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    A Ceia Dominicana: Romance Neolatino -

    Reinaldo Santos Neves

    Bertrand Brasil
    2008
    513 páginas
    17h 6m
    ISBN-13: 9788528613551
    Português Brasileiro
    3.5
    14 avaliações
    Leram25Lendo0Querem24Relendo0Abandonos6Resenhas2
    Favoritos1Desejados24Avaliaram14

    Ironia como matéria-prima da literatura. Acrescente pitadas de fábula e jorros de erudição. Você obterá uma amostra grátis de A ceia dominicana: Romance neolatino. Santos Neves é um homem de letras; de formação literária – estudou Letras na Federal do Espírito Santo –, mas sobretudo um leitor voraz. Busca inspiração em obras da Antiguidade Clássica e em temas polêmicos do cotidiano, como erotismo, machismo, vaidade, e tabus como virgindade. Tudo regado a sátira e sarcasmo. Transposições da “baixa Roma” dos césares (Império Romano) ao ano de 1979 no Brasil, época em que o país se encontrava mergulhado em um regime opressor, são realizadas no texto de Reinaldo Santos Neves. O clima neolatino, presente desde o título, é confirmado pela seleção lexical (palavras em latim e de uso e oralidade atuais), rapsódias com inspiração na Odisséia de Homero, e uma série de nuanças e referências literárias e mitológicas que o leitor vai se deparando página a página.

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    Pablo Pax picture
    Pablo Pax25/08/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Obra-prima

    Graciano descobre que sua esposa não era virgem (ela não sangra na primeira noite de núpcias), então, perturbado, foge para uma cidade litorânea. Nessa cidade acontece coisas que diríamos surreais (não darei spoilers), tanto com o protagonista quanto com outras personagens. Às vezes ficamos em dúvida se ele narra fatos ou experiências oníricas. É o Brasil dos anos 1970, com os valores da época e é provável que muita gente de hoje, com os valores de hoje (cultura do cancelamento à esquerda e pseudomoralismo à direita), não compreenderá o livro se focar apenas no seu conteúdo. A originalidade está na forma e nas influências da literatura latina, bem anterior à Idade Média. Sátira, 'paganismo', experiências sensoriais, reflexões filosóficas, odes, pecados capitais, tudo aqui é 'sincretizado', como se um homem da antiguidade greco-romana tivesse chegado ao Brasil sem conhecer o cristianismo que só viria depois. Se você já leu obras latinas como 'Satíricon' de Petrônio, qualquer outro livro do realismo fantástico latinoamericano, como 'Cem anos de Solidão', e literatura regionalista brasileira, como 'Tieta' - aqui Reinaldo Neves faz uma miscelânea dessas três tradições que para muitos parecerá esquisita, e realmente o é, daí sua originalidade. É um daqueles livros que será reconhecido pela posteridade como obra-prima da língua portuguesa. Mais trabalho de linguagem do que de conteúdo.Personagens inesquecíveis escritos numa lingua portuguesa muito peculiar. Em plenos anos 2000, para o bem e para o mal, ainda é uma obra incompreendida e à frente do seu tempo.

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.5 / 14
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas21%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas21%
    • 1 estrelas0%
    Reinaldo Santos Neves profile picture

    Reinaldo Santos Neves

    Reinaldo Santos Neves nasceu em Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, em 03/12/1946, filho de Guilherme Santos Neves e Marília de Almeida. Iniciou seus estudos na Escola Sagrado Coração de Jesus, em 1953. Concluiu o ginásio e o clássico no Colégio Estadual do Espírito Santo, em 1961 e 1964, respectivamente. Concluiu o Curso de Letras (Português- inglês) na UFES, em 1968. Inicia sua vida profissional como tradutor e intérprete, na UFES, onde dirigiu a Editora da Fundação Ceciliano Abel de Almeida. Durante quatro anos trabalhou na revista Você, da Secretaria de Cultura da UFES. Participou com a obra Reino dos medas, em 1973, de concurso promovido pelo Instituto Nacional do Livro, recebendo menção honrosa. Pelo conjunto de sua obra, em 1996, recebeu do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo o prêmio Almeida Cousin.

    11 Livros
    18 Seguidores
    Espírito Santo, Brasil

    Reinaldo Santos Neves