forma elástica de crer na autoridade. Falha da editora, e nota triste da publicação.