O Marxismo Ocidental -

    José Guilherme Merquior

    É Realizações
    2018
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-13: 9788580331714
    Português Brasileiro

    Chama-se marxismo ocidental à corrente dos intelectuais de esquerda que expressaram reservas em relação ao socialismo autoritário e que concentraram a aplicação dos conceitos marxistas na análise dos temas da cultura, muito mais que na dos problemas econômicos. Expondo com detalhes as suas fontes – em Hegel e Marx –, os seus fundamentos – em Lukács e Gramsci – e as suas implicações – em Benjamin, Adorno, Horkheimer, Sartre, Althusser, Marcuse, Habermas, entre outros –, José Guilherme Merquior sustenta que a crítica cultural empreendida por tais pensadores foi, com variações de grau, abstrata e generalizante. O Marxismo Ocidental foi elogiado por John Gray, eleito “livro do ano” no Financial Times e editado em espanhol por Octavio Paz. Esta reedição inclui uma extensa galeria de fac-símiles de reportagens, cartas e manuscritos relacionados à obra. “livrinho brilhante, envolvido de rigor acadêmico e rebentando em deliciosas digressões, (...) um ensaio de história intelectual conduzido como um extenso exercício de ironia.” – John Gray, The Times Literary Supplement “uma consideração refinada, desapaixonada e absolutamente devastadora do ‘comunismo cultural’ no Ocidente.” – George Watson, ao eleger a obra seu “book of the year” (“livro do ano”) no Financial Times

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    Filino Carvalho Neto19/05/2024Resenhou um livro
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    Mais uma joia do Merquior

    Quando folheados um livro de Merquior, é inevitável lamentamos o seu precoce falecimento. E nos juntamos à avaliação de Raymond Aron, quando afirmou que o autor brasileiro "leu tudo" e parece mesmo ter entendido tudo que caiu sob os seus olhos. A erudição de Merquior é impressionante, mas isso não torna esse livro cansativo ou erudito demais. Nnuma linguagem didática, com um estilo limpo e uma ironia magistralmente lançada em vários momentos do texto, o autor desnuda vários luminares e obras do marxismo ocidental. Lukács, Gramsci, Adorno, Benjamin, Sartre, Althusser, Marcuse e Habermas (além de outros também apreciados), embora sejam autores com particularidades e abordagens próprias, têm a sua (in)fidelidade ao pensamento de Marx (e Hegel) expostas por Merquior. O autor ressalta, em vários momentos, como temas caros a Marx (a exemplo do papel da História e da luta de classes) são deixados de lado e os alvos passam a ser outros: o próprio indivíduo, a cultura, o discurso - e vários elementos que constituíram a "superestrutura" no pensamento da figura maior do socialismo do século XIX. Essa postura, que assume por vezes aspectos de irracionalidade (notadamente em Adorno) é exposta e severamente criticada por Merquior. Ao fim dessa edição, um verdadeiro tesouro: documentos dos arquivos do autor, com matérias de jornais, correspondências e réplicas ao seu texto. Sem dúvidas, um primor!

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