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    Memórias de um Sargento de Milícias (Clássicos da Literatura) - Com questões comentadas de vestibular

    Manuel Antônio de Almeida

    Ciranda Cultural
    2018
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788538077565
    Português Brasileiro
    3.6
    78 avaliações
    Leram112Lendo7Querem53Relendo0Abandonos8Resenhas12
    Favoritos4Desejados53Avaliaram78

    Memórias de um sargento de milícias conta a história de Leonardo, “filho de pisadelas e beliscões”, que, ao ser rejeitado pelos pais, é acolhido pelo padrinho. Este, cego de afeto pelo menino, mima-o e fecha os olhos para as suas travessuras. Assim, o garoto endiabrado logo se torna um rapaz preguiçoso e afeito aos amores fáceis. Trata-se de um divertido retrato do Rio de Janeiro do tempo "del-rei", em que são apresentados o cotidiano e os costumes de figuras típicas das classes populares cariocas. Obra mais importante de Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias representa uma transição da estética romântica para o Realismo, cuja originalidade vai além de qualquer limitação de estilo.

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    Marina Soares24/05/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    MUITO divertido

    Livro onde um narrador atrevido fala sobre as memórias de outra pessoa, no caso, Leonardo, que cresceu na vida sem fazer absolutamente nada. Achei hilário. Embora o protagonista seja descrito como um malandro, um exemplo de anti-herói, a verdade é que é simpático, assim como todas as personagens. Leonardo-pataca, a comadre, dona Maria, Vidinha, Luisinha... todos são tão "reais" e suas histórias são tão familiares que é muito difícil não sentir simpatia por eles. O autor deixa bem claro que o seu objetivo é retratar a sociedade e costumes da época: " [...] a fidelidade, porém, com que acompanhamos a época, da qual pretendemos esboçar uma parte dos costumes". Nesse sentido, é inegável o êxito do livro, que traça de forma cômica, porém crítica, os costumes e pensamentos da sociedade brasileira "dos tempos do rei". O autor até mesmo utiliza a figura do Vidigal (que realmente existiu) em forma de paródia e com ele, nos permite entender de que forma a "justiça" se via contaminada por preconceitos, e o poder, centralizado em poucas pessoas. Outro ponto importante é que conseguiu mostrar como o status era conseguido a partir das relações que as pessoas cultivavam. Para Leonardo, "[...] não havia fortuna que não se transformasse em desdita, e desdita de que lhe não resultasse fortuna". Assim, apenas por ser filho de, afilhado de, conhecido de, se tornou um respeitável sargento de milícias, sem nunca merecer o posto. O melhor do livro, sem dúvidas, é o seu narrador crítico, hábil e que conta a história conversando com o leitor e provocando o seu interesse. Uma leitura muito gostosinha e engraçada.

    9 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.6 / 78
    • 5 estrelas17%
    • 4 estrelas26%
    • 3 estrelas45%
    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas3%
    Manuel Antônio de Almeida profile picture

    Manuel Antônio de Almeida

    Manuel Antônio de Almeida era filho dos portugueses Antônio de Almeida e de Josefina Maria de Almeida. Enquanto fazia Faculdade de Medicina, as dificuldades financeiras o levaram ao jornalismo e às letras. Formou-se em Medicina em 1855, mas nunca exerceu a profissão. De junho de 1852 a julho de 1853 publicou, anonimamente, os folhetins que compõem as "Memórias de um Sargento de Milícias", reunidas em livro entre 1854-55, em dois volumes, com o pseudônimo de "Um Brasileiro". Na 3ª edição, em 1863 - já póstuma - apareceu com seu nome verdadeiro. Na mesma época, ele ainda escreveu a peça "Dois Amores" e a compôs versos esparsos. Além do romance, publicou a tese de doutoramento em Medicina e um libreto de ópera. Em 1858 foi nomeado Administrador da Tipografia Nacional, onde conheceu Machado de Assis, que trabalhava como aprendiz de tipógrafo. No ano seguinte, foi nomeado 2º Oficial da Secretaria da Fazenda. Em 1861, quando se preparava para entrar em campanha como candidato à Assembléia Provincial do Rio de Janeiro, faleceu no naufrágio do navio Hermes, próximo a Macaé (RJ). Não estava interessado em sucesso nem na moda literária, por isso escreveu sem compromissos e apresentou, em tom direto, bem humorado e com tendências realistas, a sociedade de então, principalmente a gente simples que povoava o Rio de Janeiro. Seu romance fez sucesso pelo humor imparcial e amoral, o estilo coloquial e, principalmente, por seu grande talento como narrador. Mesmo assim, a crítica só percebeu, muito tempo depois. Recentemente, alguns críticos, como Paulo Rónai, apontam como influência tanto na elaboração como nas características do protagonista, Leonardo, o romance espanhol picaresco e de costumes.

    45 Livros
    110 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Manuel Antônio de Almeida