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    Maria Bonita - Sexo, violência e mulheres no cangaço

    Adriana Negreiros

    Objetiva
    2018
    296 páginas
    9h 52m
    ISBN-10: B07FK23Y65
    Português Brasileiro
    4.3
    1173 avaliações
    Leram1565Lendo121Querem1630Relendo2Abandonos54Resenhas196
    Favoritos88Desejados1630Avaliaram1173

    A mulher mais importante do cangaço brasileiro, que inspirou gerações de mulheres, ganha agora sua biografia mais completa e com uma perspectiva feminista. Embora a mitificação da imagem de Maria Bonita tenha escondido situações de constante violência, ela em nada diminui o caráter transgressor da Rainha do Sertão. Desde os anos 1990, quando Vera Ferreira, filha do casal de cangaceiros mais famoso do Brasil, cravou como data de nascimento de sua mãe o 8 de março, Maria Bonita é celebrada no Dia Internacional da Mulher. Com o tempo, transformou-se em uma marca poderosa. Enquanto a companheira de Lampião viveu, no entanto, essa personagem nunca existiu. A cangaceira que teve a cabeça decepada em 28 de julho de 1938 era simplesmente Maria de Déa: uma jovem de 28 anos que morreu sem jamais saber que, um dia, seria conhecida como Maria Bonita. Nos anos em que viveu com Lampião e nos subsequentes à sua morte, despertou pouco interesse em pesquisadores ou jornalistas. E foi essa lacuna de informações sobre sua vida e a das outras jovens que viviam com o bando que contribuiu para que se criasse a fantasia de uma impetuosa guerreira, hábil amazona do sertão, uma Joana D'Arc da caatinga. Essa versão romântica e justiceira de Maria Bonita, rapidamente apropriada pela indústria cultural, tornou-se um produto de forte apelo comercial — e expandiu seus limites para além das fronteiras do sertão. Neste livro, Adriana Negreiros constrói a biografia mais completa até então daquela que é, sem dúvidas, a mulher mais importante do cangaço.

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    Resenhas (196)Ver mais
    Rosangela Max picture
    Rosangela Max13/04/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Horror com aval de políticos e militares da época.

    É inconcebível a imagem romantizada que algumas obras reproduzem de Lampião e Maria Bonita, assim como de outros cangaceiros. Era um grupo cruel, que recorria a violência para tudo, principalmente para satisfazer o próprio ego. A “polícia” também era tão cruel quanto os próprios bandoleiros. Conviver entre ambos devia ser o inferno na Terra. A autora efetuou um trabalho excelente ao retratar o terror que era conviver com o perigo provocado pelo bando de Lampião, dando um enfoque maior para a presença feminina. Embora tenha “Maria Bonita” no título do livro, são contadas histórias de outras mulheres também. Mulheres forjadas pela violência. E que, como sempre, foram relegadas a segundo plano pela história. Algumas imagens que constam neste livro eu já tinha visto em museus espalhados pelo Nordeste em uma viagem que fiz em 2018. Foi quando despertou meu interesse em ler mais sobre o cangaço. Recomendo a leitura.

    105 curtidas

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    • 5 estrelas42%
    • 4 estrelas39%
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    • 2 estrelas2%
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    Adriana Negreiros

    A escritora e jornalista Adriana Negreiros nasceu em São Paulo, em 1974, e mora atualmente no Porto, em Portugal, mas foi em Fortaleza onde passou a maior parte da juventude. Formada em filosofia pela USP, ela iniciou a carreira no jornal Diário do Nordeste e trabalhou por mais de uma década na Editora Abril, com passagens pelas revistas Veja, Playboy e Claudia. Em 2018, fez sua estreia literária com a bastante comentada e elogiada biografia Maria Bonita: sexo, violência e mulheres no cangaço (Objetiva). A partir da trajetória de Maria de Déa, mais conhecida como Maria Bonita e popularizada como a cangaceira destemida, a mulher de Lampião, símbolo máximo do cangaço, Adriana traça um perfil nada glamouroso de personagens menos notórias dessa história, como Dadá, Inacinha e Maria Jovina. Ela acaba por nos revelar, assim, uma realidade bastante complexa sobre o papel feminino no cangaço, um tema popular, porém muitas vezes mal compreendido. São histórias trágicas de mulheres violentadas, desrespeitadas e brutalizadas, que em nada se assemelham à imagem cristalizada de guerreiras representantes de uma espécie de protofeminismo. A perspectiva feminina e a violência contra a mulher é, aliás, um ponto de vista central na escrita da autora, que já assinou um segundo livro a ser publicado também pela Objetiva com este viés.

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    São Paulo, Brasil

    Adriana Negreiros