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    Kallocaína -

    Karin Boye

    Antígona
    2016
    231 páginas
    7h 42m
    ISBN-13: 9789726082743
    Português
    3.9
    747 avaliações
    Leram926Lendo97Querem1728Relendo0Abandonos52Resenhas191
    Favoritos2Desejados1728Avaliaram747

    Obra visionária, "Kallocaína" (1940) é uma das grandes distopias do século XX, herdeira de "Nós", de Zamiatine, e de "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, e predecessora de "1984", de George Orwell. Num futuro desumanizado, um estado totalitário controla uma sociedade que, na ânsia da segurança prometida, se vergou à sua vontade. Em cidades subterrâneas, envolvido numa guerra permanente, o Estado Mundial erigiu a delação em acto cívico e dispõe a seu bel-prazer da vida dos seus consoldados, que, temendo denúncias e perseguições, tudo cumprem em nome do bem comum. Quando o cientista Leo Kall descobre um soro da verdade - a kallocaína -, mais eficaz do que a tortura ou a propaganda, o Estado não se coíbe de derrubar as já frágeis barreiras da individualidade e de extorquir todos os segredos e pensamentos dos seus cidadãos. Requiem pela humanidade em tempos negros, "Kallocaína" conserva até hoje toda a sua clarividência.

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    Resenhas (191)Ver mais
    Jennifer Luiza picture
    Jennifer Luiza11/03/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "Vivo, apesar de tudo que extraíram de mim..."

    Ao abrir as páginas de "Kallocaína", fui imediatamente envolvida por uma atmosfera distópica que parecia se insinuar através das linhas do texto. A autora, Karin Boye, nos transporta para um mundo sombrio e assustador, onde o Estado exerce controle absoluto sobre a vida de seus cidadãos. A história se desenrola em um Estado totalitário sem classes, onde cada indivíduo é simultaneamente um soldado e um habitante, vivendo em apartamentos padronizados e alimentando-se em cozinhas centrais. A vigilância é onipresente, com olhos e ouvidos eletrônicos da polícia monitorando até mesmo o interior dos lares, evocando lembranças do Grande Irmão de "1984". Leo Kall, o protagonista, é um cientista que se vê envolvido em um dilema moral ao desenvolver uma droga chamada Kallocaína. Esta substância tem o poder de forçar as pessoas a revelarem seus pensamentos e vontades mais íntimos, tornando-se uma ferramenta de controle nas mãos do Estado. A descoberta de Leo o coloca diante do terrível dilema entre sua lealdade ao Estado e sua consciência individual. O livro nos leva a refletir sobre temas profundos, como a perda da individualidade em prol do coletivo, a supressão da arte e a manipulação da verdade pela máquina estatal. A narrativa é rica em detalhes, levando-nos a explorar as nuances desse mundo distópico e a questionar até que ponto estaríamos dispostos a sacrificar nossa liberdade em troca de segurança. Ao fechar o livro, fiquei impressionada com a profundidade e a relevância de "Kallocaína". A obra não apenas se destaca como um clássico do gênero distópico, mas também como um alerta oportuno sobre os perigos do totalitarismo e a importância da resistência individual em face da opressão estatal. Uma leitura obrigatória para quem busca explorar as fronteiras da ficção científica e refletir sobre os dilemas éticos e morais de nossa própria sociedade. •"Dos pensamentos e sentimentos nascem as palavras e ações. Como poderiam então os pensamentos e sentimentos serem algo privado? O cidadão-soldado não pertence totalmente ao Estado?"

    73 curtidas

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    Karin Maria Boye profile picture

    Karin Maria Boye

    Poeta consumada e pacifista, Karin Boye (1900-1941) é um dos vultos mais destacados na literatura sueca do século XX. Publicou várias antologias poéticas, entre as quais Moln (Nuvens, 1922) e Gömda land (Terras Ocultas, 1924), e contou-se entre os fundadores da revista de vanguarda Spektrum, que apresentou T. S. Eliot e autores surrealistas aos leitores suecos. Membro do movimento Clarté, de pendor socialista e antifascista, viajou pela Europa nos anos 30, tendo visitado a União Soviética de Estaline e a Alemanha de Hitler, facto que influenciaria claramente a escrita de Kallocaína, o seu derradeiro romance. Suicidou-se em 1941, no dia em que os nazis invadiram a sua amada Grécia.

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    7 Seguidores

    Karin Maria Boye