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    Contos da Palma da Mão -

    Yasunari Kawabata

    Estação Liberdade
    2008
    496 páginas
    16h 32m
    ISBN-13: 9788574481371
    Português Brasileiro
    4.2
    8 avaliações
    Leram11Lendo5Querem35Relendo1Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados35Avaliaram8

    Em cada uma das narrativas chama a atenção, em primeiro lugar, o poder de concisão. Ao tratar de uma rica variedade de temas - na qual, aqui e ali, identificam-se recorrências que voltaremos a encontrar também nos romances do autor -, Kawabata sabe escolher o essencial, a palavra precisa, e descartar tudo o que não é absolutamente necessário. As imagens são fortes, a escrita é sinestésica e não há lugar para sentimentalismo, divagações e explicações. Muitas vezes encerra-se a leitura de um conto - que contém, numa média de duas a quatro páginas, tamanho que "cabe na palma da mão", todo um universo dramático - sem a noção exata de seu significado. Paira no ar uma impressão, algo que, a um só tempo, é capaz de impregnar a imaginação do leitor e ficar além do seu entendimento. E então, em algum momento posterior, essa sensação difusa pode vir a se transformar em revelação plena de sentido. A morte, o amor, a infância, a cegueira, a sensualidade, os laços de família, os sonhos, as expectativas são alguns dos temas que perpassam os contos, e que muitas vezes nascem da observação do que há de mais cotidiano - e, nesse sentido, invisível - na existência. "[...] entre eles há algumas peças não muito razoavelmente fabricadas, mas há algumas boas, que jorraram de minha pluma naturalmente, de seu próprio aval. [...] Vive neles o espírito poético de meus dias jovens", disse o autor.

    Edições (1)

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    Resenhas (1)Ver mais
    Gabriela picture
    Gabriela30/12/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Vários contos sobre várias coisas, com elementos em comum

    Um livro calhamaço, traduzido do japonês ao português e com contos históricos e meio fantasiosos da cultura japonesa das eras antigas. O autor tem uma narrativa sucinta mas estrutura seus contos apresentando, inicialmente, detalhes mais gerais da história e depois aprofundando até especificar totalmente o conto. Foi um livro de difícil leitura e como se trata de uma narrativa mais histórica, vai retratar situações de machismo e outras violências contra as mulheres - o que pode causar um incômodo. Mas de tantos contos, você acaba encontrando algum que agrade mais que os outros.

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 8
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas25%
    • 3 estrelas38%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Yasunari Kawabata profile picture

    Yasunari Kawabata

    Prêmio Nobel de 1968, Yasunari Kawabata é considerado um dos representantes máximos da literatura japonesa do século XX. Nascido em Osaka em 1899, interessou-se por livros ainda adolescente, principalmente clássicos do Japão, que viriam a ser uma de suas grandes inspirações. Kawabata estudou literatura na Universidade Imperial de Tóquio e foi um dos fundadores da Bungei Jidai, revista literária influenciada pelo movimento modernista ocidental, em particular o surrealismo francês. Acompanhado de jovens escritores, defenderia mais tarde os ideais dacorrente neo-sensorialista (shinkankakuha), que visava uma revolução nas letras japonesas e uma nova estética literária, deixando de lado o realismo em voga no Japão em prol de uma escrita lírica, impressionista, atravessada por imagens nada convencionais. Ao contrastar o ritmo harmônico da natureza e o turbilhão da avalanche sensorial, Kawabata forjou insólitas associações e metáforas táteis, visuais e auditivas que surpreendem por revelar os processos de fragilização do ser humano diante do cotidiano, numa composição surrealista de elementos da cultura e filosofia orientais, personagens acuados e cenários inóspitos. Sua obsessão pelo mundo feminino, sexualidade humana e o tema da morte (presente em sua vida desde cedo, sob a forma da perda sucessiva de todos seus familiares) renderam-lhe antológicas descrições de encontros sensuais, com toques de fantasia, rememoração, inefabilidade do desejo e tragédia pessoal. Desgastado por excesso de compromissos, doente e deprimido, Kawabata suicidou-se em 1972.

    38 Livros
    234 Seguidores
    Kinki, Japão

    Yasunari Kawabata