Nietzsche em Turim -

    Lesley Chamberlaim

    Difel
    2000
    284 páginas
    9h 28m
    ISBN-11: 8574320137_
    Português Brasileiro

    Neste livro, Lesley Chamberlain reúne a pesquisa biográfica e o exame da correspondência pessoal do pensador-artista e um dos mais influentes filósofos dos tempos modernos, em seu último ano de vida produtiva, para realizar uma apaixonada investigação dos motivos que fazem a sua obra um amálgama singular de personalidade e visão de mundo.

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    Christiane Depooter picture
    Christiane Depooter24/07/2021Resenhou um livro
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    Este livro é um tipo de biografia que acompanha Nietzsche em seu último ano em Turim, 1888, até o momento em que ele sofre o colapso abraçado a um cavalo em consequência da sífilis. Um ano especialmente produtivo quando ele escreveu vários de seus livros. A autora faz uma análise paralela sobre as condições emocionais e psicológicas de Nietzsche, inclusive baseando-se também em Freud em alguns momentos. Ela acompanha o filósofo em suas emoções, ânimos,impressões, fazendo ao mesmo tempo uma descrição dos lugares e de como isto deveria afetá-lo. Há uma análise da relação de Nietzsche com Wagner que é brilhante mostrando o quanto ele ficou dependente do músico ao tê-lo colocado no lugar de um pai, pai este que sempre foi idealizado enquanto as mulheres da família o sufocavam, principalmente sua irmã Elisabeth. Será neste ano de 1888 que Nietzsche escreverá O Caso Wagner como uma tentativa de se curar desta relação tão forte de amor, O anticristo, Ecce Homo e Ditirambos dionisíacos, após concluir em julho Genealogia da Moral. Chamberlain nos mostra a relação da vida familiar, pessoal do filósofo com suas criações - o trágico, o dionisíaco, a vontade de potência, o super-homem, as lacunas entre sua vida e suas reflexões. O quanto toda produção de Nietzsche falava apenas dele, numa tentativa de cura e de auto-superação. Toda a relação com a música, seja a da infância, a de Wagner e a de Bizet com Carmen. A doença, a solidão, suas inibições com o amor e o sexo, sua grande paixão por Lou Salomé, a morte de Wagner. Todas as máscaras que usa para enfrentar a vida e a doença. Nos livros tudo o que ele gostaria de ser, na vida o que ele era. É realmente tocante seguir este ano com Nietzsche e perceber toda sua luta para se manter são, se superar como homem no sentido de ser alguém melhor. Não o super homem perfeito, de raça pura, que infelizmente foi utilizado depois pelo nazismo devido sua irmã que era uma simpatizante, Nietzsche jamais apoiaria o nazismo. Ele é introspectivo, está sempre fazendo uma auto-análise, na tentativa de se livrar dos traços e faltas da infância, principalmente o pai que morreu cedo o deixando em meio a várias mulheres por quem foi criado. É interessante como ele é um precursor da psicanálise, indo tão a fundo em si mesmo ele desvela o ser humano e seu inconsciente, seus dramas e suas tragédias. Nietzsche era humano, demasiadamente humano!!!

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