A Loucura Branca (Trás-os-mares) -

    Jaime Rocha

    Circuito
    2018
    76 páginas
    2h 32m
    ISBN-13: 9788595820296
    Português

    "Tenho aqui um papel com uma frase que quero que ouças, parece de um poeta, disse ela. Era uma frase que falava da loucura. Vítor tentou tirar os óculos, mas não teve força para levantar os braços, abriu a boca mas os seus lábios pareciam duas pedras fechadas. O objeto deslocara-se para cima, contraindo-lhe o peito". De acordo com António Cabrita, em A loucura branca, Jaime Rocha “apresenta-nos um texto que mergulha no cotidiano e no mundo trivial com uma demência quase surreal, cruzando Kafka com os filmes de David Lynch. Um misto de mistério, sedução e humor sutil.” Para Miguel Real, “A capacidade de descrever situações claustrofóbicas de um modo estético, não recorrendo a símbolos narrativos neorromânticos ou góticos, utilizando exclusivamente um léxico de referentes semânticos realistas, identifica e singulariza a obra romanesca de Jaime Rocha no horizonte do romance português contemporâneo.” Sobre o autor: Jaime Rocha nasceu em 1949 na vila de Nazaré, em Portugal. Estudou na Faculdade de Letras de Lisboa. Viveu em França nos últimos anos da ditadura portuguesa. Publica desde 1970, poesia, prosa e teatro. É autor de cerca de uma trintena de livros e recebeu alguns prêmios literários ao longo dos anos. Os seus mais recentes livros editados são Necrophilia e Preparação para a Noite, poesia; O Regresso de Ortov, teatro; e Rapariga Sem Carne e Escola de Náufragos, romance, este último finalista dos Prêmios Oceanos e Correntes D’Escritas.

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    Arthur Magnum Mariano21/07/2018Resenhou um livro
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    De perto ninguém normal.

    Esse livro foi uma supresa bem grata! Sempre fui apaixonado por escritores portugueses e esse entrou para o hall de queridos. O livro conta a história de Vitor, que recebe a notícia do suicídio do seu amigo e a partir daí a trama se desenrola e passado o fato do suicídio, começa-se a contar a história de Vitor, que foi diagnosticado com um tumor e o seu dia a dia em família. Esse é o ponto alto do livro: bem humorado, afiado e bem dosado na personagem principal por meio de todos os seus TOC?s, cismas e manias. Em várias situações vividas e os comportamentos de Vitor podemos nos enxergar de maneira bem ativa e curiosa. Mas toda a rotina, TOC?s e preocupações da personagem mudam bruscamente quando ele recebe a visita de uma vendedora de enciclopédias que promete uma peça de decoração diferente de tudo que já se viu caso Vitor compre a coleção completa. Estabele-se então, além da loucura a obsessão pelo curioso objeto, levando Vitor a uma jornada bem peculiar e inserindo Inês na trama: a cega ladra de intimidades. A partir dai a trama toma outro rumo completamente inesperado em um final inusitado. A escrita de Jaime Rocha é fluída e nada pesada. O ritmo do livro, ao menos no começo, é bem enfadonho. Vencido o primeiro trecho do suicídio, inicia-se o ponto alto do livro: a vida e a personalidade de Vitor. O humor sutil, cotidiando e nonsense é o ponto alto do livro. Mas não leia esse livro se você é do tipo que precisa ter uma explicação racional de todos os fatos e pontas soltas. O autor, acredito que intencionalmente, cria uma atmosfera Lynchiana que faz com que a obra seja uma delícia e deixa várias pontas soltas, que não diminuem a qualidade do livro ou prejudiquem a experiência da leitura. Apenas não espere encontrar coerência e sanidade em um livro sobre a loucura. Ponto para a coleção ?Trás-os-Mares? e a editora Hedra pela publicação. Acredito valer a pena dar uma conferida nos demais títulos.

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