O Messianismo no Brasil e no Mundo (Biblioteca Alfa-Omega de Ciências Sociais #6) -

    Maria Isaura Pereira de Queiroz

    Alfa-Omega
    1977
    440 páginas
    14h 40m
    ISBN-10: 852950030X
    Português Brasileiro

    Publicado em 1965, sob a responsabilidade da Dominus/Editora da Universidade de São Paulo, O messianismo no Brasil e no mundo de Maria Isaura Pereira de Queiroz, ganhou, logo após o seu lançamento, repercussão internacional, tendo sido traduzido para o francês. Pouco mais de dez anos após ter sido dada a público, esta obra, fundamental para a compreensão e estudo dos movimentos messiânicos, especialmente os brasileiros, é relançada, desta vez em uma versão revista e aumentada -- a parte final da obra segue a edição francesa, que é diferente da 1a edição brasileira -- e com bibliografia atualizada. Segundo Roger Bastide, o prefaciador da segunda e desta terceira edição do livro de Maria Isaura Pereira de Queiroz, “o messianismo aparece, nessa obra, não como um Apocalípse, mas como a conquista da alegria e do prazer; em oposição ao catolicismo do litoral, que sacerdotes estrangeiros pretendem impor aos roceiros -- catolicismo dogmático, moral e puritano --, o messianismo exprime o desejo de transformar a vida cotidiana numa festa perpétua; numa festa católica, certamente, mas realmente festa, com procissões, cavalhadas, desafios de viola”. Nesse sentido, passa a ser "uma resposta (...) à situação histórica de uma classe rural abandonada, que se mostra capaz, utilizando modelos tradicionais, de passar da servidão à cooperação". A Editora Alfa-Omega espera, com mais esta publicação dedicada aos especialistas brasileiros em Ciências Sociais, estar contribuindo para um melhor conhecimento de nossa realidade nacional, assim como possibilitar àqueles que a estudam, um contato fecundo com o pensamento dos intelectuais que a investigam seriamente. Por isso mesmo, tem lançado, repetidamente, trabalhos que representam o mais evoluído pensamento sociológico de nosso país, como O messianismo no Brasil e no mundo e O mandonismo local na vida política brasileira e outros ensaios, também de Maria Isaura Pereira de Queiroz, que são, entre outras obras, os responsáveis pela grande aceitação da "Biblioteca Alfa-Omega de Ciências Sociais" nos meios universitários brasileiros.

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    Eder Silva03/03/2021Resenhou um livro
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    Maria Isaura e as tipologias dos messianismos

    A autora se destaca por apresentar um estudo precursor nas sociologias religiosas à respeito dos messianismos, em abordagem diferenciada das de outros estudiosos que antecederam. Até a década de 1950 os messianismos eram observados sob o prisma de patologias sociais ou surtos de fanatismos religiosos. Exemplos de estudiosos como Euclides da Cunha, Raimundo Nina Rodrigues e Rui Facó, por exemplo, enxergaram os messianismos sob esses aspectos. Porém, Maria Isaura inaugura outra interpretação. Os analisava sob a ótica do dinamismo social (interações entre os agentes que compunham as relações sociais). Traça tipologias dos messianismos e os classifica, levando-se em conta complexidades inerentes de cada movimento messiânico. Quanto as tipologias, relaciona-os como: a) movimentos que dizem respeito à formação de sociedades globais e que pretendem retornar à antiga organização, sendo ora de segregação, ora de agregação; b) movimentos que dizem respeito à configuração interna de sociedades globais, ora reagindo contra processos de mudanças social, ora reagindo contra processos de anomia, e distinguindo-se em movimentos revolucionários e movimentos reformistas; e c) movimentos que dizem respeito ao mesmo tempo à formação e configuração de sociedades globais (movimentos mistos), pretendendo a um tempo segmentá-la e subverter a estrutura hierárquica interna, constituindo movimentos revolucionários. Além das diferenciações acima indicadas, Maria Isaura Pereira de Queiroz observa que os movimentos messiânicos estavam sempre ligados a crises de estruturas e organizações sociais e que sempre os encontramos relacionados com estruturas regidas pelo sistema de parentesco, houvesse ou não dualidade estrutural (1977, p. 330). Um exemplo seria o movimento de Canudos, que, em decorrência da transição monarquia - república (1889), acabou gerando um vazio no consciente coletivo, pois, sem a figura do Rei (enviado de Deus), a República não oferecera nada que o substituísse. Pelo contrário, favorece o banditismo nas regiões interioranas e também o abandono dessas populações, promovendo concentração apenas nas capitais e litoral do Brasil. Esses movimentos são, portanto, fruto de instabilidades de ordem política, econômica, cultural e religiosa. Essa obra é uma das mais completas abordagens sobre os messianismos, juntamente com o "Dicionário de Messianismos e milenarismos", do padre e sociólogo francês Henri Desroche.

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